Comunidade Islâmica de Lisboa recusa convite para jantar na Embaixada israelita

Depois de ter recebido na Mesquita de Lisboa o embaixador israelita, Dor Shapira, a Comunidade Islâmica de Lisboa acabou por recusar um convite deste para um jantar na Embaixada israelita. O Comité de Solidariedade com a Palestina tinha divulgado uma carta aberta no sentido de ser recusado o convite, num momento de repressão especialmente severa contra a população palestiniana.

RTP /
Ammar Awad, Reuters

Em comunicado hoje divulgado, o Comité de Solidariedade com a Palestina (CSP) dá conta da decisão que a Comunidade Islâmica lhe comunicou por carta, nos seguintes termos: "Depois de ter recebido na Mesquita de Lisboa o embaixador de Israel, a actual direcção da Comunidade Islâmica teve a decência e a coragem de recusar um jantar de iftar (quebra de jejum em mês de ramadão) em companhia de representantes da ocupação e da opressão do povo palestiniano".

O CSP congratula-se com a decisão, sublinhando que ela ocorre "num momento em que se sucedem os actos de provocação na Esplanada das Mesquitas por parte da polícia e de colonos", não deixando de assinalar que "o Iftar contou, no entanto, com a presença do ex-líder da Comunidade Islâmica, a título pessoal".

carta aberta divulgada no dia 15 de abril apelava "à direção da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) que rompa de imediato as relações que tem vindo a desenvolver com a Embaixada de Israel em Portugal" e explicava que "manter estas relações, violando o apelo palestiniano ao boicote, é branquear os crimes e a opressão israelita contra o povo palestiniano".

A carta lembrava também que, "desde o começo do mês do Ramadão, Israel executou a sangue frio 17 palestinianos, incluindo a palestiniana Ghada Ibrahim Sabatien, de 47 anos, mãe de seis crianças, a leste de Belém, na Cisjordânia ocupada" e também que nesse mesmo dia 15 de abril "atacou crentes aquando de uma invasão armada a Al-Aqsa, num ato de provocação em antecipação às orações de sexta-feira, atacando homens, mulheres, crianças, jornalistas, primeiros-socorros, e destruindo até artefatos históricos da mesquita".

Para o CSP, a aproximação da Embaixada israelita à CIL destina-se, assim, a "normalizar e legitimar a opressão israelita denunciada como um regime de apartheid pelas duas das maiores organizações de direitos humanos do mundo, a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch". 

A concluir, a carta apelava a que a CIL cancelasse o iftar e rompesse "todas e quaisquer relações, formais e informais, com Israel, os seus orgãos estatais, assim como organizações cúmplices com a opressão do povo palestiniano". A primeira parte do apelo obteve agora satisfação.
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