Instantâneos de campanha
Episódios e instantâneos da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Almirante paga o preço de chegar cedo a cafés, come sidónios em vez de bolas
Nos últimos dias, o candidato presidencial Gouveia e Melo tem madrugado para visitar os mercados. E pouco ou nada se importa com o frio matinal, porque o mais importante é encontrar pessoas e falar com elas sobre as eleições presidenciais do próximo dia 18. Assim aconteceu em Mirandela e hoje em Viana do Castelo.
Mas madrugar tem os seus inconvenientes. Depois de sair do Mercado Municipal de Viana do Castelo, foi em passo acelerado para o centro da cidade até café Natário com a ânsia de comer uma ou duas famosas bolas.
Entrou no café acompanhado pelo presidente da Câmara da cidade, o socialista Luís Nobre (seu apoiante), sentou-se e ouviu-se bem o pedido ao empregado: "Traga por favor umas bolas para esta mesa".
"Desculpe, só temos bolas a partir das 11:00. Ainda é muito cedo", esclareceu o empregado, deixando Gouveia e Melo um pouco desapontado. Mas arranjou-se uma alternativa. "Então, que venham sidónios", sugeriu alguém perto do almirante. E foi o que se fez.
PMF
Gouveia e Melo pressionado para tomar conta do setor da saúde
Hoje, durante a visita que o candidato presidencial Gouveia e Melo efetuou ao Mercado Municipal de Viana do Castelo ouviu vários apelos para que "tome conta" da saúde. As pessoas não esquecem que ele foi coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.
Ao longo do seu percurso pelo mercado, o estado da saúde foi o tema dominante. O almirante escutou queixas de que há "um caos" no setor, ou de que se espera mais de um ano por consultas ou por pequenas cirurgias.
"Fui emigrante, vim para cá e nunca pensei que a saúde fosse isto. Vá para lá e ponha ordem", pediu uma senhora ao ex-chefe do Estado-Maior da Armada.
Gouveia e Melo tentou explicar que é candidato a Presidente da República e não a qualquer função executivo, mas às vezes sem sucesso. "Vá para lá, fique à frente Daquilo", disse-lhe outra senhora.
E ninguém conseguiu esclarecer se essas pessoas gostariam que o almirante substituísse a ministra Ana Paula Martins na pasta da saúde, ou se gostariam até que fosse candidato a primeiro-ministro numas eleições legislativas.
PMF
"É mais para a esquerda, não é?": Jorge Pinto tenta conquistar eleitorado mais velho em Esposende
Em Esposende, onde visitou a associação GRASSA, Jorge Pinto foi à procura de levar a sua mensagem a um eleitorado mais velho e foi confrontado com a "desilusão com a política" de Crisálida Costa, uma antiga cozinheira e delegada sindical, que lamentou a falta de respostas para os seus problemas, criticando não só os responsáveis políticos como o próprio sindicato que representou.
"Eu tinha um prémio de 90 escudos por mês que vinha na folha, a firma tirou-me e o sindicato não fez nada por mim. Ficaram lá 4.500 euros", lamentou a idosa, que ouviu de Jorge Pinto a defesa do reconhecimento dos direitos dos mais velhos, que "tanto deram pelo país".
Crisálida garantiu que vai votar nestas presidenciais, apesar da desilusão que sente sobre os responsáveis políticos, mas não confessa em quem, perguntando apenas, aos jornalistas que assistiam à conversa, se Jorge Pinto era "mais para a esquerda".
"É mais para a esquerda, não é? Eu à direita não voto", rematou, encerrando uma conversa a que se seguiu uma espécie de concerto protagonizado pela utente Amélia Santos. A idosa não se envergonhou perante o aparato montado no centro onde passa os dias e recebeu Jorge Pinto com a interpretação de várias canções populares portuguesas.
A Amélia juntaram-se os colegas, que a princípio se mostraram tímidos, mas deixaram-se levar pela melodia que serviu de som ambiente da primeira ação de campanha do candidato presidencial apoiado pelo Livre dedicada aos mais velhos.
Embora Jorge Pinto não saiba se conquistou aquele eleitorado, mostrou-se satisfeito com a agenda da manhã, declarando, a certa altura, sentir-se "muito confortável" em ambientes como o que visitou em Esposende.
TS
Seguro, o não vidente que jogou na lotaria em Gavião para ajudar a pagar campanha
Foi sob o "olhar" de uma fotografia oficial do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa sala na Câmara de Gavião, distrito de Portalegre, que António José Seguro arrancou o sexto dia oficial de campanha.
No mesmo espaço onde o antigo candidato socialista Manuel Alegre tinha estado na campanha da corrida a Belém de 2011, Seguro recebeu, no final do seu discurso, um tarro alentejano, uma caixa de morangos e um cabaz com vários produtos regionais.
Mas a maior prenda com a qual o candidato presidencial espera sair de Gavião é com o prémio da lotaria, que anda à roda três dias antes das eleições, e para a qual Seguro comprou cinco cautelas no café central.
Questionado pelos jornalistas sobre o que fará caso lhe sair o prémio, o candidato disse esperar que "dê uma ajuda para pagar uma parte da campanha, se for necessário".
"Se for necessário ajudar... Estou a jogar pelo seguro", respondeu.
Água tomada, cautelas compradas e a caravana seguiu para uma pequena feira no exterior.
No percurso, tempo para responder aos jornalistas a algumas perguntas e, sobre quem espera encontrar na segunda volta, o antigo líder do PS atirou: "eu não sou vidente. Há pessoas que são. Eu não".
Nesta roda de imprensa, e com mais do que um jornalista a fazer perguntas ao mesmo tempo, Seguro aproveitou para tomar as rédeas e deixar uma `boca` política: "agora vamos só dar aqui a palavra à minha esquerda".
JF/JE
O pequeno Dinis é de direita, mas quis o autógrafo de Catarina Martins
A meio de uma visita à Escola Básica Nuno Gonçalves, em Lisboa, Catarina Martins deu por si rodeada de dezenas de crianças de papel e caneta em riste a pedir autógrafos à candidata às eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Muitas não sabiam bem quem era, presumindo tratar-se de uma personalidade conhecida pelo aparato de jornalistas, mas outros -- como o impulsionador dos pedidos -- sabiam bem quem estava a visitar a escola.
Questionado se é admirador de Catarina Martins, Dinis, 11 anos, foi sincero. "Não, sou mais da direita", admitiu, defendendo ser esse o espetro político mais justo.
Apesar das divergências, fez questão de acompanhar toda a visita, aproveitando todas as oportunidades para trocar algumas palavras com a candidata apoiada pelo BE, com quem até encontrou interesses comuns, como o gosto pelo teatro.
Já junto ao portão da escola, Catarina Martins elogiou o aluno que, antes de se despedir, roubou mais uns minutos à candidata para a questionar sobre a sua posição em relação ao pacote laboral e à crise na habitação, partilhando também a sua opinião.
No final, Dinis continua a identificar-se com a direita, mas regressou às aulas com um abraço de Catarina Martins e a promessa que, se o convite surgisse, voltaria à escola para continuar o debate.
MCA
O combate de kickboxing e aula de ginástica de Luís Marques Mendes
O candidato presidencial Luís Marques Mendes visitou hoje a Associação Social dos Idosos da Amoreira (no concelho de Cascais, distrito de Lisboa), onde foi recebido com uma canção especial tocada e cantada pelos utentes, que entoaram: "Gostamos de o ter por cá, com a simpatia que tendes, que bom é ter um amigo, o amigo Marques Mendes".
"Isto é um início de visita muito, muito animado", comentou o candidato, recusando que falte animação na sua campanha e notando "a provocação" dos jornalistas: "Animação é tudo aquilo que não falta".
A visita seguiu, e no piso de baixo os utentes praticavam kickboxing. Luís Marques Mendes calçou as luvas e trocou uns golpes com o presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes.
O candidato recusou nomear qual o seu principal adversário na corrida a Belém e disse que o objetivo nesta fase é convencer os indecisos a votarem em si.
"Nunca pratiquei, mas gostei sempre muito de `kickboxing´. É sempre bom estar bem à defesa, e bem ao ataque", comentou.
O facto de estar vestido de fato e gravata não o proibiu de participar também numa aula de mobilidade e fortalecimento muscular. A indumentária desadequada à prática de exercício físico foi notada por uma senhora, que ajudou o candidato a desabotoar o blazer.
Aos jornalistas, confidenciou que faz exercício físico "quase todos os dias", nomeadamente ginásio, e estes exercícios foram fáceis: "Grau um, estou habituado a mais".