Política
Fernando Nobre renuncia ao lugar de deputado
Fernando Nobre entregou há três dias a carta de renúncia ao mandato de deputado, confirmou esta segunda-feira o secretário da mesa do Parlamento. Tal como indicara na sequência do convite de Pedro Passos Coelho para encabeçar a lista do PSD por Lisboa, o fundador da Assistência Médica Internacional (AMI) deixa a bancada social-democrata depois de ter falhado a eleição para o cargo de presidente da Assembleia da República.
A carta de renúncia de Fernando Nobre chegou ao Parlamento na sexta-feira. A diligência foi já confirmada à agência Lusa pelo secretário da mesa da Assembleia da República, Duarte Pacheco. O ex-candidato a Belém encontra-se fora do país e deve regressar dentro de dez dias.“Sufoco partidário”
Foi em abril que Pedro Passos Coelho anunciou “com satisfação” que Fernando Nobre seria o cabeça de lista do PSD por Lisboa e o nome a propor para a presidência da Assembleia da República.
Na esteira da notícia, uma vaga de comentários negativos obrigaria Nobre a fechar a sua página no Facebook. O PSD venceria o escrutínio do círculo de Lisboa com 34,1 por cento dos votos, abaixo dos 36,35 por cento alcançados por Manuela Ferreira Leite em 2009.
Fernando Nobre foi terceiro nas presidenciais de janeiro, obtendo 14,4 por cento dos votos. A sua candidatura independente a Belém foi lançada em fevereiro de 2010 com o propósito declarado de pugnar “contra o sufoco partidário da vida pública” e “pelos que se desiludiram com a política”.
Formado em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde trabalhou como assistente de Anatomia e Embriologia e especialista em Cirurgia Geral e Urologia, Fernando Nobre fundou a AMI em 1984. Antes, fora já administrador dos Médicos Sem Fronteiras.
Em 2006, Nobre esteve na Comissão de Honra da candidatura de Mário Soares à Presidência da República. Três anos depois, seria mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas eleições europeias e integraria a Comissão de Honra da candidatura do social-democrata António Capucho à Câmara Municipal de Cascais, nas autárquicas.
Nobre esteve ausente das sessões parlamentares de apresentação do Programa de Governo, tendo alegado motivo de doença.
O fundador da AMI foi o primeiro nome designado pelo líder do PSD para render Jaime Gama na presidência da Assembleia da República. A 20 de junho, tornava-se o primeiro candidato àquele cargo a falhar a eleição por duas vezes consecutivas em 35 anos. Acabaria por desistir, abrindo caminho à escolha da deputada social-democrata Assunção Esteves.
Uma fonte próxima do dirigente da Assistência Médica Internacional, citada no Jornal da Tarde da RTP, adiantou que Pedro Passos Coelho convidou Fernando Nobre para ocupar o lugar de conselheiro de Estado. O convite foi recusado.
“Alguma tristeza”
Na carta que fez chegar à Assembleia da República, Nobre reconhece que é com “alguma tristeza” que abandona as funções parlamentares. Para depois manifestar a convicção de que poderá ser “mais útil” no trabalho humanitário.
“É com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao mundo na ação cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária”, escreve Fernando Nobre na carta de renúncia, cujo conteúdo foi revelado pela Lusa.
O médico deixa também palavras de elogio a Passos Coelho e à “maioria do grupo parlamentar” laranja: “Travar esta batalha ao lado do senhor doutor Pedro Passos Coelho e da grande maioria do PSD constituiu um enorme desafio que muito me orgulha e uma imensa honra”.
“O senhor doutor Pedro Passos Coelho e a maioria do grupo parlamentar do PSD tiverem sempre para comigo uma atitude de grande estímulo e apreço. Tentei retribuir dando toda a minha energia, disponibilidade e genuíno empenho”, assinala.
“Casa da Cidadania”
“Independentemente da grande honra que é ser deputado, decidi em consciência que, perante os grandes desafios sociais que teremos de enfrentar e viver no futuro próximo, serei mais útil na ação, no terreno, ajudando os portugueses mais afetados pela crise e desprotegidos a combater a miséria, a exclusão social e a injustiça, promovendo a dignidade e a esperança entre os mais pobres”, vinca Nobre na carta dirigida à presidente da Assembleia da República.
O ex-candidato presidencial opta assim por regressar a uma “atividade de mais de 30 anos de intervenção cívica, humanitária e de ajuda ao desenvolvimento em Portugal e no mundo, no quadro dos Médicos Sem Fronteiras e da Fundação AMI”. É neste domínio, “diante dos tempos duros que nos esperam de real emergência social”, que Nobre se propõe agora “servir o país na resolução dos problemas concretos de pessoas concretas”.
Fernando Nobre diz-se ainda “certo” de que “chegará um dia em que o reconhecimento da pluralidade e de modelos de representação política aclamará o Parlamento também como a Casa da Cidadania”, para lá do título de “Casa da Democracia”. O texto sublinha igualmente a crença de que o Parlamento “dará um significativo contributo para o futuro positivo de Portugal”.
“O lugar mais adequado”
Em entrevista publicada a 16 de abril pelo Expresso, Fernando Nobre indicava que renunciaria “de imediato” ao seu lugar na bancada do PSD, caso não conseguisse a eleição para a presidência da Assembleia da República. Nobre assumia ainda ao jornal que aceitara integrar as listas social-democratas com o “exclusivo e inequívoco propósito” de ser eleito para segunda figura do Estado.
No dia seguinte, entrevistado na RTP, ensaiaria uma posição mais moderada: “No caso de não ser nomeado [para o cargo de presidente do Parlamento], na altura certa ajuizarei qual é o lugar mais adequado para mim, para servir Portugal”.
Sem desmentir as palavras publicadas pelo semanário, Nobre lamentou, então, não ter conseguido aclarar que a renúncia ao cargo de deputado demonstraria um “desapego completo a qualquer cargo político de poder”. Disse ainda que “nunca quis ser deputado e presidente da Assembleia da República”: “Eu só quis ser uma coisa, Presidente da República”.
Foi em abril que Pedro Passos Coelho anunciou “com satisfação” que Fernando Nobre seria o cabeça de lista do PSD por Lisboa e o nome a propor para a presidência da Assembleia da República.
Na esteira da notícia, uma vaga de comentários negativos obrigaria Nobre a fechar a sua página no Facebook. O PSD venceria o escrutínio do círculo de Lisboa com 34,1 por cento dos votos, abaixo dos 36,35 por cento alcançados por Manuela Ferreira Leite em 2009.
Fernando Nobre foi terceiro nas presidenciais de janeiro, obtendo 14,4 por cento dos votos. A sua candidatura independente a Belém foi lançada em fevereiro de 2010 com o propósito declarado de pugnar “contra o sufoco partidário da vida pública” e “pelos que se desiludiram com a política”.
Formado em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde trabalhou como assistente de Anatomia e Embriologia e especialista em Cirurgia Geral e Urologia, Fernando Nobre fundou a AMI em 1984. Antes, fora já administrador dos Médicos Sem Fronteiras.
Em 2006, Nobre esteve na Comissão de Honra da candidatura de Mário Soares à Presidência da República. Três anos depois, seria mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas eleições europeias e integraria a Comissão de Honra da candidatura do social-democrata António Capucho à Câmara Municipal de Cascais, nas autárquicas.
Nobre esteve ausente das sessões parlamentares de apresentação do Programa de Governo, tendo alegado motivo de doença.
O fundador da AMI foi o primeiro nome designado pelo líder do PSD para render Jaime Gama na presidência da Assembleia da República. A 20 de junho, tornava-se o primeiro candidato àquele cargo a falhar a eleição por duas vezes consecutivas em 35 anos. Acabaria por desistir, abrindo caminho à escolha da deputada social-democrata Assunção Esteves.
Uma fonte próxima do dirigente da Assistência Médica Internacional, citada no Jornal da Tarde da RTP, adiantou que Pedro Passos Coelho convidou Fernando Nobre para ocupar o lugar de conselheiro de Estado. O convite foi recusado.
“Alguma tristeza”
Na carta que fez chegar à Assembleia da República, Nobre reconhece que é com “alguma tristeza” que abandona as funções parlamentares. Para depois manifestar a convicção de que poderá ser “mais útil” no trabalho humanitário.
“É com alguma tristeza que me afasto das funções de recém-eleito deputado, mas estou certo e ciente de que serei, como já referi, mais útil aos portugueses, a Portugal e ao mundo na ação cívica e humanitária que constitui a minha marca identitária”, escreve Fernando Nobre na carta de renúncia, cujo conteúdo foi revelado pela Lusa.
O médico deixa também palavras de elogio a Passos Coelho e à “maioria do grupo parlamentar” laranja: “Travar esta batalha ao lado do senhor doutor Pedro Passos Coelho e da grande maioria do PSD constituiu um enorme desafio que muito me orgulha e uma imensa honra”.
“O senhor doutor Pedro Passos Coelho e a maioria do grupo parlamentar do PSD tiverem sempre para comigo uma atitude de grande estímulo e apreço. Tentei retribuir dando toda a minha energia, disponibilidade e genuíno empenho”, assinala.
“Casa da Cidadania”
“Independentemente da grande honra que é ser deputado, decidi em consciência que, perante os grandes desafios sociais que teremos de enfrentar e viver no futuro próximo, serei mais útil na ação, no terreno, ajudando os portugueses mais afetados pela crise e desprotegidos a combater a miséria, a exclusão social e a injustiça, promovendo a dignidade e a esperança entre os mais pobres”, vinca Nobre na carta dirigida à presidente da Assembleia da República.
O ex-candidato presidencial opta assim por regressar a uma “atividade de mais de 30 anos de intervenção cívica, humanitária e de ajuda ao desenvolvimento em Portugal e no mundo, no quadro dos Médicos Sem Fronteiras e da Fundação AMI”. É neste domínio, “diante dos tempos duros que nos esperam de real emergência social”, que Nobre se propõe agora “servir o país na resolução dos problemas concretos de pessoas concretas”.
Fernando Nobre diz-se ainda “certo” de que “chegará um dia em que o reconhecimento da pluralidade e de modelos de representação política aclamará o Parlamento também como a Casa da Cidadania”, para lá do título de “Casa da Democracia”. O texto sublinha igualmente a crença de que o Parlamento “dará um significativo contributo para o futuro positivo de Portugal”.
“O lugar mais adequado”
Em entrevista publicada a 16 de abril pelo Expresso, Fernando Nobre indicava que renunciaria “de imediato” ao seu lugar na bancada do PSD, caso não conseguisse a eleição para a presidência da Assembleia da República. Nobre assumia ainda ao jornal que aceitara integrar as listas social-democratas com o “exclusivo e inequívoco propósito” de ser eleito para segunda figura do Estado.
No dia seguinte, entrevistado na RTP, ensaiaria uma posição mais moderada: “No caso de não ser nomeado [para o cargo de presidente do Parlamento], na altura certa ajuizarei qual é o lugar mais adequado para mim, para servir Portugal”.
Sem desmentir as palavras publicadas pelo semanário, Nobre lamentou, então, não ter conseguido aclarar que a renúncia ao cargo de deputado demonstraria um “desapego completo a qualquer cargo político de poder”. Disse ainda que “nunca quis ser deputado e presidente da Assembleia da República”: “Eu só quis ser uma coisa, Presidente da República”.