Comissão de Inquérito tem por objectivo o ataque pessoal

O primeiro-ministro José Sócrates acusa a Comissão de Inquérito ao negócio PT/TVI de não querer apurar nada. Numa entrevista ao Jornal de Notícias, o chefe do Governo assegura que os deputados já têm todas as respostas, afirmando que a comissão é "um acto de profunda hipocrisia política, que pretende apenas instrumentalizar a Assembleia da República no ataque pessoal".

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O primeiro-ministro José Sócrates deverá dizer 'não' ao convite para depor na comissão de inquérito José Sena Goulão, Lusa

"Não pretendem apurar nada, mas manter uma suspeição e instrumentalizar a AR no ataque pessoal e político contra mim. Não andam à procura de esclarecimentos, o que querem é um palco para me atacarem", acusou José Sócrates, apontando a "actuação muito insólita" de uma comissão de inquérito "feita com base numa coligação entre o BE e o PSD".

Referindo-se "em particular, ao PSD", Sócrates considera que "alguns políticos passaram o limite da consideração e respeito que em democracia é devido aos adversários".

Depois de instado a comparecer perante a comissão, sem pronunciar a palavra ‘não', o primeiro-ministro revelou na entrevista ao JN que responde de 15 e 15 dias perante o Parlamento.

"Eu respondo perante a grande comissão, que é o Parlamento na sua plenitude. Vou lá de 15 em 15 dias e não deixarei de responder a todas as perguntas e de criticar o comportamento de alguns", sublinha o chefe do Governo.

José Sócrates considera ainda que é "delirante a tese do controlo da comunicação social". O primeiro-ministro mantém que "o Governo nunca foi informado, que nunca deu orientações, fosse a quem fosse, para proceder empresarialmente de um modo ou de outro".

Nesse sentido, Sócrates sublinha que o que havia a esclarecer na comissão de ética já foi esclarecido pelo presidente da PT, Henrique Granadeiro, o presidente da comissão executiva da PT, Zeinal Bava, e o ex-administrador da PT Rui Pedro Soares, ou seja, nas palavras de Sócrates: que nunca informaram o Governo sobre a intenção de comprar a Media Capital.

"A tese delirante do controlo da comunicação social pressupõe que o Governo deu orientações a alguém para agir de determinada forma. Ora isso não é verdade", garante o governante.

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