Crise na maioria PS da Câmara de Elvas pode abrir caminho a eleições intercalares
Elvas, 17 jul (Lusa) - Os cinco vereadores da maioria socialista na Câmara de Elvas vão renunciar ao mandato, depois de o presidente do município ter retirado os pelouros a dois deles, o que pode abrir caminho a eleições intercalares.
"Já que não se conseguiu acabar com a crise e formar-se um consenso, é natural que vá tudo no caminho de eleições antecipadas", afirmou hoje à agência Lusa o antigo presidente do município e atual vereador José Rondão Almeida.
O atual presidente da Câmara de Elvas, Nuno Mocinha, retirou na terça-feira os pelouros ao vereador José Rondão Almeida e à vice-presidente da autarquia, Elsa Grilo, por considerar que "não tem a liberdade suficiente para exercer o cargo".
Rondão Almeida revelou hoje, em conferência de imprensa, que, nos últimos dias, foram feitas várias tentativas para se alcançar um consenso com o presidente do município, mas lamentou que Nuno Mocinha tenha anunciado esta manhã que "mantém a sua decisão" de retirar os pelouros aos vereadores.
"Não há consenso e não há nada a fazer, a não ser apresentarmos um requerimento, na próxima reunião de câmara, para retirarmos os poderes que demos ao presidente e, em segundo lugar, os outros vereadores vão entregar os pelouros", adiantou.
Simultaneamente, os cinco vereadores da maioria socialista vão apresentar a renúncia ao mandato, referiu José Rondão Almeida, acrescentando que já tem também em sua posse a renúncia dos sete suplentes da lista socialista.
Na eventualidade de ocorrerem eleições intercalares para a Câmara de Elvas, o histórico autarca socialista e presidente da concelhia de Elvas do partido indicou que a atual vice-presidente do município, Elsa Grilo, será a cabeça-de-lista do PS.
Em comunicado enviado à Lusa, o presidente da Câmara de Elvas confirmou que "não houve entendimento" entre as partes e que, após as conversações, concluiu "não ter havido qualquer alteração dos pressupostos" que o levaram a retirar os pelouros aos vereadores.
"A partir de agora, cada eleito assume as suas responsabilidades. Eu tenho respeito pelo regular funcionamento das instituições democráticas e um compromisso com a minha consciência, que está tranquila", escreveu Nuno Mocinha.
O autarca realçou que o seu "principal compromisso" é com a população do concelho e com "aqueles que votaram na lista" encabeçada por si.
"Esse compromisso implica coordenar uma equipa, ter conhecimento das ações dos seus elementos, trabalhar com aqueles que queiram trabalhar comigo e respeitarem o cargo que desempenho, democraticamente eleito", afirmou.
Nuno Mocinha referiu que quem quiser trabalhar ao seu lado "será sempre aceite, dentro de princípios de respeito, lealdade e cooperação" e "quem não quiser tem todo o direito de renunciar a esse trabalho".
"A lei prevê essa possibilidade, cuja responsabilidade terá sempre de ser atribuída a quem tomar a decisão de desistir", advertiu.
Nas autárquicas de 29 de setembro de 2013, o PS obteve em Elvas 69,29 por cento dos votos (seis mandatos), enquanto o CDS-PP alcançou 11,69 (um mandato), tendo sido eleito presidente, por maioria absoluta, o antigo vice-presidente da câmara, Nuno Mocinha.
Presidente da Câmara de Elvas durante mais de 20 anos, Rondão Almeida não se pôde recandidatar ao cargo nas últimas autárquicas devido à lei de limitação de mandatos, tendo liderado a lista socialista à assembleia municipal e integrado, em terceiro lugar, a candidatura ao município.
O histórico autarca optou pelo cargo de vereador, em detrimento da presidência da assembleia municipal, órgão para o qual também foi eleito.
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