Gouveia e Melo acredita que há uma intencionalidade nos números dos barómetros

O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou hoje que há uma "intencionalidade nos números" que estão a ser apresentados em estudos de opinião sobre as eleições do próximo dia 18, mas recusou desenvolver a sua tese.

Lusa /

Na porta de entrada da Feira de Mirandela, a meio da manhã, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a ser confrontado pelos jornalistas com números de sondagens que lhe são desfavoráveis na corrida a Belém.

Sem se referir especificamente a um dos barómetros que o coloca em quarto lugar -- atrás dos seus adversários António José Seguro, André Ventura e Cotrim Figueiredo -, afastado assim de uma segunda volta, reagiu: "Isso não me tem tirado sono nenhum".

"Há muita intencionalidade por trás de alguns números. Eu não vou pronunciar-me mais sobre isso. Já disse que o número que interessa é o resultado de dia 18", contrapôs.

Entre a direção de campanha da candidatura do almirante, considera-se que as variações apresentadas em alguns barómetros são quase impossíveis do ponto de vista matemático.

Num dos barómetros, que apresenta uma rotação diária de 200 entrevistados, Gouveia e Melo caiu um ponto percentual em cada um dos últimos dois dias.

Ora, segundo a candidatura de Gouveia e Melo, no universo dos eleitores portugueses, tal corresponderia a uma variação diária das intenções de voto na sua candidatura acima da centena de milhar. Ou seja, corresponderia a uma quebra diária de votação na sua candidatura numa dimensão superior a 100 mil.

"E nos últimos dias, porém, nada ocorreu de grave que possa justificar a dimensão de uma variação nessa ordem", sustenta-se.

Entre alguns dos elementos que fizeram parte da direção do PSD liderada por Rui Rio, que agora apoiam a candidatura de Gouveia e Melo, refere-se mesmo que alguns barómetros tiveram uma influência "muito negativa" para os sociais-democratas nas eleições legislativas de 2022.

A divulgação desses dados, diariamente, favoreceu então, segundo eles, uma concentração de votos da esquerda no PS, o que terá permitido a António Costa chegar à maioria absoluta.

Se a candidatura do ex-chefe do Estado-Maior da Armada se sente prejudicada "por essas simulações", temendo um efeito de desmobilização, também aponta quais os adversários que estão agora, alegadamente, a ser beneficiados: António José Seguro e Cotrim Figueiredo.

Já na quarta-feira, quando visitou o Porto de Leixões, em Matosinhos, Gouveia e Melo deixou uma farpa aos estudos de opinião sobre as eleições presidenciais, falando enquanto usava uma tecnologia que simulava estar a atracar um navio.

"Gosto de simuladores, mas não de sondagens", declarou.

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