Ex-líder do PSD-Lisboa critica unicidade no partido que parece "cada vez mais PCP e menos PPC"
O antigo líder do PSD-Lisboa Paulo Ribeiro criticou no Conselho Nacional o clima de "unicidade no partido", que considerou parecer "cada vez mais PCP e cada vez menos PPC", numa referência ao ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
Segundo relatos feitos à Lusa da reunião dos sociais-democratas que decorreu à porta fechada, Paulo Ribeiro foi o único a referir explicitamente o nome de Passos Coelho, depois do anúncio do líder do PSD, Luís Montenegro, de realização de eleições diretas já em maio e do desafio implícito ao antigo presidente do partido para se candidatar se defende um caminho diferente.
Na reunião, onde intervieram cerca de duas dezenas de conselheiros, apenas se manifestaram duas vozes críticas à estratégia da direção: do antigo líder da concelhia de Lisboa Paulo Ribeiro e do conselheiro nacional e antigo deputado André Pardal.
Paulo Ribeiro acusou Montenegro de ser incoerente por ter dito querer ser direto, mas nunca ter referido explicitamente o nome de Passos Coelho, e por advogar a estabilidade, mas provocar instabilidade interna, com as eleições já em maio (há dois anos realizaram-se em setembro, mas há quatro tinham sido em maio).
O antigo líder do PSD-Lisboa lamentou ainda que no partido "impere a unicidade", considerando que o clima faz lembrar o PCP, e cada vez menos o tempo de "PPC" (Pedro Passos Coelho).
Já André Pardal lamentou que o líder do PSD não se tenha referido diretamente à derrota nas presidenciais, criticando o "erro político" de o partido ter apoiado Luís Marques Mendes, que "em vez de unir o PSD o dividiu em quatro ou cinco candidaturas".
O conselheiro nacional foi apoiante da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, que ficou em quarto, à frente da de Marques Mendes e nenhum passou à segunda volta.
Na reunião, além de Luís Montenegro, também o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, fez um discurso contra a instabilidade interna.
Depois de várias intervenções críticas para o Governo de Pedro Passos Coelho nas últimas duas semanas, Luís Montenegro anunciou no Conselho Nacional que pretende a realização de eleições diretas no partido já em maio e desafiou quem propõe um caminho diferente a apresentar-se a votos, numa referência implícita ao ex-primeiro-ministro.
"Gosto de ser claro e direto: se houver um caminho alternativo e diferente que seja apresentado e que seja objeto da apreciação do partido, dos seus órgãos e dos militantes. Estamos aqui para transformar Portugal, para ouvir aqueles que nos querem ajudar, mas para não perder a oportunidade, a honra e o privilégio que alcançámos nas urnas com a confiança dos portugueses", disse.
Montenegro defendeu que o partido "não pode ter dúvidas" sobre o "caminho reformista" do atual Governo, ainda que aceite todos os "incentivos à mudança", uma das expressões utilizadas precisamente pelo antigo líder do PSD Passos Coelho.
Montenegro disse até admitir que os adversários, sejam eles "partidos políticos ou alguns intervenientes na cena mediática", possam "desvalorizar ou diminuir o impacto, o alcance e até a profundidade" do que o Governo PSD/CDS-PP está a fazer.
"Será mais estranho, será mesmo um equívoco gigante, que sejamos nós a ter dúvidas sobre isto", disse.
O calendário eleitoral terá de ser aprovado numa nova reunião do órgão máximo entre Congressos, uma vez que não estava na ordem de trabalhos.
Nas últimas semanas, multiplicaram-se as intervenções de Pedro Passos Coelho no espaço público, várias em tom crítico para o Governo, em que o tema comum foi a necessidade de o país fazer reformas.
O ex-líder do PSD também não excluiu um regresso à vida partidária, mas avisou que, se tal acontecer, "não será pelas melhores razões".
"Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar", afirmou também, em entrevista ao ECO.
Pedro Passos Coelho tem prevista uma nova intervenção na sexta-feira na Universidade do Porto com o tema "Instabilidade e Volatilidade Política".