É preciso verificar "se sacrifícios ultrapassam limites"

Castelo de Vide, Portalegre, 31 ago (Lusa) -- A ex-ministra da Saúde Leonor Beleza diz que estão a ser pedidos "sacrifícios grandes aos portugueses", que é preciso "verificar em todo o momento" se são ultrapassados "os limites", mas ressalva que o Governo tem essa "sensibilidade social".

Lusa /

"Estão a ser exigidos sacríficos grandes ao meus concidadãos e, portanto, obviamente, vivo preocupada com isso e com o que são os limites que podem ocorrer numa situação tão difícil como esta", disse Leonor Beleza aos jornalistas, na quinta-feira à noite, à margem da Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide, Portalegre.

A presidente da Fundação Champalimaud, que é também conselheira de Estado, acrescentou que, porém, tem a certeza de que os governantes do país "têm a consciência aguda de verificar em todo o momento se os limites estão ou não estão a ser atingidos e se a repartição de sacrifícios por todos é razoável".

"Tem de estar presente na cabeça de todos", sublinhou.

"Apercebo-me de que há uma forte sensibilidade social daqueles que tomam decisões e uma forte vigilância coletiva sobre como é que as coisas ocorrem. E essa vigilância tem de ser de nós todos", acrescentou.

Mas, destacou a ex-deputada e ex-dirigente do PSD, é também "vital" que Portugal demonstre a sua "capacidade de voltar a uma situação normal do ponto vista da angariação dos recursos de que precisa para subsistir".

"E sei que o nível para além daquilo que é costume, do ponto de vista da angariação de recursos, tem de existir neste momento e, portanto, percebo que são sacrifícios e que são sacrifícios duros e que em todo o momento é preciso olhar para verificar se estamos ou não estamos nos limites e se eles são ou não repartidos com equidade", insistiu.

Questionada sobre a quinta avaliação da `troika` da ajuda externa, que está em curso, Leonor Beleza disse não conhecer "segredos", mas sublinhou que "a razoabilidade do esforço que está a ser feito pelos portugueses está a ser reconhecida" internacionalmente e que o país "precisa como de pão para a boca, literalmente, que isso aconteça".

"Temos de ter muito cuidado no equilíbrio entre a perceção externa daquilo que estamos a fazer e a medida exata do que fazemos. Este equilíbrio é muito complicado e no momento como este é particularmente importante. Não podemos olhar para a `troika` como umas criaturas que não têm nada a fazer e vêm de fora para nos impor coisas. Eles representam os nossos credores e, portanto, precisamos que eles reconheçam que estamos a fazer o nosso papel e que merecemos que nos olhem nessa exata situação, que os portugueses estão a fazer um esforço enorme", acrescentou.

"Temos alguma razão para ter expectativas em relação a que eles nos olham como um país responsável, que sabe bem aquilo que tem de fazer, como um povo admirável que tem aguentado coisas extremamente difíceis, com inacreditáveis sacríficos pessoais muitas vezes", insistiu.

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