“Fake News”. Facebook bloqueou mais de 600 mil anúncios na União Europeia

O Facebook bloqueou mais de 600 mil anúncios “enganosos”, de acordo com um relatório divulgado esta tarde pela Comissão Europeia. Já a Google atuou contra mais de dez mil anunciantes por deturpação de informação.

RTP /
Toby Melville, Reuters

A Comissão Europeia divulgou esta terça-feira o relatório referente à atuação das empresas signatárias – Facebook, Google e Twitter – do Código de Conduta europeu contra a desinformação (“fake news”), no qual constam os dados do mês de março.

De acordo com o documento, as três plataformas “comprometeram-se a informar mensalmente sobre as suas ações até às eleições para o Parlamento Europeu”, que decorrem entre 23 a 26 de Maio de 2019, sublinhando o compromisso de evitar a desinformação nas Europeias.

No mês passado, aponta o relatório, o Facebook “melhorou a monotorização dos anúncios”, tendo bloqueado mais de 600 mil na União Europeia por incluírem “conteúdos de baixa qualidade, disruptivos, enganosos ou falsos”.

Já a Google atuou contra 10234 contas de anunciantes “por violação das políticas da empresa sobre a deturpação de factos” no principal serviço de publicidade da empresa, o Google Ads.

Contudo, é referido no documento que nem todos os anúncios estavam relacionados com campanhas de desinformação na UE, podendo tratar-se de fraude ou de outro tipo de infrações.

A Comissão Europeia valorizou ainda os esforços das plataformas para manter a transparência nas eleições. Está nesta linha a criação de uma biblioteca para anúncios políticos, tanto no Facebook, como na rede social Instagram.

Por sua vez, a Google já rotula anúncios políticos, tendo aprovado 11 mil conteúdos publicitários, só este mês, período em que rejeitou ainda outros 12 mil por falta de certificação.

Também o Twitter – plataforma signatária do Código de Conduta – passou a dispor de um processo de certificação para anúncios políticos relativos às eleições europeias. A plataforma não forneceu dados específicos sobre a sua atuação, mencionando apenas que foram detetadas 53 milhões de contas potencialmente falsas, sendo que 75 por cento foram removidas.
“Ainda há muito para ser feito”

No relatório são também indicadas outras medidas na luta contra as notícia falsas para este período de Europeias: verificação de factos pelo Facebook e formação para jornalistas por parte da Google e de equipas multidisciplinares do Twitter.

Numa declaração conjunta, o vice-presidente da Comissão Europeia para o Mercado Único Digital, Andrus Ansip, e os comissários Vera Jourová (Justiça), Julian King (Segurança) e Mariya Gabriel (Economia e Sociedades Digitais) já deixaram uma nota de satisfação em relação a estas medidas.

Ainda assim, os responsáveis declararam que “há muito para ser feito” de forma a proteger os processos democráticos nesta época de proliferação de "fake news".
Campanha contra a desinformação
O site de combate à desinformação - EU versus Disinformation -, organizado em colaboração com a Comissão Europeia, lançou na Estónia uma campanha de consciencialização sobre a interferência da Rússia nas eleições europeias.

O site aponta ao Kremlin um historial de desinformação em eleições e referendos, dando como exemplo as eleições ucranianas e o Brexit. A plataforma online relembra que foram entretanto reportadas as campanhas de desinformação do Kremlin e as tentativas de hacking russo.

O projeto EU versus Disinfo tem como objetivo garantir que as decisões tomadas pelos cidadãos da União Europeia sejam o menos manipuladas possível.

Apesar dos cuidados agora implementados, a um mês das Europeias continua a crescer a preocupação em torno das “fake news” nas redes sociais. Para reforçar a luta levada a cabo pelas entidades europeias, uma equipa de especialistas vai viajar por mais de dez países europeus durante as próximas semanas com o objetivo de informar e ajudar os cidadãos a resistir a essas manobras de manipulação.
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