Lei Laboral. Oposição pede ao Governo para desistir do diploma
O primeiro-ministro disse que não vai desistir da reforma laboral. Os partidos da área socialista exigiram que Luís Montenegro largue o diploma, enquanto o Chega afirmou que só viabilizará o pacote se o Governo baixar a idade da reforma.
Apoio às empresas. Governo aprova moratória por mais 12 meses
O Governo vai prolongar a moratória de crédito às empresas por mais 12 meses. O executivo anunciou a medida durante o debate no Parlamento, com toda a oposição a criticar o PTRR.
PSD considera que intervenções de Ventura e Carneiro tiveram momentos humorísticos
Na resposta, Luís Montenegro disse que “aguardará serenamente” por essa decisão e assegurou que o Governo não coloca em causa “o exercício legítimo do direito à greve como forma de apresentação de uma contestação”.
No entanto, defendeu que, muitas vezes, os resultados que quem convoca a greve pretende e a leitura da “globalidade da sociedade” sobre o seu impacto são diferentes.
“Os resultados das greves, nomeadamente da última greve geral, foi largamente, mas muito largamente, excedido do ponto de vista especulativo pelos partidos que a secundaram”, disse.
“Não houve um que dissesse como é que, perante toda esta ousadia orçamental e fiscal, chegavam ao final do ano com contas públicas saudáveis, ao invés de dizer que querem fazer o mesmo que fez o engenheiro Sócrates em Portugal”, acusou.
C/Lusa
Carga fiscal desceu efetivamente entre 2024 e 2025 em Portugal
Montenegro diz que este ano haverá segundo meio aéreo a operar na Madeira
"É a minha convicção e é também a informação que o senhor ministro da Administração Interna me transmite que este ano teremos a regularização finalmente desse objetivo de termos o segundo meio aéreo na região autónoma" da Madeira, disse o chefe do executivo no debate quinzenal que hoje decorreu no parlamento.
O deputado único do JPP, Filipe Sousa, tinha perguntado a Luís Montenegro se podia garantir que o segundo meio aéreo para Madeira será efetivamente uma realidade este ano.
"Temos vindo a trabalhar na questão da localização do segundo meio aéreo de combate a incêndios na região autónoma da Madeira. Estamos num domínio muito particular onde o nível de exigência é muito elevado em todo o território, mas há uma coisa que nós fizemos que foi nunca diminuir a capacidade operacional de ocorrer a situações de emergência e isso nunca esteve em causa", disse Montenegro.
Outro tema que foi trazido por Filipe Sousa ao debate quinzenal foi sobre a revisão da lei das finanças regionais, lamentando que quem vive na Madeira ou nos Açores "continue refém, ano após ano, da boa vontade dos Governos da República no que diz respeito às transferências do Orçamento de Estado".
"É por isso que a revisão da Lei das Finanças Regionais, reivindicação legítima das regiões autónomas, não pode continuar a ser uma miragem e que fique só nas intenções. É uma obrigação da República, é uma reivindicação legítima das regiões insulares. Recorde-se, senhor primeiro-ministro, que o grupo de trabalho foi anunciado, por vossa excelência, em outubro do ano de 2025 e anunciou também que a primeira reunião desse grupo de trabalho ocorreria em janeiro deste ano. Já estamos no final de abril e, até agora, pelo aquilo que eu sei, pouco ou nada aconteceu", lamentou o deputado único do JPP.
Sobre este assunto, Luís Montenegro disse que o Governo tem tido "vários encontros e troca de impressões" com os órgãos das regiões autónomas a este propósito, e têm "esperado o contributo das próprias regiões", além do grupo de trabalho que "aguarda apenas a publicação no Diário da República para promover esse trabalho com vista a dar previsibilidade à gestão financeira das regiões autónomas".
"Há uma coisa que eu tenho que assumir: muito dificilmente, para não dizer que não será mesmo possível, ter isto já contemplado no próximo Orçamento do Estado de 2027", admitiu.
Na terça-feira, o presidente do Governo da Madeira tinha afirmado que o segundo meio aéreo de combate a incêndios deveria começar a operar ainda este ano, alertando que, se isso não acontecesse, a responsabilidade teria de ser imputada à República.
Na abertura do debate mensal subordinado ao tema da Proteção Civil, que decorreu na sessão plenária de terça-feira na Assembleia Legislativa Regional, Miguel Albuquerque salientou que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, prometeu um "helicóptero bombardeiro ligeiro do dispositivo nacional, cujos custos serão assumidos na íntegra pelo Governo da República".
"Se vem ou se não vem, depende do ministro, não depende de mim, eu não mando no ministro", afirmou.
Lusa
Governo avalia integração do resgate animal nos planos de Proteção Civil
O primeiro-ministro referiu que as pessoas "têm uma ligação afetiva com os animais" e que por vezes há "um problema", porque alguns recusam-se a ser retirados de casa em situações de emergência e de perigo "por não aceitarem que essa componente não esteja contemplada".
"Razão pela qual nós estamos a avaliar a integração desta dimensão nos planos de Proteção Civil, com critérios claros, com formação adequada e também com articulação com as autoridades que têm conhecimento e `know-how` neste tema", indicou.
Na sua intervenção, a deputada única do PAN tinha questionado o primeiro-ministro se o Governo está disponível para acompanhar uma proposta de "resgate animal que inclua os centros de recolha, as associações, também as famílias" ou se continuaria "numa lógica de falta de empatia".
"Quando olhamos para o PTRR não vemos uma única medida de adaptação do país em matéria de socorro e proteção animal. Tem apenas na dimensão dos animais de pecuária, nada tem na dimensão dos animais de companhia", lamentou.
Inês de Sousa Real indicou que o Parlamento Europeu aprovou "um importante pacote de alterações legislativas em matéria de proteção e saúde animal", e assinalou que passam seis anos do incêndio em Santo Tirso, no qual morreram mais de 90 animais.
A deputada e líder do PAN saudou também o Governo por acolher no PTRR "algumas medidas" defendidas pelo seu partido, nomeadamente as "comunidades de energia renovável, a defesa do país em relação à erosão da órbita costeira, ou até mesmo a lei-quadro dos apoios em matéria de situação de catástrofe".
"Curiosamente o PSD, quando o PAN aqui as propôs, votou contra, mas mais vale tarde do que nunca e ainda bem que ao menos o Governo soube aproveitar as propostas do PAN", afirmou.
Inês de Sousa Real desafiou também Luís Montenegro a aprovar um "atlas de risco climático" nacional, assinalando que o documento "tem teimado em sair do papel".
"Se o clima mudou, é a altura do Governo deixar de ter medidas a marinar no que diz respeito ao combate à crise climática", defendeu.
Na resposta, o primeiro-ministro assinalou que o PAN "contribuiu com várias sugestões para muitas das ideias que acabaram por ficar contempladas no desenho final do PTRR".
Montenegro indicou que Portugal "tem liderado alguns debates" relativamente às alterações climáticas.
"Aprovámos uma lei do clima e temos uma agência a trabalhar também nesse domínio, temos a estratégia nacional para as alterações climáticas em formação", indicou, referindo que o PAN vai ter "várias oportunidades de interagir com o Governo no desenho desses instrumentos de planeamento".
Lusa
BE afirma que reforma laboral é "profundamente errada e deve ser rejeitada"
Fabian Figueiredo afirmou ainda que na proposta da reforma laboral não há nenhuma medida em que conste o aumento de salários. Por outro lado, encontram-se pontos sobre o "banco de horas que tira dinheiro" aos trabalhadores, o "alargamento da precariedade, a desproteção dos trabalhadores independentes e a asfixia da contratação coletiva".
Luís Montenegro, por sua vez, culpou os Governos socialistas de terem diminuído o poder de compra e a disponibilidade financeira das famílias. O primeiro-ministro alegou ainda que, a reforma que o BE apoia, aumenta a taxa de desemprego entre os jovens assim com a precariedade.
"Eu acho que os jovens merecem muito mais" do que a agenda do Trabalho Digno, salientou Montenegro.
Montenegro diz que já consensualizou 132 alterações à lei laboral com parceiros sociais
Na réplica, o primeiro-ministro começou por salientar que o executivo está a descer impostos sobre os rendimentos do trabalho e avançou com benefícios fiscais para prémios de produtividade, com o objetivo de passar a mensagem de que "vale a pena trabalhar, produzir mais" e que "o resultado desse esforço é um resultado retribuído através dos salários".
Montenegro defendeu a necesidade de aumentar a produtividade do país e argumentou que esse crescimento será um dos resultados do conjunto de alterações à lei laboral proposto pelo Governo.
"A lei do trabalho que nós queremos é uma lei moderna, é uma lei dinâmica, é uma lei que confere aos trabalhadores mais valorização do seu trabalho e às empresas mais potencial para poderem ter rentabilidades que lhes confiram instrumentos para poderem inovar", argumentou.
O primeiro-ministro considerou que o banco de horas individual, mediante acordo entre o trabalhador e a empresa, pode garantir salários mais altos e defendeu ainda o `outsourcing`, a agilização do teletrabalho e os "processo de revisão mais simples, mais rápida da contratação coletiva".
Montenegro disse que são esse os "os princípios que estão no pacote laboral" e sublinhou que 132 das 138 alterações propostas pelo executivo já têm acordo dos parceiros sociais: "Em 138 alterações nós já conseguimos consensualizar 132 com todos os parceiros sociais que estiveram disponíveis para esse esforço de concertação", disse.
E acrescentou: "Nós vamos continuar a pugnar por estas alterações para valorizar o trabalho e para valorizar a competitividade das empresas, para podermos pagar melhores salários".
Lusa
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Mas para o porta-voz do Livre, esta "receita não é aquilo que é preciso chegar às pessoas”.
O primeiro-ministro reforçou ainda que a "maior fonte de financiamento é pública".
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Montenegro responde que rever plano é normal e que "vamos ter de continuar a reprogramar".
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"O pagamento de suplementos extraordinários foi a decisão que nós tomámos em 2024, que tomámos em 2025 e que está inscrito no Orçamento do Estado que tomaremos em 2026 se a meio do ano tivermos finanças públicas que nos permitam tomar tal decisão. Esse é um compromisso meu. Faça o favor, não fique com ele", disse o primeiro-ministro.
No debate quinzenal no parlamento, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, tinha apelado à "sensibilidade do primeiro-ministro" sobre as pessoas que recebem pensões mínimas e que são especialmente afetadas pelo aumento do custo de vida, perguntando se Luís Montenegro está disponível para cumprir "a palavra dada" de um suplemento extraordinário, mas insistindo num aumento "duradouro que melhore as pensões mais baixas".
O primeiro-ministro observou que o compromisso do PS "era diferente" e passava por "aproveitar um saldo da Segurança Social deste ano para comprometer o pagamento de pensões para 20, 30, 40 ou 50 anos de forma permanente".
"Nós também queremos lá chegar, mas é cedo. Vamos primeiro colocar o país no trilho certo, a crescer com mais robustez e a ganhar, do ponto de vista económico, o fogo para poder tomar uma decisão desse calibre", disse.
Lusa
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André Ventura. "Um governo muito mau e muito baixinho"
“Quando o melhor que tem é deixar as empresas à espera de apoios, as pessoas à espera de apoios, as pessas a pagar mais impostos, a única coisa que faz é copiar as propostas do Chega, as mais baixinhas, então é um governo muito mau e muito baixinho”, acusou.
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O líder do Chega falou ainda sobre a reforma laboral e acusou o Governo de querer “avançar numa negociação sozinho” ameaçando “tirar dinheiro a quem sustenta o país”.
“Agora, sem o óbvio apoio dos sindicatos e sem o apoio de ninguém, vem para o Chega e diz ‘por favor, aprovem-me a reforma laboral’. Não. Nós não aprovamos reformas que tiram direitos às mães que trabalham” ou “a quem trabalha por turnos”, assegurou.
“Se quer fazer isto, vai ter de baixar a idade da reforma em Portugal”.
Montenegro diz que Ventura "dispara primeiro e vai pensar a seguir"
“O senhor deputado é mais do estilo: dispara primeiro e vai pensar a seguir”, acusou Luís Montenegro. “É por isso que o senhor deputado não tem características para ter responsabilidades governativas em Portugal”.
O chefe de Governo explicou ainda que alguns apoios a famílias e empresas ainda não chegaram porque os processos, “ainda que simplificados, estão a ser avaliados”.
“Claro que o senhor deputado André Ventura tinha a receita para isso: era dar indiscriminadamente, ‘quem levantar o braço, se faz favor, pegue o cheque’. Esse é o princípio do Chega, mas não é o nosso princípio”, argumentou.
André Ventura: "Não é preciso ter Governo, basta a seguradora"
“No segundo país da OCDE onde mais se paga impostos, se as pessoas pudessem perguntar, ‘Então para que é que pago esta taxa de IMI, IRS, IVA a 23%, ISP e imposto sobre os combustíveis', e quando chega o infortúnio de a tempestade afetar a minha casa, o Governo manda para a seguradora. Então não é preciso ter Governo, basta a seguradora”, disse.
Montenegro ataca "propostas convergentes" de PS e Chega e assegura que não vai descontrolar contas
"Continuaremos a acompanhar a evolução dos preços, em particular dos alimentos e agiremos sempre que necessário. Tudo faremos para proteger as famílias e a economia, com equilíbrio e prudência, sem comprometer a estabilidade do país", disse.
No entanto, o primeiro-ministro deixou uma promessa: "Não será com este Governo que haverá descontrolo nas cotas públicas e os consequentes sacrifícios exigidos aos portugueses".
"No passado recente, foi o voluntarismo e o imediatismo populista do PS que trouxe a fatura da troika a Portugal. A este propósito, é bom que os portugueses vejam e analisem os discursos e algumas propostas convergentes, para não dizer mesmo iguais, do PS e do Chega", alertou.
Segundo Montenegro, "Chega e PS estão de bem um com o outro, mas estão de mal com a proteção e com a construção do futuro em Portugal".
Lusa
Governo vai aprovar "moratória temporária" dos créditos às empresas por mais 12 meses
“Amanhã mesmo, o Conselho de Ministros irá aprovar uma moratória temporária dos créditos às empresas por mais 12 meses”, acrescentou o primeiro-ministro.
“Em suma, perante a destruição, não nos limitamos a repor, mas estamos a reconstruir melhor e a tornar Portugal mais seguro, mais robusto e mais preparado”, vincou.
Montenegro regressa ao Parlamento com PTRR e pacote laboral em debate
O debate quinzenal deverá focar-se, essencialmente, nas medidas ontem apresentadas por Luís Montenegro no âmbito do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência".
Com um horizonte temporal de nove anos e dividido entre fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos europeus (19%), o PTRR foi criado na sequência das tempestades do início do ano, que fizeram 19 mortes e causaram prejuízos superiores a 5,3 mil milhões de euros em Portugal. Luís Montenegro apresentou na terça-feira a versão final do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência".
No âmbito deste plano, o Governo vai criar um fundo de catástrofes naturais e sísmicas, associado a um seguro obrigatório para habitações, apoiado por um mecanismo de solidariedade para "garantir acesso universal".
Além disso, o Executivo pretende reformar os sistemas nacionais de comunicações de emergência (SIRESP), de Proteção Civil e do INEM.
Na apresentação do PTRR, o primeiro-ministro avançou ainda um reforço das emissoras de rádio para se tornarem "agentes de comunicação em crise", após ter admitido que chegou a ponderar a criação de um canal próprio.
As medidas que pretendem reforçar a comunicação de freguesias e municípios, que constam do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência", vão ter, respetivamente, 46 e 50 milhões de euros.
O plano PTRR conta ainda com 1.200 milhões de euros para mitigar o risco agrícola, uma medida que quer promover a transição para sistemas de produção sustentáveis e resilientes.
O Governo prevê pelo menos 4.663 milhões de euros para o setor da energia no PTRR, incluindo 500 milhões para reforçar o armazenamento elétrico, sobretudo hídrico, através de sistemas de bombagem.
Vai também ser criado um regime jurídico de gestão de calamidades, para maior rapidez de ação em caso de crise, prevendo medidas como cercas sanitárias e de proteção dos consumidores contra especulação e açambarcamento.
O debate quinzenal desta quarta-feira começa com uma intervenção inicial do primeiro-ministro, seguindo-se as perguntas da oposição, começando pelo Chega e seguindo-se PS, IL, Livre, PCP e os deputados únicos do BE, PAN e JPP. CDS-PP e PSD, os partidos que suportam o Governo, serão os últimos a questionar Luís Montenegro.
O último debate quinzenal, a 15 de abril, ficou marcado pelas críticas da oposição à forma como o Governo tem respondido ao aumento dos preços dos combustíveis e bens essenciais na sequência da guerra no Irão e pela legislação laboral, temas que deverão voltar hoje à discussão parlamentar.Pacote laboral decerto na agenda Na semana passada, o secretariado nacional da UGT rejeitou por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo, tema que também deverá ser abordado neste debate quinzenal.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, apelou à central sindical que mostre que quer uma aproximação e marcou uma reunião de Concertação Social para 7 de maio para encerrar o processo negocial.
Também o primeiro-ministro considerou que, para haver um acordo sobre o pacote laboral, é necessário que haja "uma cedência da UGT", considerando que foi o "único parceiro que ainda não cedeu" e pedindo-lhe que não mostre "intransigência total".
Montenegro afirmou que é necessário "aproveitar as próximas duas semanas para, de forma tranquila e sem paixões partidárias metidas ao barulho", fazer uma "avaliação final" para que não se prolonguem mais as negociações.
c/ Lusa