Política
Presidenciais 2026
Da esquerda à direita. Seguro soma apoios para a segunda volta das Presidenciais
A dias de recomeçar oficialmente a campanha eleitoral entre os dois candidatos que disputam a segunda volta das Presidenciais, António José Seguro continua a somar apoios de figuras de diferentes espectros políticos, culturais e personalidades conhecidas do espaço mediático português.
António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista, e André Ventura, pelo Chega, foram os mais votados na primeira volta da corrida a Belém e vão disputar novamente a Presidência a 8 de fevereiro. Há já 40 anos que não havia eleições presidenciais disputadas em segunda volta em Portugal e, desde a noite de domingo, quando foram conhecidos os candidatos que a iam disputar, começaram a surgir apoios públicos ao antigo líder socialista.
André Ventura conta, para já, sobretudo com o apoio do eleitorado tradicional do Chega.
Carlos Moedas e Assunção Cristas são os mais recentes apoios anunciados. O presidente da Câmara de Lisboa assumiu ao Expresso que votará “sem entusiasmo” em António José Seguro.
Membro do PSD, Moedas justificou a decisão por considerar que este candidato “tem a capacidade de não dividir”, embora reconheça que vai ter de “respeitar a maioria social de centro-direita que existe hoje em Portugal”.
Já a ex-líder do CDS-PP defendeu, também no semanário, que “é tempo de unir a direita humanista, moderada, tolerante, democrática no único voto possível”.
"Pertenço à direita moderada, tolerante, de raiz democrata-cristã. Na primeira volta das Presidenciais fui coerente com o meu espaço político e votei em Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS-PP)", escreveu Assunção Cristas, lamentando ter ficado, "como mais de dois milhões de portugueses", sem qualquer "candidato natural", optando por ir votar "em António José Seguro", com o qual, esclareceu, não tem "qualquer relação geracional ou de amizade".
Do mesmo espaço político, o ex-ministro Pedro Mota Soares, também antigo líder do CDS-PP, anunciou apoio a António José Seguro, sublinhando que partilha com o socialista o respeito pelos limites constitucionais dos poderes de um Presidente da República.
Esquerda unida para “derrotar extrema-direita"
Os apoios a António José Seguro somam-se, sobretudo, no espectro político mais à esquerda. O Bloco de Esquerda e o Livre, que apresentaram candidatos próprios - Jorge Pinto e Catarina Martins, que anunciaram de forma independente apoio a Seguro ainda na noite eleitoral - confirmaram o apoio ao candidato socialista na segunda volta.
Após uma “consulta interna”, o Livre anunciou e confirmou a unanimidade do voto, na quinta-feira.
Também do lado BE já há confirmação. Considerando que a disputa é entre “um candidato a favor da democracia e um candidato contra a democracia”, José Manuel Pureza declarou que o partido “não hesita, obviamente”.
“Os órgãos diretivos do BE assumiram e aprovaram a posição de indicar voto para António José Seguro derrotar André Ventura e derrotar a extrema-direita nestas Eleições Presidenciais", acrescentou José Manuel Pureza.
Já o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, não deu o apoio explícito ao ex-líder socialista, até agora, mas apelou ao voto contra André Ventura.
Direita mais hesitante e “sem entusiasmo”
Luís Marques Mendes, que se desiludiu com o resultado que obteve na primeira volta, anunciou que votará em António José Seguro a 8 de fevereiro por "uma razão de coerência", considerando que "é o único candidato” que se aproxima de valores como “a defesa da democracia” ou a moderação.
“É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”, afirmou o candidato a Belém apoiado por PSD e CDS-PP na primeira volta, numa declaração ao semanário Expresso.
Mendes explicou que, na noite eleitoral de domingo, quis separar a sua posição como candidato da sua posição pessoal.
“Como candidato, entendi não dar qualquer recomendação de voto. O candidato não é dono dos votos em si depositados. Quanto ao meu voto pessoal indiciei que o referiria mais tarde. É o que faço agora”, referiu Mendes.
A Iniciativa Liberal não expressou apoio a nenhum dos candidatos, mas a presidente do partido assumiu que, apesar de ser “sem entusiasmo”, votará no candidato socialista.
"Perante esta situação e sem grande entusiasmo vou votar em António José Seguro. (…) Porque rejeito liminarmente a forma de fazer política do outro candidato [André Ventura], o populismo, o divisionismo, e a política através da mentira. Como rejeito e repudio e não me revejo nessa forma de fazer política faço a minha opção", anunciou Mariana Leitão em entrevista à SIC-Notícias.
De acordo com a dirigente, a IL "não vai apoiar nenhum candidato" na segunda volta e não fará campanha "na medida em que o seu espaço político, reformista, do centro-direita, não é representado por nenhum deles". Apesar de não apoiar nem Seguro nem Ventura, Mariana Leitão afirmou que a IL "rejeita o candidato populista, que quer destruir tudo, que explora os problemas das pessoas em vez de os tentar resolver".
"Mas também não podemos validar um candidato que quer deixar tudo na mesma", afirmou, referindo-se a António José Seguro, que disse que poderá ser "uma força de bloqueio em Belém".
Também o candidato Henrique Gouveia e Melo reservou para "mais tarde" a decisão e evitou responder se preferia António José Seguro ou André Ventura, alegando ser “prematuro para tomar uma posição”.
Nem mesmo o primeiro-ministro Luís Montenegro quis tomar uma posição, afirmando que o espaço político do PSD não estará representado na segunda volta.
"O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação e nem é suposto fazê-lo", afirmou o líder social-democrata. Figuras de outros campos políticos
Entre as várias personalidades de direita que já disseram que vão votar em Seguro na segunda volta, contam-se nomes históricos do PSD, mandatários de outras candidaturas, deputados da Iniciativa Liberal e até figuras incontornáveis do CDS-PP.
Do lado dos sociais-democratas, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte foram os primeiros a chegarem-se à frente, logo na noite de domingo. Juntaram-se também José Pacheco Pereira e José Miguel Júdice.
Também Rui Moreira, ex-autarca do Porto e antigo mandatário de Marques Mendes, está agora ao lado do candidato socialista. Assim como os liberais Mário Amorim Lopes e Carlos Guimarães Pinto.
E o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, que apoiou Henrique Gouveia e Melo na primeira volta, anunciou, em declarações à TSF, que votará Seguro na segunda volta.
No campo dos democratas-cristãos, Cecília Meireles, ex-deputada do CDS-PP, também revelou que o seu sentido de voto na segunda volta das presidenciais iria passar por Seguro. Tal como Francisco Rodrigues dos Santos, que liderou o CDS-PP entre 2020 e 2022.
Há ainda personalidades de outros setores, como a cultura, que têm manifestado apoio ao candidato indicado pelo PS. Os músicos Salvador Sobral, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo são alguns dos subscritores de uma carta aberta “pela defesa de uma República decente” na qual apelam ao voto em António José Seguro nas presidenciais.
Até ao momento, André Ventura não colhe ainda apoios declarados publicamente de personalidades políticas fora do campo do Chega.
André Ventura conta, para já, sobretudo com o apoio do eleitorado tradicional do Chega.
Carlos Moedas e Assunção Cristas são os mais recentes apoios anunciados. O presidente da Câmara de Lisboa assumiu ao Expresso que votará “sem entusiasmo” em António José Seguro.
Membro do PSD, Moedas justificou a decisão por considerar que este candidato “tem a capacidade de não dividir”, embora reconheça que vai ter de “respeitar a maioria social de centro-direita que existe hoje em Portugal”.
Já a ex-líder do CDS-PP defendeu, também no semanário, que “é tempo de unir a direita humanista, moderada, tolerante, democrática no único voto possível”.
"Pertenço à direita moderada, tolerante, de raiz democrata-cristã. Na primeira volta das Presidenciais fui coerente com o meu espaço político e votei em Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS-PP)", escreveu Assunção Cristas, lamentando ter ficado, "como mais de dois milhões de portugueses", sem qualquer "candidato natural", optando por ir votar "em António José Seguro", com o qual, esclareceu, não tem "qualquer relação geracional ou de amizade".
Do mesmo espaço político, o ex-ministro Pedro Mota Soares, também antigo líder do CDS-PP, anunciou apoio a António José Seguro, sublinhando que partilha com o socialista o respeito pelos limites constitucionais dos poderes de um Presidente da República.
Esquerda unida para “derrotar extrema-direita"
Os apoios a António José Seguro somam-se, sobretudo, no espectro político mais à esquerda. O Bloco de Esquerda e o Livre, que apresentaram candidatos próprios - Jorge Pinto e Catarina Martins, que anunciaram de forma independente apoio a Seguro ainda na noite eleitoral - confirmaram o apoio ao candidato socialista na segunda volta.
Após uma “consulta interna”, o Livre anunciou e confirmou a unanimidade do voto, na quinta-feira.
Também do lado BE já há confirmação. Considerando que a disputa é entre “um candidato a favor da democracia e um candidato contra a democracia”, José Manuel Pureza declarou que o partido “não hesita, obviamente”.
“Os órgãos diretivos do BE assumiram e aprovaram a posição de indicar voto para António José Seguro derrotar André Ventura e derrotar a extrema-direita nestas Eleições Presidenciais", acrescentou José Manuel Pureza.
Já o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, não deu o apoio explícito ao ex-líder socialista, até agora, mas apelou ao voto contra André Ventura.
Direita mais hesitante e “sem entusiasmo”
Luís Marques Mendes, que se desiludiu com o resultado que obteve na primeira volta, anunciou que votará em António José Seguro a 8 de fevereiro por "uma razão de coerência", considerando que "é o único candidato” que se aproxima de valores como “a defesa da democracia” ou a moderação.
“É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”, afirmou o candidato a Belém apoiado por PSD e CDS-PP na primeira volta, numa declaração ao semanário Expresso.
Mendes explicou que, na noite eleitoral de domingo, quis separar a sua posição como candidato da sua posição pessoal.
“Como candidato, entendi não dar qualquer recomendação de voto. O candidato não é dono dos votos em si depositados. Quanto ao meu voto pessoal indiciei que o referiria mais tarde. É o que faço agora”, referiu Mendes.
A Iniciativa Liberal não expressou apoio a nenhum dos candidatos, mas a presidente do partido assumiu que, apesar de ser “sem entusiasmo”, votará no candidato socialista.
"Perante esta situação e sem grande entusiasmo vou votar em António José Seguro. (…) Porque rejeito liminarmente a forma de fazer política do outro candidato [André Ventura], o populismo, o divisionismo, e a política através da mentira. Como rejeito e repudio e não me revejo nessa forma de fazer política faço a minha opção", anunciou Mariana Leitão em entrevista à SIC-Notícias.
De acordo com a dirigente, a IL "não vai apoiar nenhum candidato" na segunda volta e não fará campanha "na medida em que o seu espaço político, reformista, do centro-direita, não é representado por nenhum deles". Apesar de não apoiar nem Seguro nem Ventura, Mariana Leitão afirmou que a IL "rejeita o candidato populista, que quer destruir tudo, que explora os problemas das pessoas em vez de os tentar resolver".
"Mas também não podemos validar um candidato que quer deixar tudo na mesma", afirmou, referindo-se a António José Seguro, que disse que poderá ser "uma força de bloqueio em Belém".
Também o candidato Henrique Gouveia e Melo reservou para "mais tarde" a decisão e evitou responder se preferia António José Seguro ou André Ventura, alegando ser “prematuro para tomar uma posição”.
Nem mesmo o primeiro-ministro Luís Montenegro quis tomar uma posição, afirmando que o espaço político do PSD não estará representado na segunda volta.
"O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação e nem é suposto fazê-lo", afirmou o líder social-democrata. Figuras de outros campos políticos
Entre as várias personalidades de direita que já disseram que vão votar em Seguro na segunda volta, contam-se nomes históricos do PSD, mandatários de outras candidaturas, deputados da Iniciativa Liberal e até figuras incontornáveis do CDS-PP.
Do lado dos sociais-democratas, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte foram os primeiros a chegarem-se à frente, logo na noite de domingo. Juntaram-se também José Pacheco Pereira e José Miguel Júdice.
Também Rui Moreira, ex-autarca do Porto e antigo mandatário de Marques Mendes, está agora ao lado do candidato socialista. Assim como os liberais Mário Amorim Lopes e Carlos Guimarães Pinto.
E o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, que apoiou Henrique Gouveia e Melo na primeira volta, anunciou, em declarações à TSF, que votará Seguro na segunda volta.
No campo dos democratas-cristãos, Cecília Meireles, ex-deputada do CDS-PP, também revelou que o seu sentido de voto na segunda volta das presidenciais iria passar por Seguro. Tal como Francisco Rodrigues dos Santos, que liderou o CDS-PP entre 2020 e 2022.
Há ainda personalidades de outros setores, como a cultura, que têm manifestado apoio ao candidato indicado pelo PS. Os músicos Salvador Sobral, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo são alguns dos subscritores de uma carta aberta “pela defesa de uma República decente” na qual apelam ao voto em António José Seguro nas presidenciais.
Até ao momento, André Ventura não colhe ainda apoios declarados publicamente de personalidades políticas fora do campo do Chega.