Chega/Açores desafia Governo Regional a apresentar moção de confiança
O Chega/Açores desafiou hoje o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) a apresentar uma moção de confiança, alertando para o ambiente de "instabilidade política" após o presidente do executivo ter afirmado que o PSD concorrerá sozinho nas eleições regionais.
"Este tempo exige uma moção de confiança por parte do Governo Regional. Sem dramas, sem teatros e sem medo. Uma moção de confiança clara, frontal e política, para que os açorianos saibam quem está dentro e quem está fora deste barco autonómico", defendeu o líder do Chega na região, José Pacheco, numa posição enviada às redações.
Na terça-feira, em entrevista à Antena 1, o social-democrata e presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, disse que os acordos de coligação entre os três partidos vigoram até 2028 e que, nas próximas eleições regionais, o PSD concorrerá sozinho.
O presidente do Chega/Açores defende que a "região não pode continuar a viver em suspenso", nem pode "continuar refém de amuos, egos, recados e pequenas vinganças".
"Não tenho o hábito de me meter em casa alheia. Mas, como responsável político, tenho o dever institucional de dizer o óbvio: se este Governo [Regional] quer governar com estabilidade, tem de clarificar quem está dentro e quem está fora", considerou.
José Pacheco alerta que a posição manifestada por José Manuel Bolieiro coloca os Açores num "clima de instabilidade", numa altura em que a região enfrenta "dificuldades" ao nível das contas públicas, da situação da SATA, nos transportes e no preço dos combustíveis.
"A verdade é simples: brigaram as comadres e os Açores entram novamente num clima de instabilidade política. E isto acontece numa altura em que a Região atravessa dificuldades sérias", lê-se no texto assinado pelo também deputado na Assembleia Regional.
O líder do Chega/Açores avisa que os Açores não podem ser governados "como uma sala de espera de ambições pessoais" e salienta a importância da estabilidade política porque "sem estabilidade não há confiança, não há investimento e não há planeamento".
"Esta briga de comadres não pode, nem deve, ser mais um fator de instabilidade na nossa já castigada terra. Tenho dito. E é bom que me oiçam", avisou.
Na terça-feira, Bolieiro, quando questionado se nas próximas eleições regionais o PSD concorrerá sozinho à presidência do Governo Regional açoriano - que desde 2020 é liderado pelo PSD em coligação com CDS-PP e PPM -, respondeu que "sim".
"Sim, não haverá coligação pré-eleitoral nas legislativas regionais de 2028. [...] E isto é bem entendido e isto é leal na relação com os três partidos, que não ficam melindrados com esta posição, porque eles próprios [os dirigentes], também nos seus partidos, estão a assumir o cumprimento com honra da palavra dada", declarou o também presidente do PSD/Açores.
A coligação PSD/CDS-PP/PPM venceu as eleições regionais antecipadas realizadas em 04 de fevereiro de 2024 e elegeu 26 deputados, menos três do que os 29 necessários para obter maioria absoluta, enquanto o PS elegeu 23 deputados, o Chega cinco e o BE, o IL e o PAN um cada.
O atual executivo de coligação liderado por José Manuel Bolieiro tomou posse em 04 de março, um mês após as eleições.
Sem maioria no parlamento regional, a coligação que integra o Governo dos Açores tem 26 parlamentares (23 do PSD, dois do CDS-PP e um do PPM) e precisa do apoio do Chega (cinco) ou do PS (23) para assegurar a viabilização dos documentos.