Ensino superior. Problemas no acesso e na oferta

Ensino superior. Problemas no acesso e na oferta

Quase meio milhão de pessoas inscreveu-se no ensino superior em 2024/2025. O número representa um aumento de 30 por cento do número de inscritos na última década. A PORDATA explica esta subida com o facto de haver mais estudantes em licenciaturas e mestrados. A juntar a isto, também se verificou um aumento de 5.844 alunos em cursos técnico superior profissional (CTeSP) e 4.753 em doutoramentos.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Anthony Da Cruz - Unsplash

O aumento de estudantes estrangeiros no ensino superior tem sido estável e regista um crescimento de “mais 4 mil alunos ao ano, em média”, verifica a base de dados estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos (PORDATA). “Nos últimos 15 anos, o número de estudantes estrangeiros quadruplicou, passando de 20 mil para 80 mil alunos, no ano letivo de 2024/2025.”
Os cinco países com mais alunos inscritos no ensino superior português, em 2024/25, são Brasil, Angola, Guiné-Bissau, França e Itália.

Quanto aos cursos com a média mais elevada, em 2024/2025 no concurso nacional de acesso, os três que lideram são da Universidade do Porto.

Engenharia Aeroespacial da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto liderou a tabela com 19,5 valores. 

Também da mesma faculdade, surge em segundo lugar Engenharia e Gestão Industrial (19) e Medicina (18,8), da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

No entanto, se há mais alunos inscritos no ensino superior, a Pordata alerta para a taxa de abandono.

Apenas um ano após o ingresso nos cursos do Concurso Nacional de Acesso, o abandono (sem ser para mudar de curso ou instituição) “atingiu os 30% das entradas em 2022/2023 ou 2023/2024”.
Tendo sido verificado que é maior a tendência para abandonar cursos com nota média de entrada mais baixa.
No que diz respeito à conclusão dos cursos, “mais de metade dos alunos de licenciatura (51%) e mestrado integrado (55%) concluem os cursos no tempo esperado”, tanto no público como no ensino superior privado.
Números da oferta
No que diz respeito à oferta, “os 81 cursos oferecidos tanto pelo setor público como pelo privado têm um peso particularmente relevante, uma vez que abrangem mais de metade das ofertas”, assinala a PORDATA.

Já os cursos de oferta exclusiva do ensino público são 428. Por exemplo, Ciências Sociais, Engenharia Eletrotécnica e Línguas, Literaturas e Culturas. Todos tiveram “mais de mil novas entradas no biénio 2023/24-2024/25”.
No que diz respeito aos cursos exclusivamente oferecidos por instituições privadas, contabilizam-se 116

Entre eles surgem Cinema e Arte dos Media, Gestão Aeronáutica e Gestão Comercial e de Retalho. “Todos com mais de 60 novos ingressos no biénio 2023/24-2024/25.”
A PORDATA destaca ainda novas áreas de estudo que têm acolhido cada vez mais interessados. “O número de novos inscritos em áreas STEM (acrónimo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) tem vindo a crescer em número e em proporção.” Na comparação a 10 anos, estas áreas registaram um aumento de quase mais 10 mil alunos inscritos (uma subida de 57 por cento).
Menos expressivo é o número de novos diplomados nestas áreas. Em 2024/2025 o aumento foi de 30 por cento face a 2014/15.

A PORDATA é a base de Dados de Portugal Contemporâneo, organizada e desenvolvida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
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