Deputado do PSD Bruno Vitorino critica nomeação para renováveis e pede liderança "pelo exemplo"
O deputado do PSD e ex-líder da distrital de Setúbal Bruno Vitorino criticou a nomeação de Fábio Teixeira para coordenar a Estrutura de Missão para as Energias Renováveis, defendendo que o seu partido "deve liderar pelo exemplo".
Numa publicação nas redes sociais na quinta-feira à noite, o deputado afirmou que Fábio Texeira nem sequer devia ter sido indicado para o cargo e sugeriu que tal aconteceu sem o conhecimento da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
"Não devia ter entrado, entrou. Mal, tem que sair, ponto, tem que sair já. Ainda mais se foi nomeado sem o conhecimento da ministra, das melhores ministras deste governo, que não merece ser manchada por tamanha criancice, deve sair pelo seu próprio pé e já", refere, no vídeo.
Em declarações hoje à Lusa, o deputado acrescentou que o PSD, atualmente no Governo, tem muitas nomeações a fazer e "tem que liderar pelo exemplo".
"A confiança política é importante, quando aliada à experiência e a um currículo adequado à função", sublinhou.
Na legenda da publicação, Bruno Vitorino justificou que, se critica o Chega pela "nomeação das irmãs e namoradas" ou o presidente do PS, Carlos César, "quando coloca os primos, os filhos, a irmã, o tio, os sobrinhos, a outra irmã, a cunhada, a sogra, o cão e o periquito", tem de exigir bom senso e exemplo a todos.
"Não quero saber a cor partidária, mas tem que ter currículo e competência para a área. Se não tem, não devia lá estar. Simples", referiu, nas redes sociais.
Na segunda-feira, foi publicado em Diário da República um despacho que designa Fábio José Alves Teixeira para exercer as funções de coordenador na estrutura de missão para o licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER).
O presidente da EMER defendeu à Lusa que a nomeação de Fábio Teixeira, licenciado em enfermagem, para coordenador da estrutura cumpriu os critérios legais e técnicos, sublinhando a sua experiência em gestão de projetos e procedimentos.
Manuel Nina afirmou que esta nomeação respeitou o enquadramento previsto para a estrutura criada em março de 2024, pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 50/2024, que prevê a designação de um presidente, apoiado por três coordenadores.
Segundo a nota curricular associada ao despacho, Fábio José Alves Teixeira é licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto desde 2018, tendo posteriormente concluído uma pós-graduação em Gestão de Projetos pela Porto Business School e obtido certificações profissionais em gestão de projetos (PMP) e metodologias ágeis (CSPO).
O percurso profissional inclui funções como gestor de projetos em consultoria tecnológica, envolvendo projetos de desenvolvimento e implementação de `software`.
Além disso, inclui cargos em gabinetes governamentais, onde exerceu funções de assessoria técnica e acompanhamento de projetos, nomeadamente no gabinete da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, não constando na nota curricular referências a experiência profissional ou formação nas áreas do ambiente, sustentabilidade ou energias renováveis.
Questionado pela Lusa, o Ministério do Ambiente e Energia indicou que o presidente da EMER iniciou funções em janeiro de 2026 e que a gestão interna da estrutura, incluindo o reforço de equipas, é da sua exclusiva responsabilidade.
"Compete única e exclusivamente a Manuel Nina fazer a gestão interna da EMER para cumprir com sucesso a missão que lhe foi atribuída. Questões como o reforço de equipa são matéria de organização interna e da sua responsabilidade", esclareceu fonte oficial do gabinete de Maria da Graça Carvalho.
Como a ministra do Ambiente e Energia confirmou recentemente, em audição regimental a 27 de janeiro, a estrutura será extinta no final do ano, após a conclusão das tarefas em curso.