Eliminação taxa intermédia IVA seria grande machadada no setor do vinho, afirma a CAP
Porto, 20 set (Lusa) -- O presidente da CAP disse hoje que setor do vinho seria o mais afetado da produção agrícola pela possível eliminação da taxa intermédia do IVA e sentiria uma "grande machadada" caso tal viesse a acontecer.
"Achamos que é uma má medida, não só para os consumidores e produtores portugueses, como também para o Governo, porque baixando drasticamente o consumo em vez de se arrecadar mais receita em IVA, vai-se arrecadar menos", afirmou o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, à Agência Lusa.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que a eliminação da taxa intermédia do IVA "é uma possibilidade", mas afastou um cenário de aumento da taxa normal deste imposto.
O dirigente da CAP lembrou, ainda, que "Portugal é dos poucos países europeus que tem uma taxa intermédia, uma vez acabando com ela nunca mais a pode criar".
Acrescentou que já fez "sentir ao Governo que seria uma grande machadada no setor do vinho, que é um setor que é forte e exporta mais de 600 milhões de euros por ano".
Os produtores de vinho, que são mais de 200 mil segundo João Machado, vão ressentir-se de uma tal decisão, contribuindo para agravar a situação do País, pelo que "o Estado tem que ter muito cuidado quando mexe nas taxas ao consumo numa altura em que a economia já está com tantas debilidades".
Em entrevista à RTP1, o primeiro-ministro reiterou que o Governo vai fazer "uma reclassificação de bens e de serviços, de produtos que hoje estão taxados ou à taxa intermédia ou à taxa reduzida" do IVA.
Questionado se a taxa intermédia do IVA, atualmente de 13 por cento, vai manter-se, Passos Coelho respondeu: "Não posso garantir isso". O primeiro-ministro acrescentou que a eliminação dessa taxa "é uma possibilidade", mas "não é uma decisão que já esteja tomada".