Política
Ex-ministra da Habitação do PS diz que "MAI mostrou inaptidão enorme para o cargo"
Com o primeiro-ministro a assumir transitoriamente a pasta da Administração Interna - na sequência da saída de Maria Lúcia Amaral, que alegou não ter as "condições pessoais e políticas" para exercer o cargo -, a ex-ministra Marina Gonçalves critica o momento escolhido para o pedido de demissão, mas também a forma como a governante liderou o Ministério.
Marina Gonçalves rejeita, no entanto, fazer "discursos alarmistas" sobre a ação do Governo: "Não acredito que ponha em causa nada, mas acho que condiciona a ação do Governo, porque, obviamente, tem de se reorganizar", acrescentou a ex-ministra, que entende ainda que a avaliação feita por Maria Lúcia Amaral é "coerente", mas no momento errado: "Não era o momento para tirar este tipo de consequência política, devíamos estar todos a priorizar a resposta às populações".
A socialista refere ainda que é Luís Montenegro que responde por todas as áreas da governação, incluindo a Administração Interna, e que o primeiro-ministro deve ser o primeiro responsável pela atuação da ex-ministra Maria Lúcia Amaral: "Não sabemos o motivo concreto pelo qual ainda não foi apresentado um novo ministro da Administração Interna. O primeiro-ministro responde por todas as pastas desde o dia em que assumiu funções. [Liderar a pasta temporariamente] Não responsabiliza mais do que aquilo pelo qual já era responsabilizado".
Rita Matias acusa MAI de "abandonar o barco"
Na Antena 1, no programa Entre Políticos, também Rita Matias, deputada do Chega, discordou do momento escolhido por Maria Lúcia Amaral para deixar o cargo e "lamenta" que a decisão de "abandonar o barco" tenha sido tomada num período de "maior conturbação" e de "maior calamidade".
"Não sei quais são as circunstâncias pessoais que alega, portanto, não quero ser injusta na minha avaliação, no entanto, quando assumimos determinados papéis e responsabilidades, sabemos que temos de ter um espírito de sacrifício e de abnegação para lá daquilo que muitas das vezes é exigido ao comum mortal. Um ministro não é um comum mortal, tem responsabilidades acrescidas", disse.
No mesmo sentido, a deputada recorda que o Chega pediu "várias vezes" a demissão da ministra da Administração Interna, defendendo que a MAI e a ministra da Saúde têm servido de "para-raios" do Governo e do primeiro-ministro.
"Permitiam que as críticas não recaíssem sobre Luís Montenegro e outros ministros, no entanto, neste momento não poderíamos ter uma ministra a abandonar o barco desta forma. Já se discutem novos perfis. Sinceramente espero que não passe por nenhum dos candidatos presidenciais. E aqui incluo André Ventura", vincou.
Para Rita Matias, a saída de Maria Lúcia Amaral, que considera ter um "currículo invejável", deveria ter acontecido após o momento mais delicado que está a ser vivido no país e não durante a reação mais imediata às intempéries e com vários ministros no terreno.
"Eu esperava que [a MAI ficasse no cargo] pelo menos até ao fim desta situação. Bem sei que agora não é o momento político de tirarmos todas as consequências e todas as ilações daquilo que está a acontecer, neste momento ainda há muita coisa que precisa de ser feita, no entanto, é evidente que muitas das respostas falharam e que tardaram. Chegaria o momento de fazer a avaliação", insistiu.
PSD defende "ética republicana"
Para Nuno Gonçalves, deputado do PSD, a demissão de Maria Lúcia Amaral deveu-se, sobretudo, a um sentido de ética por parte de uma governante que, aquando na entrada no Governo, foi "elogiada por todos", da esquerda à direita.
"Penso que foram a dignidade e a ética republicana que presidiram a esta solução, ao contrário de outros, que estiveram durante muito tempo sem ter condições para exercerem os cargos. A senhora ministra esteve no início desta crise e esteve na coordenação dos trabalhos da crise, portanto, a grande diferença é que não vestiu o colete para abraços fraternais que, sendo necessários, obviamente, não limitam ou retiram os efeitos da crise", afirmou.
Na Antena 1, o deputado e ex-autarca defendeu ainda que o Executivo da AD tomou "medidas rápidas" para que a ajuda chegasse de imediato às pessoas para "não acontecer o que aconteceu" com os incêndios: "Ainda há pessoas que não receberam aquilo que lhes é devido. Neste caso, as pessoas estão já a sentir no seu bolso aquilo que é mais importante e que é reconstruir as suas vidas". O Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.