Deputada do PS quer medidas do Governo para que central do Fundão deixe de ser um problema
A deputada socialista Joana Bento quer que o Governo promova medidas para que a Central de Biomassa do Fundão deixe de ser um problema e pede uma fiscalização contínua da estrutura que tem motivado queixas devido ao ruído e poeira.
"O Governo, através de todas as suas entidades, tem de fazer tudo para que possa haver uma coexistência entre esse projeto e a salvaguarda dos direitos da população, principalmente o direito ao descanso, que está a ser posto em causa há demasiado tempo", afirmou.
Eleita pelo círculo eleitoral de Castelo Branco, Joana Bento lembra que, apesar de ter sido construída na zona industrial, a central está a poucos metros de habitações e que os moradores têm apresentado queixas sucessivas relativas ao ruído, principalmente no período noturno, bem como à produção de poeira decorrentes da laboração ininterrupta da central.
A deputada destaca que quando a central começou a laborar (dezembro de 2019), os moradores viram as suas vidas alteradas e que, devido ao barulho, têm de lidar com a privação do sono, situação que "mexe com a vida das pessoas" e que pode ter implicações na saúde dos cidadãos.
Vincando que essas queixas são do conhecimento do Governo e que ela própria já deu conta desse problema ao ministro do Ambiente sobre o assunto, Joana Bento garante que não abandonará a matéria, até que se vá ao encontro das pretensões dos moradores.
Recentemente, a deputada questionou a secretária de Estado do Ambiente, Inês Santos Costa, que lhe deixou a garantia de que a Central de Biomassa já foi alvo de uma avaliação por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C), que confirmou o "não cumprimento dos critérios ao nível do ruído", pelo que foram instituídas ações de mitigação, com conclusão prevista para 15 de março.
Entre essas ações está, por exemplo, a colocação de placas de isolamento sonoro no local e a alteração de caixilharias nas casas dos moradores, sendo que passado o prazo deverá ser feita uma nova avaliação, fiscalização que Joana Bento exige que seja feita de forma "contínua".
"As pessoas têm o direito a descansar e a ter um ambiente sadio no espaço onde escolheram viver e construíram as suas vidas, antes de esta estrutura surgir. Por isso e atendendo ao facto de esta central estar no perímetro urbano da cidade do Fundão, pedimos que seja alvo de uma maior atenção, quer em termos de ruído, quer em termos de emissões", fundamenta.
Acrescenta igualmente que "essa monitorização tem de ser feita de forma regular e contínua" e que a fiscalização também deve abarcar a questão do material lenhoso que é usado.
Por outro lado, reivindica que, após este primeiro passo, se deve avançar para a análise da questão do destroçamento da madeira.
Para Joana Bento, deve ter-se em linha de conta a possibilidade do destroçamento poder ser feito noutro espaço, "eventualmente até na floresta", para reduzir o impacto na produção de poeira.