Ferreira Leite criticada após apontar exemplo de Jardim
As declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a Madeira como exemplo de "bom governo do PSD" e onde não existe "asfixia democrática" mereceram crítica firme de PS, BE e PND. Os socialistas enumeraram seis exemplos de falta de democracia no arquipélago e Francisco Louçã apontou o "regabofe económico" do Executivo Jardim e a ausência de "liberdade de informação" na região.
Acompanhada pelo líder regional Alberto João Jardim na sua primeira visita à Madeira enquanto presidente social-democrata, Ferreira Leite rejeitou a ideia de que existe "asfixia democrática" no arquipélago, argumentando que "quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos".
Pelo contrário, sustentou a líder do PSD "que há asfixia democrática no continente" e apontou que "todos os jornalistas, todos os empresários, muitas das pessoas da sociedade civil, percebem que estão sob algum tipo de chantagem".
PS apresenta exemplos da ausência de democracia
Numa reacção pronta a estas acusações, o PS respondeu pela voz do seu porta-voz, que considerou inaceitável que Manuela Ferreira Leite negue a existência de asfixia democrática na Madeira.
João Tiago Silveira acusou por seu lado a líder do PSD de levar a cabo uma "política de verdade" que não tem honestidade política: "Na política de verdade do PSD não há credibilidade nem honestidade política. Ficamos a saber qual o modelo de democracia de Manuela Ferreira Leite e deste PSD".
O porta-voz do PS elencou seis casos ocorridos na Madeira e que são na perspectiva socialista exemplos acabados da ausência de regras democráticas: o subsídio de 4,6 milhões de euros atribuídos ao Jornal da Madeira por parte do Governo Regional, o episódio do deputado do PND que foi impedido de entrar na Assembleia Legislativa, a não-inclusão da Assembleia Legislativa no programa de visita do Presidente da República à região, os insultos a deputados da Oposição no Parlamento Rregional, a ocasião em que o PSD/Madeira proibiu a presença de jornalistas num congresso e as críticas de João Jardim à RTP-M, que o líder madeirense considerou então "uma televisão colonial".
Bloco aponta regabofe do Executivo Jardim
O líder bloquista Francisco Louçã contrariou a perspectiva de Ferreira Leite no que respeita aos ares vividos na Madeira, falando antes de "um caso de asfixia democrática" onde existe "regabofe económico" e "desperdício absoluto". Louçã lamentou que Ferreira Leite "esteja contente" com o clima que se vive na região autónoma.
"Se há lugar onde há regabofe económico, desperdício absoluto e orçamento de brincadeira é na Madeira e é Alberto João Jardim que está agora ao lado de Manuela Ferreira Leite", verberou o bloquista para sublinhar que na região autónoma "não há nenhuma liberdade de informação".
"O Governo Regional daquele PSD, que é o PSD, acusa os jornais que lhe são contrários ameaçando até expropriá-los e compra os jornais para lhe serem favoráveis, ou seja, não há nenhuma liberdade de informação e pelo contrário é o predomínio do poder político contra a liberdade de informação que faz da Madeira um caso de asfixia democrática e a doutora Ferreira Leite está contente com esta asfixia", lamentou Louçã.
PND lamenta colagem de Ferreira Leite às práticas de Jardim
O dirigente do PND/Madeira acusou Manuela Ferreira Leite de alinhar com as práticas de Alberto João Jardim ao deslocar-se em carros oficiais rumo a inaugurações em tempo de campanha eleitoral.
Apontando a homenagem social-democrata ao mais antigo autarca do país, António dos Ramos, que governa a localidade há mais de 60 anos, Baltasar Aguiar considerou ser "muito grave que a líder do PSD se junte ao dr. Alberto João Jardim neste tipo de práticas, sufragando este tipo de condutas".
O dirigente do PND/Madeira ironizou ainda ao afirmar que "se acontecesse no continente, com o Governo do engenheiro Sócrates, aquilo que aconteceu e acontece nas eleições da Madeira, com o Governo de Jardim, o senhor Presidente da República imediatamente suspenderia as eleições e haveria uma verdadeira convulsão nacional" uma vez que "nenhum partido democrático aceitaria disputar nestas condições de desigualdade e parcialidade".