Congresso da JS. Pedro Nuno exige SNS de "país decente e humano"

Os temas quentes da Saúde, da imigração e da habitação marcaram este domingo o discurso de Pedro Nuno Santos no encerramento do XXIV Congresso Nacional da Juventude Socialista, na Nazaré. O secretário-geral do PS colocou a tónica na necessidade de garantir que um cidadão estrangeiro possa ser atendido no SNS de “um país decente e humano”. Adiante, sustentou que, “sem novos trabalhadores”, Portugal não será capaz de “executar o Plano de Recuperação e Resiliência”.

Carlos Santos Neves - RTP /
Pedro Nuno Santos com Sofia Pereira, eleita secretária-geral da JS no Congresso da Nazaré Paulo Cunha - Lusa

Portugal, advogou o líder dos socialistas na Nazaré, dispõe de meios para travar acessos fraudulentos ao sistema público de Saúde.

“O país não é um país rico”, começou por afirmar Pedro Nuno Santos, acrescentando que este não tem “um Serviço Nacional de Saúde capaz de oferecer cuidados ao mundo”. Contudo, há “meios para combater o abuso”.Pedro Nuno Santos questionou mesmo, a título de exemplo, que resposta deve oferecer “um país decente e humano” a uma grávida estrangeira que procure assistência numa maternidade portuguesa.

Pedro Nuno admite que haja casos de “acesso fraudulento”, o denominado turismo de saúde, o que implica identificar e desmontar “redes de tráfico”. Neste plano, continuou, as ideias do PSD “não são razoáveis”, uma vez que se traduzem em "proibir o acesso ao SNS de imigrantes ou estrangeiros sem a sua situação regularizada”.

“Uma coisa é encontrar formas de cobrar, outra é não sermos sequer humanos”, frisou o secretário-geral socialista.
“Um grave problema para Portugal”

No mesmo discurso, o líder do PS acusaria também o Governo de Luís Montenegro de mostrar “incapacidade para resolver problemas concretos” e de “inventar outros”. Com uma finalidade: “Disputar com o Chega o eleitorado de extrema-direita”.
Referindo-se à imigração, Pedro Nuno Santos disse tratar-se de “um problema que o Governo prometeu resolver, mas criou um grave problema para Portugal ao ter eliminado da lei o conceito de manifestação de interesse”. Isto quanto “o país precisa de mão-de-obra”.

“O que é que o Governo português vai fazer com os milhares de imigrantes que viram os seus processos rejeitados?”, perguntou, para enfatizar que “sem novos trabalhadores” não será possível “executar o Plano de Recuperação e Resiliência”.Pedro Nuno Santos recusou existir “qualquer conluio” entre o PS e o Chega de André Ventura, exortando a JS a mover um combate à “extrema-direita que tem avançado também entre os jovens”.

Quanto à habitação, Pedro Nuno Santos quis deixar vincado “o compromisso generalizado” do PS com um “programa agressivo de reabilitação e construção de casas em Portugal”.

“Num mercado altamente inflacionado, temos que ter a ambição de intervir a sério na habitação”, propugnou, saindo ainda em defesa da disponibilização de casas “para a população carenciada” e “para a classe média”.
Sofia Pereira eleita secretária-geral
A secretária nacional e presidente da Federação de Viseu da Juventude Socialista, Sofia Pereira, foi eleita secretária-geral da organização no Congresso da Nazaré, sucedendo a Miguel Costa Matos.

Sofia Pereira reuniu 198 votos, superando o adversário, Bruno Gonçalves, em 60. A secretária-geral eleita encabeçou a lista mais votada para a Comissão Nacional, com a moção de estratégia "É a hora!".Licenciada em Comércio e Relações Económicas Internacionais pela Coimbra Business School – ISCAC, Sofia Pereira presta assessoria ao registo internacional de navios. A nova secretária-geral da JS, nascida em Lamego a 25 de julho de 1999, integrou as listas do PS nas últimas europeias e legislativas pelo círculo de Viseu. Milita na JS desde os 16 anos.


A moção vencedora propõe o alargamento do prazo da interrupção voluntária da gravidez até às 14 semanas, a propina negativa, a médio prazo, no Ensino Superior e a construção de 600 mil casas em dez anos para habitação acessível, além de um plano de urbanismo verde à escala nacional.

Para o sector da Saúde, a moção de Sofia Pereira defende o aumento de salários dos profissionais, uma campanha nacional de sensibilização para a saúde mental e a adoção da licença menstrual para mulheres com dor severa ou outras condições relacionadas.

Outras propostas passam pelo voto aos 16 anos, pela reforma do sistema eleitoral, de forma a torná-lo misto e composto por círculos uninominais e um círculo de compensação, e pela criação de uma entidade reguladora que garanta a identificação de conteúdos manipulados nas redes sociais.

c/ Lusa
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