Política
Governo num "beco sem saída". Anúncios no parlamento foram "manobra política", diz Fernando Negrão
O histórico do PSD Fernando Negrão defendeu esta quarta-feira, na RTP Antena 1, que os anúncios do primeiro-ministro, no parlamento, foram uma "manobra política". E os portugueses percebem, diz o antigo ministro social-democrata.
Encurralado num "beco sem saída", o governo de Luís Montenegro não tinha outra solução que não fosse fazer anúncios. É assim que o antigo ministro social-democrata Fernando Negrão interpreta o bónus nas reformas e as descidas no IRS anunciadas ontem no parlamento. O também antigo líder parlamentar do PSD deixa, ainda, um aviso: os portugueses percebem a intenção do executivo.
O antigo ministro com as pastas da Segurança Social e da Justiça acredita que Luís Montenegro não respondeu bem, nem a tempo, à crise provocada pelas polémicas que envolvem Luís Neves - e esse é, para Fernando Negrão, um fator de fragilização do executivo.
"O governo não tem grande margem de manobra relativamente ao ministro da Administração Interna porque não agiu imediatamente e deixou prolongar no tempo esta situação - para mais acrescida, quase todos os dias, por pequenas, médias e grandes notícias. Por outro lado, não teve capacidade de resposta para resolver este problema", sustentou.
O histórico do PSD faz ainda outra leitura do caso e estabelece um paralelismo com a situação da empresa familiar de Luís Montenegro: Fernando Negrão acredita que o primeiro-ministro pensou que o caso iria cair no esquecimento, tal como aconteceu com a Spinumviva. "Não aconteceu com Luís Neves o mesmo, porque havia muito mais questões que foram saindo, algumas delas perfeitamente exageradas, mas há duas ou três que são fundamentais, no mínimo no plano ético, para que o governo tivesse agido e tivesse dito ao ministro da Administração Interna que não tinha condições políticas para continuar", afirmou.
Fernando Negrão sempre foi contra a nomeação do antigo diretor da Polícia Judiciária para o cargo de ministro, diz que lhe falta "elasticidade" e "preparação política". Duas características que, nesta crise, teriam sido úteis a Luís Neves, refere o social-democrata. "Todas as notícias à volta de Luís Neves é que nos dão o quadro de que ele não tem qualidades políticas para exercer o cargo", concluiu.
"É bom que os políticos comecem a perceber que os portugueses já percebem o que os políticos fazem e sabem, em cada momento, a razão para determinadas medidas. Os portugueses perceberam que o governo estava num beco sem saída e a solução que encontrou foi uma pensão extraordinária a entregar aos nossos pensionistas, que bem precisam, e uma redução do IRS para os primeiros escalões. Os portugueses perceberam que há uma motivação política", disse Fernando Negrão, esta manhã, à jornalista Eduarda Maio, na rubrica Ponto Central da RTP Antena 1.
O histórico do PSD faz ainda outra leitura do caso e estabelece um paralelismo com a situação da empresa familiar de Luís Montenegro: Fernando Negrão acredita que o primeiro-ministro pensou que o caso iria cair no esquecimento, tal como aconteceu com a Spinumviva. "Não aconteceu com Luís Neves o mesmo, porque havia muito mais questões que foram saindo, algumas delas perfeitamente exageradas, mas há duas ou três que são fundamentais, no mínimo no plano ético, para que o governo tivesse agido e tivesse dito ao ministro da Administração Interna que não tinha condições políticas para continuar", afirmou.
Fernando Negrão sempre foi contra a nomeação do antigo diretor da Polícia Judiciária para o cargo de ministro, diz que lhe falta "elasticidade" e "preparação política". Duas características que, nesta crise, teriam sido úteis a Luís Neves, refere o social-democrata. "Todas as notícias à volta de Luís Neves é que nos dão o quadro de que ele não tem qualidades políticas para exercer o cargo", concluiu.