Explicações do MAI. Paula Teixeira da Cruz critica "narrativa do herói" e aponta "desprestígio"

Explicações do MAI. Paula Teixeira da Cruz critica "narrativa do herói" e aponta "desprestígio"

Um "desprestígio" para todos: é desta forma que a ex-ministra da Justiça avalia as explicações dadas na última quarta-feira pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves. Após as informações que deu, Paula Teixeira da Cruz fala de um país de "jeitinhos".

Gonçalo Costa Martins, Guilherme de Sousa - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa

Para a antiga responsável pela pasta da Justiça, existe uma impunidade nos casos que envolvem Luís Neves, ministro da Administração Interna (MAI) e antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ). "Se isto fosse um país em que se entrasse por uma porta, ficaria perplexo, teria entrado num país chamado 'jeitinhos', que se rege por uma lei da impunidade e do mais forte", critica.
 

No Programa da Manhã da Antena 1, na rubrica de opinião Nem Mais, Nem Menos, Paula Teixeira da Cruz considerou que as explicações de Luís Neves se encaixaram numa "narrativa de um herói", por o ministro ter recordado o trabalho na PJ. 

Após as explicações, afirma: "Mantenho a minha perplexidade". E olhando para os casos do atrelado apreendido pela PJ e das obras realizadas por um empreiteiro num monte do Alentejo, a ex-governante aponta um "desprestígio institucional generalizado", tanto para a Judiciária como para o Ministério Público.

Paula Teixeira da Cruz já tinha sugerido à RTP Antena 1, no dia 21 de julho, que os casos do MAI estavam a pôr em causa a credibilidade das instituições: "Não podemos arrastar dúvidas para as instituições se as queremos credibilizar", afirmou na altura. 

Questionada se devia apresentar a demissão, respondeu que, "numa altura em que as instituições democráticas estão postas à prova, casos como este obviamente não ajudam, mas creio que o próprio fará essa reflexão". 
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