Ex-assessora da IL diz ter feito denúncia interna em 2023. Partido nega e rejeita "campanha suja"

A ex-assessora do grupo parlamentar da IL explicou que a publicação no Instagram sobre alegado assédio sexual visando Cotrim de Figueiredo foi difundida sem o seu consentimento, acrescentando que "a veracidade dos factos" será apurada em tribunal.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Estela Silva - Lusa

Inês Bichão, ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal, avançou esta quinta-feira que a publicação sobre alegado assédio sexual visando João Cotrim de Figueiredo "foi ilicitamente difundido" sem o seu consentimento e adiantou que "os factos em causa foram reportados em sede interna" em 2023. A IL veio já negar a existência dessa denúncia e o candidato presidencial reiterou que não teve qualquer conhecimento da matéria.

O "conteúdo de natureza privada, originalmente partilhado em contexto restrito e não público", foi "foi ilicitamente difundido" na rede social Instagram na segunda-feira, refere um comunicado enviado por Inês Bichão à agência Lusa.

"Essa divulgação está a ser instrumentalizada em contexto de campanha eleitoral, contra a minha vontade, no âmbito da qual não tive nem tenho qualquer intervenção. Os factos em causa foram reportados em sede interna no decurso de 2023", sublinha a advogada e consultora jurídica.
Jornal da Tarde | 15 de janeiro de 2026

A antiga assessora do grupo parlamentar da IL acrescenta que "a divulgação indevida de conteúdos privados, a exposição não consentida" do seu nome e da sua imagem, "bem como as ameaças e tentativas de intimidação" de que tem sido alvo, "configuram ilícitos juridicamente relevantes".

"Não pretendo alimentar esta polémica, mas não deixarei de exercer os meus direitos em sede própria, na qual a veracidade dos factos será apreciada nos quadros e com as garantias que o Estado de Direito assegura", conclui Inês Bichão.

O candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo garantiu, no início da semana, que é "absolutamente e completamente falsa" a denúncia de assédio sexual, razão pela qual vai avançar com uma queixa-crime.IL nega existência de queixa interna e Cotrim volta a negar acusações
A Iniciativa Liberal veio já afirmar que “é completamente falso que tenha havido qualquer queixa interna ou reporte, formal ou informal, sobre o candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo”.

O partido “rejeita visceralmente uma campanha suja que lança acusações muito graves sem qualquer evidência ou prova”.

Em declarações aos jornalistas esta manhã, João Cotrim de Figueiredo voltou a negar que os factos tenham ocorrido. “Continuo a negar. Não tive qualquer conhecimento da matéria”, assegurou.

O facto de ter sido difundido com ou sem o consentimento [de Inês Bichão] a mim diz-me pouco. O dano está causado e, portanto, as responsabilidades têm de ser apuradas”, acrescentou o liberal.

Cotrim adiantou aos jornalistas que “provavelmente” irá contactar a atual líder da IL, Mariana Leitão, para lhe perguntar se alguém no partido está a par da situação que diz não lhe ter sido comunicada.

“Eu só posso interpretar que não era visado [na acusação de assédio], senão ter-me-iam dito. Conheço bem a Mariana Leitão, é uma pessoa íntegra”.

Questionado sobre se a ex-assessora alguma vez transmitiu a Cotrim desconforto com alguma abordagem sua, o candidato assegurou que não. “Não, e volto a dizer que todos os factos serão apurados em tribunal”.

“Quero-me concentrar na campanha, que é muito mais importante para mim. Uma campanha onde as pessoas vão ter de escolher nos próximos dois dias que tipo de segunda volta é que querem ter”, afirmou.

Cotrim considerou ainda que “provavelmente o propósito de quem pôs isto a circular” é distrair da sua campanha.

c/ Lusa
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