Diretor não vê imagem da PJ "manchada" e Governo propõe-se "credibilizar instituições"

Diretor não vê imagem da PJ "manchada" e Governo propõe-se "credibilizar instituições"

Carlos Cabreiro pede serenidade interna e externa face às investigações. Rita Júdice afirma que se trata de "defender instituições" e Luís Montenegro sublinha que "seria estranho se não houvesse fiscalização".

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Rui Alves Cardoso - RTP

O diretor nacional da Polícia Judiciária falou esta segunda-feira, pela primeira vez, sobre as investigações que envolvem o antigo dirigente da PJ e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Carlos Cabreiro diz que a imagem da PJ não sai manchada porque "é uma instituição com provas dadas, com 81 anos de história e com cerca de cinco mil trabalhadores, que, apesar de tudo e das notícias que são dadas diariamente, continuam a trabalhar".
O diretor da PJ aproveitou ainda para apelar à serenidade interna e externa da instituição e diz que só a investigação vai permitir apurar se houve ou não imprudências.

Já a ministra da Justiça, em reação à auditoria feita à Polícia Judiciária, disse que a ação pautou-se por um único objetivo: "proteger a PJ e defender as instituições".
Rita Alarcão Júdice fez questão de esclarecer que não houve qualquer interferência do Ministério da Justiça nas investigações.

"Não está em causa a investigação de um ministro por um ministro, o que está em causa é uma auditoria administrativa a uma determinada matéria"
, salientou.

Confrontada pelos jornalistas sobre a auditoria, a ministra fez questão de salientar que não tem "estados de alma" e reiterou que a "única preocupação que é proteger a justiça e a Polícia Judiciária".

Já sobre prazos de conclusão da investigação, a ministra disse que não ia "impor prazos irrealistas" e aguarda que "os esclarecimentos possam ser feitos o mais rápido possível".

Em Fafe, no decorrer da inauguração de uma Loja do Cidadão, Luís Montenegro também fez questão de dizer que, quando há dúvidas, estas "devem ser esclarecidas". Só assim se pode "credibilizar as instituições e a vida do país", acrescentou o primeiro-ministro.
"Seria estranho se não houvesse fiscalização ou auditorias cujo objetivo é clarificar desconformidades, se for o caso, ou então comprovar a regularidade de decisões que foram tomadas ao longo dos anos", disse Montenegro.

Recorde-se que o Ministério da Justiça ordenou que fosse feita uma "avaliação interna" e uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) à PJ, após as notícias relacionadas com a atuação de Luís Neves, antigo diretor da PJ e atual ministro da Administração Interna.

Em causa estão, nomeadamente, uma obra numa propriedade de Luís Neves no Alentejo, realizada por uma empresa que tinha sido contratada pela PJ, e pela descoberta, na mesma Construbarcelos, de um atrelado que tinha sido apreendido no âmbito de uma operação contra o tráfico de droga.

De acordo com a Lusa, uma fonte da Polícia Judiciária, a auditoria centrar-se-á em contratos e obras públicas realizados entre 01 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026. Trata-se de um período que abrange o final do mandato do antigo diretor nacional Almeida Rodrigues, toda a gestão de Luís Neves e os primeiros meses do mandato do atual diretor, Carlos Cabreiro.
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