Política
Decisão de Cavaco Silva era previsível
A decisão do Presidente da República de manter o governo em funções era previsível, segundo a editora de Política da Antena1 Maria Flor Pedroso. A jornalista acredita que o governo poderá não chegar ao fim da legislatura se Cavaco Silva assim o entender. O comentador da Antena1 de assuntos políticos Raúl Vaz defende que há condições para que Pedro Passos Coelho complete o mandato.
Foto: Pedro Nunes/Lusa
Na opinião de Raúl Vaz, o processo que começou no início de julho não terá sido em vão, porque, independentemente de este acordo não ter sido conseguido, em breve o PS deverá ser chamado a falar com a ‘troika’, conforme ficou implícito nas reações de PSD, CDS-PP e PS.
O comentador defende mesmo que há agora “cimento na coligação”, depois de o governo ter apanhado “um grande susto, tal como o PS que se viu na eminência de meter as mãos na massa”. Raúl Vaz considera que há condições para renegociar e reajustar os compromissos internacionais, mas também para que o Orçamento do Estado para 2014 seja aprovado e entre em vigor em janeiro.
Por outro lado, Maria Flor Pedroso questiona se o falhanço do acordo a três que Cavaco Silva pediu e que não foi conseguido fez restabelecer a confiança e a credibilidade do país para manter este governo, pontos invocados pelo Presidente da República para pedir um compromisso de salvação nacional.
A Casa Civil de Belém já fez saber que ainda não há uma solução de remodelação do executivo. Cavaco Silva frisou na noite passada que há garantias reforçadas até ao final da legislatura, apesar de avisar que o governo está sob vigilância.
A jornalista argumenta que não é por acaso que o chefe de Estado afirmou que nunca abdicará dos poderes que a Constituição lhe atribui, ou seja, se assim o entender, o governo pode não chegar ao fim da legislatura.