“Esta geração de políticos europeus não sabe dizer não”

Mário Soares voltou a criticar a política neoliberal seguida pelo executivo de Pedro Passos Coelho, que considerou ser “ um autêntico disparate”. Numa entrevista hoje publicada pelo diário espanhol El Pais, o homem que foi presidente, primeiro-ministro e líder do Partido Socialista também não poupa críticas à atual geração de políticos europeus, que considerou “não terem “coragem” para fazer o que é preciso.

RTP /
Mário Soares considerou na entrevista ao El Pais que a politica neo-liberal pura qu está a ser seguida pelo governo português é "um autentico disparate" Paulo Novais, Lusa

Aos 87 anos, o líder histórico dos socialistas referiu-se, na entrevista ao El Pais, à situação portuguesa em concreto,  considerando que “o atual governo têm uma política neoliberal pura” o que, segundo ele, constitui “um autentico disparate”, já que, “a austeridade, por si só, não vai resolver o problema”.

Soares considera que, ao seguir à risca as recomendações da Troika , o governo português está a querer fazer o papel “de bom aluno, de aluno obediente” mas considera “que não é esse o caminho” que deve ser seguido.

O jornalista espanhol pergunta a Soares se fazem falta “políticos que desobedeçam”, ao que o antigo Presidente responde que “ a geração atual de políticos europeus, infelizmente, não sabe dizer não”.

"Políticos não têm coragem" O fundador do PS considera que na última cimeira europeia, em que era necessário salvar o euro, não foram dados passos em frente, porque os responsáveis europeus “não têm coragem para tomar as decisões necessárias.

Para Mário Soares, teria sido preciso dotar a Europa com um governo próprio, económico, financeiro e fiscal: Segundo afirma, a UE deve ser “ um exemplo de paz, de coexistência e de solidariedade entre os povos”.

Criticas a Angela Merkel Soares volta a colocar sobre Ângela Merkel grande parte da culpa pela situação atual, ao afirmar que “ se ela tivesse ajudado a Grécia a tempo não estaríamos como estamos”.

A chanceler alemã também merece críticas do entrevistado pela forma como se tem referido aos gregos: “A Grécia não é um país qualquer” diz Soares, é o berço da democracia e Merkel devia ter mais senso comum e não falar dos gregos como se fossem uns preguiçosos”.

"Apesar de tudo tenho esperança"
O El Pais quis saber como é que o antigo presidente português vê o desfecho deste processo. Mário Soares responde que a resposta a isso não pertence ao domínio da análise política mas sim ao da profecia mas diz que, apesar de tudo, continua a ter esperança.

“A Europa tem estado a caminhar na direção do abismo, mas quando estiver prestes a cair vai dar-se conta de que precipitar-se no vazio será uma tragédia para todo o mundo. Então, recuará e transformar-se-á” antevê Soares.
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