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Governo português considera declarações de embaixador de Israel inadequadas e injustas

Governo português considera declarações de embaixador de Israel inadequadas e injustas

Lisboa, 07 nov (Lusa) - O Governo português disse hoje ao embaixador de Israel, chamado esta manhã ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que as declarações proferidas numa conferência pública são inadequadas e "injustas para os portugueses", disse fonte oficial à Lusa.

Lusa /

Fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse ter sido comunicado ao embaixador de Israel, Ehud Gol, que "as declarações, feitas há dias numa conferência pública, não são adequadas a um representante diplomático, sendo profundamente injustas para os portugueses".

Ehud Gol participou no dia 30 de outubro no debate sobre o "Ensino do Holocausto: Experiência Local", no âmbito da conferência "Portugal e o Holocausto -- Aprender com o Passado, Ensinar para o Futuro", que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Na altura, o diplomata "afirmou que Portugal `tem uma nódoa` que lhe estará `para sempre associada` por ter posto a bandeira a meia haste quando Hitler morreu".

A chamada de um embaixador ao MNE é uma das medidas diplomáticas, utilizadas com pouca frequência, para assinalar uma posição de desagrado.

De acordo com uma outra fonte diplomática ouvida pela Lusa, o secretário-geral do MNE separou o relacionamento entre os dois países do episódio protagonizado pelo embaixador de Israel em Lisboa.

Cinco deputados do PS - Alberto Martins, Laurentino Dias, Maria de Belém Roseira, Maria Gabriela Canavilhas e Paulo Pisco - questionaram o Governo, numa carta enviada à presidente da Assembleia da República, sobre o que consideraram ser "declarações ofensivas" do embaixador de Israel em Portugal.

Na carta, pedem ao ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que esclareça se "já chamou ou tenciona chamar o embaixador de Israel, Ehud Gol, para um pedido de explicações e até para um pedido de desculpas pelas declarações que fez".

Segundo os deputados, Ehud Gol referiu-se a Portugal, num evento público, no dia 30 de outubro, "com propósitos pouco diplomáticos, com declarações (...) ofensivas".

"Com efeito, o regime fascista foi condenado e derrubado pelo povo e pelos militares em 25 de abril de 1974, provando assim que coletivamente rejeitámos e continuamos a rejeitar a ditadura", referiram os deputados na carta.

Classificaram ainda de "pouco apropriada" a forma como o embaixador de Israel se referiu "ao estatuto de Portugal na `task force` Internacional para a Educação, Memória e Investigação do Holocausto", adiantando que esta "consubstancia uma clara interferência nas questões internas" de Portugal.

Os deputados socialistas indicam na carta, com data de terça-feira, que "seria importante que o Governo, particularmente o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, exigisse um pedido de explicações e até um pedido de desculpas ao Embaixador de Israel em Lisboa", pelo que solicitam o referido esclarecimento.

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