Política
Congresso do PS. Carneiro diz que socialistas estão "bem vivos" e desafia Governo a optar pela "via moderada"
No discurso que marcou o arranque do 25.º Congresso Nacional do PS, o secretário-geral do PS considerou que os socialistas estão "vivos, (...) e bem vivos", ainda que muitos tenham questionado o "futuro" do partido. Deixou ainda um aviso ao Governo para que opte "pela via moderada", ou colherá "tempestades".
Na reunião magna do partido, que decorre em Viseu, José Luís Carneiro sublinhou que chegou à liderança do partido "num contexto difícil", na sequência das eleições legislativas de 2025.
"Há cerca de oito meses assumi a liderança do nosso partido num contexto difícil. Num contexto muito difícil. Num momento em que muitos questionavam o nosso futuro. Num momento em que muitos determinavam o nosso declínio. Afinal, estamos vivos. E bem vivos!", afiançou.
José Luís Carneiro apelou ao Executivo para que opte "pela via moderada", garantindo "espírito de responsabilidade e abertura" por parte do PS. "Nunca confundimos e continuaremos a não confundir oposição com bloqueio", acrescentou.
No entanto, alertou que "se o Governo escolher ventos, terá tempestades".
José Luís Carneiro apelou ao Executivo para que opte "pela via moderada", garantindo "espírito de responsabilidade e abertura" por parte do PS. "Nunca confundimos e continuaremos a não confundir oposição com bloqueio", acrescentou.
No entanto, alertou que "se o Governo escolher ventos, terá tempestades".
No início dos trabalhos do 25.º Congresso Nacional, o secretário-geral do PS não passou ao lado da polémica sobre a escolha de juízes para o Tribunal Constitucional.
"Há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A democracia não se instrumentaliza. Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não", vincou.
O desafio direto ao Governo foi, de resto, uma das mensagens principais do discurso de José Luís Carneiro aos militantes do PS.
Questionou se o executivo pretende "continuar o muro de silêncio com que recebe os nossos contributos, não tendo sequer a civilidade de responder por escrito aos mesmos, enquanto faz acordos com a extrema-direita, ou se prefere abrir-se à convergências moderadas com o PS".
Em fevereiro, José Luís Carneiro denunciava a ausência de resposta por parte de Luís Montenegro a cinco cartas que tinha enviado ao primeiro-ministro. "A paciência tem limites", afirmava então.
O líder dos socialistas garantiu também a unidade do PS, assinalando que "um partido que quer governar o país tem de começar por saber unir-se a si próprio", sem que isso comprometa a "diversidade interna".
Carneiro aproveitou ainda para destacar os resultados do PS nas eleições autárquicas e o papel desempenhado nas eleições presidenciais.
"Contribuímos ativamente até ao fim, ao contrário de outros, para a união do campo democrático e a derrota dos populismos e extremismos", afirmou, referindo-se indiretamente à ausência de um posicionamento por parte do PSD e do Governo na eleição do chefe de Estado.
"Contribuímos ativamente até ao fim, ao contrário de outros, para a união do campo democrático e a derrota dos populismos e extremismos", afirmou, referindo-se indiretamente à ausência de um posicionamento por parte do PSD e do Governo na eleição do chefe de Estado.
Defendeu que "a melhor resposta aos extremistas, populistas, demagogos, é mesmo resolver os problemas concretos das pessoas", elencando as crises na habitação, na saúde, o pacote laboral e a falta de apoios às populações da região Centro, afetadas pelo mau tempo no início do ano, ou ainda criticando a resposta do Governo à atual crise internacional.
Para fazer face a essa crise, Carneiro considerou que as medidas do Governo são "insuficientes" e "chegam tarde às pessoas". Propôs, por isso, a implementação do IVA Zero nos produtos alimentares essenciais, a redução para 13 por cento do IVA dos combustíveis e gás ou ainda a isenção do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos sobre o gasóleo destinado à agricultura.
Sobre o conflito em curso no Médio Oriente, José Luís Carneiro vincou a importância de defender "as normas do Direito Internacional".
"Somos contra quaisquer impérios de força. Somos pelo império da lei, do Direito Internacional, da paz, da segurança coletiva, do desenvolvimento e do bem-estar", apontou, deixando elogios à "coragem" do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que tem sido crítico da guerra iniciada pelos Estados Unidos.