Diretor do Diário Económico afirma que Sócrates se apresentou como opositor da oposição, de Cavaco e do governo

O comentador de assuntos económicos da Antena1 António Costa considera que o antigo primeiro-ministro José Sócrates “encontra no estado atual do país o terreno fértil para reescrever a narrativa”.

Sandra Henriques /

Foto: Miguel A Lopes/Lusa

António Costa observa que José Sócrates “tentou reescrever a narrativa financeira e enquadrou a história política à data disso” na entrevista que deu à RTP na noite passada.

A relação de José Sócrates com o Presidente da República, Cavaco Silva, foi uma das notas marcantes, explicando por que razões o então chefe do executivo não comunicou o PEC 4 ao chefe de Estado.

“A entrevista não é surpreendente”, defende António Costa, acrescentando que quem esperava um pedido de desculpas de José Sócrates pôde confirmar que o ex-primeiro-ministro continua igual a si próprio e recusa pedir perdão.

O diretor do Diário Económico advoga que nesta entrevista José Sócrates apresentou-se como um líder da oposição à oposição de António José Seguro e um líder da oposição ao Presidente da República, e mostrou que não vai poupar o atual governo. O PS vai ter “uma dupla liderança”, com Seguro como o líder formal e com Sócrates na televisão. O antigo primeiro-ministro só poupou o atual líder do seu partido “com algum paternalismo”.

Em declarações ao jornalista da Antena1 Nuno Rodrigues, António Costa assegura que a entrevista pecou por ser demasiado concentrada no passado e pouco no presente e futuro. Sócrates pecou por não apresentar qualquer alternativa à austeridade.

Em relação ainda ao passado, ao contrário do que José Sócrates afirmou, António Costa diz que o sucesso do PEC4 em si mesmo não dependia do Banco Central Europeu, mas “da capacidade política do governo de o executar”.

O PEC4 surge três meses depois do PEC3 e percebia-se na altura a incapacidade do ministro das Finanças de controlar as contas públicas e do primeiro-ministro de recuar na política orçamental de 2009, o que iria acabar sempre por ditar o recurso à ‘troika’.

António Costa sublinha que não foram os mercados financeiros a provocar a dívida, mas sim a execução orçamental e os défices acumulados – devido à conjuntura externa em 2009, e aos erros de política interna em 2010 e 2011.
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