Imigração. A lei "é para cumprir por todos", defende Pedro Nuno Santos

O líder do Partido Socialista reagiu este sábado, em entrevista à RTP, à notícia de que mais de 4.500 imigrantes terão de abandonar voluntariamente Portugal até ao final do mês. Pedro Nuno Santos defendeu que a lei tem de ser cumprida, mas realçou que o número de imigrantes em situação ilegal é muito reduzido e sublinhou que o Estado deve investir numa política de integração. No 360, da RTP3, o candidato às legislativas falou ainda da Spinumviva, da saúde, da habitação e do apagão na Península Ibérica.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Tiago Petinga - Lusa

“A lei obviamente é para cumprir, e é para cumprir por todos”, declarou Pedro Nuno Santos sobre o facto de a AIMA notificar 4.574 imigrantes para deixarem Portugal, uma vez que a manifestação de interesse deixou de ser suficiente para residir no país.

“De qualquer forma, aquilo que esses números nos mostram é que nós temos uma percentagem muito reduzida, no total de imigrantes que entraram em Portugal, em situação ilegal. Mas a AIMA está a fazer o seu trabalho”, considerou.

O secretário-geral do PS lembrou ainda que durante o Governo de António Costa “sempre se apontou para meados de 2025 a resolução da totalidade dos processos e é isso exatamente que está a acontecer”.

Na visão de Pedro Nuno Santos, a gestão da imigração deve ser feita através do investimento numa política de integração, “porque o pior que pode acontecer – aos que cá estão e aos que vêm para viver e trabalhar em Portugal – é ter um país que não se adaptou a esse aumento da população”.

“A pressão sobre alguns serviços públicos aumentou e o investimento do Estado deveria ter sido de forma a garantir que a saúde, a escola e a habitação estavam adaptadas à entrada de tantos trabalhadores estrangeiros”, alertou.Caso Spinumviva “tem trazido instabilidade”
Sobre a polémica em torno da antiga empresa de Luís Montenegro e o facto de este ter entregado, na data limite, novos dados sobre clientes da Spinumviva, Pedro Nuno Santos insistiu que “esta mistura entre a política e os negócios pessoais é inaceitável num primeiro-ministro” e “tem trazido instabilidade política a Portugal nos últimos meses”.

“Luís Montenegro fez mesmo tudo ao seu alcance para que [a lista de clientes da Spinumviva] não fosse conhecida até ao dia 18 de maio” e “atrasou a sua entrega”, o que “é inaceitável”, vincou.

Questionado pelo 360 sobre se a Comissão Parlamentar de Inquérito vai avançar, Pedro Nuno Santos respondeu afirmativamente. “Claro, nós temos um ainda primeiro-ministro que tem, nos últimos dois meses, fugido às explicações”.

“Aquilo que nós vamos sabendo é retirado a conta-gotas por instituições oficiais”, acrescentou.
Diálogo com todos, à exceção do Chega
Sobre as eleições de dia 18 deste mês, Pedro Nuno Santos disse ter a certeza que os portugueses estão a compreender as mensagens do PS e vincou que não valoriza as sondagens que dão vantagem à AD.

“As sondagens sistematicamente têm subestimado os resultados eleitorais do Partido Socialista. Tem sido sempre assim. Há um ano isso foi transversal a todas as empresas de sondagens”, insistiu. “Aquilo que interessa e que decide é o voto”. Pedro Nuno Santos apelou novamente ao voto no Partido Socialista, considerando essa “a única forma de derrotarmos a AD”.

“Temos no nosso horizonte uma grande incerteza económica, uma economia a cair, e depois temos uma AD que apresenta aos portugueses um cenário macroeconómico que é uma autêntica fantasia, é um embuste”, acusou o socialista.

O candidato assegurou ainda que se o Partido Socialista vencer as eleições “dialogará com todos os partidos, com exceção, obviamente, do Chega”.

“Faremos tudo para encontrar e construir uma solução de estabilidade política em Portugal”, garantiu.
Defesa, Saúde e Habitação
Questionado sobre alguns dos temas-chave desta campanha, Pedro Nuno Santos começou por vincar o compromisso de dois por cento do PIB para a Defesa, reconhecendo que ainda está longe de ser atingido.

“Nas negociações europeias, o país não se pode colocar à margem dos esforços de investimento da UE, mas obviamente que devemos sempre pugnar para um investimento na Defesa que não ponha em causa o Estado Social. Isso era o pior que podíamos fazer”, declarou.

Na Saúde, concordou que a solução também passa pelo aumento das vagas nos cursos de Medicina, mas que o essencial no imediato é “garantir boas condições do ponto de vista da carreira”.

Acerca do teto às rendas defendido pelo Bloco de Esquerda, o candidato socialista considerou que essa medida “pode ter no curto prazo uma redução dos preços praticados”, mas “pode ter um efeito perverso”.

“Num contexto em que o mercado imobiliário está sobreaquecido, em que os preços estão sempre a subir, se nós colocamos um teto às rendas (…), quando os contratos terminam alguns senhorios podem retirar a casa do mercado de arrendamento e colocá-la no mercado de venda”, sustentou.
Governo criticado pela gestão do apagão
O apagão que deixou a Península Ibérica sem energia na última segunda-feira foi também tema nesta entrevista, com Pedro Nuno a considerar que “não temos ainda um Governo que consiga lidar bem com crises”.

“Este Governo não fez tudo o que está já previsto na lei” durante o apagão, acusou, realçando que “não foi acionado o Sistema Nacional de Planeamento Civil e de Emergência”.

“Mesmo o Sistema de Segurança Interna não esteve em piquete liderado pelo primeiro-ministro”, acrescentou o socialista.

Pedro Nuno Santos insistiu que o Executivo demorou a agir e que a situação “só não correu pior porque a REN conseguiu fazer um trabalho de restabelecimento do fornecimento de energia elétrica num tempo muito bom”.

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