Direita parlamentar adia uma resposta sobre o PEC
A Oposição de direita já foi recebida em São Bento pelo primeiro-ministro na ronda de apresentação do PEC, com o PSD a fazer depender a aprovação de uma leitura completa do documento, posição semelhante à do CDS-PP, que remete a sua resposta após a uma "avaliação rigorosa, precisa e exacta" do programa que traça o rumo do país para os próximos quatro anos.
À saída da audiência com o primeiro-ministro, à qual compareceu com António Borges e Marques Guedes, a líder social-democrata escusou-se a dar uma resposta às propostas do Governo, remetendo a revelação do sentido de voto social-democrata ao PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) após estar em posse do "conteúdo do programa", uma vez que até ao momento apenas dispõe de um resumo do documento.
Sublinhando a importância de conhecer "todos os encargos para o país depois de 2013", Manuela Ferreira Leite rejeitou que esteja na calha a nega laranja, defendendo que "não é inédita" uma resolução de apoio ao PEC.
Por outro lado, a líder do PSD sublinhou que a posição do partido aquando da votação do Orçamento de Estado não irá constituir qualquer condicionamento neste momento: "Tenho muito pouca tendência para ser condicionada. Não se trata de comprometimentos. Nós sempre considerámos que o orçamento em si não tinha qualquer espécie de significado de médio prazo se não víssemos de que forma se integrava num PEC".
Comentando o adiamento por dois anos do TGV entre Lisboa e Porto e Porto e Vigo, Ferreira Leite respondeu que se trata de uma medida que está em linha com as críticas apontadas pelo PSD ao projecto: "Nunca poderia deixar de dar razão quando o país está totalmente endividado e é difícil pensarmos em encargos adicionais para além do endividamento que já temos. Quando não há dinheiro, esse motivo sobrepõe-se a qualquer outra decisão, por mais racional que ela seja".
Portas quer sinais de que o país não será uma segunda Grécia
O líder do CDS-PP estimou que só no final da semana, após uma "avaliação rigorosa, precisa e exacta", o partido esteja a preparado para tomar uma decisão relativamente ao PEC, no qual os democratas-cristãos esperam rever "ambição" relativamente a "outro crescimento económico".
"O CDS vai fazer uma avaliação rigorosa, precisa e exacta do documento que hoje recebeu e estaremos em condições para fazer uma avaliação pública e política deste documento no final desta semana. Nós gostamos de trabalhar com profundidade e com rigor e com exactidão. Não nos peçam comentários a um texto que acabámos de receber", afirmou Paulo Portas.
Assinalando que após colocar um "conjunto vasto de perguntas", o partido não ouviu do Governo "todas as respostas que desejávamos", Portas explicou aos jornalistas ter comunicado à equipa chefiada por Sócrates o que considera ser a "pedra de toque nuclear" da avaliação democrata-cristã ao documento.
"A pedra de toque nuclear do CDS na avaliação deste documento tem a ver com a ambição de termos outro crescimento económico maior e gerador de emprego, que confie não na despesa do Estado, mas na criação de emprego e na criação de riqueza, sobretudo pelas PME, que são o centro da nossa economia", especificou Paulo Portas ao lamentar que o país "viva com um modelo de crescimento económico muito escasso e que não gera emprego" e apresentando um "sério problema de endividamento e um défice alto demais".
Sem esquecer a "crise internacional", Portas acrescentou que a prioridade máxima do CDS-PP "tem a ver com o crescimento económico. Ou a economia portuguesa cresce mais e mais depressa ou não deixaremos de empobrecer e não conseguiremos criar emprego", sendo que o pais "tem de dar sinais suficientes e credíveis" para que não se transforme "um dia numa segunda Grécia".