Instantâneos de campanha
Episódios e instantâneos da campanha para as eleições presidenciais de dia 18.
Gouveia e Melo partiu para o norte em campanha e esqueceu-se dos fatos em casa
Gouveia e Melo tem sido elogiado, sobretudo por senhoras, pela forma como se apresenta nas ações de campanha, sempre num estilo bem informal, usando, por exemplo, um blusão de cabedal castanho de aviador, tipo Top Gun.
Hoje, apareceu no Mercado do Livramento, em Setúbal, de gravata e fato castanho escuro. E foi logo questionado se estava agora a mudar de estratégia para se apresentar com "um ar mais presidenciável".
"Nada disso", respondeu o almirante.
A explicação, afinal, é bem simples.
Se os jornalistas perdem cabos de alimentação de computadores ou de telemóveis pelos sítios por onde vão passando ao longo da campanha, ou deixam casacos neste ou naquele restaurante, o mesmo também acontece com o próprio candidato presidencial.
Segundo Gouveia e Melo, no passado dia 05 deste mês, quando partiu para fora de Lisboa em campanha, por um período de oito dias, esqueceu-se dos fatos em casa.
Contou que ainda pensou em comprar outros fatos no norte do país, mas não teve tempo para isso. E compreende-se porquê: As ações de campanha começam bem cedo em feiras ou mercados e só terminam bem à noite, sem intervalos pela tarde.
Na conversa com os jornalistas, ainda a propósito de roupa, o almirante procurou também deixar uma mensagem com alguma leitura política. "Sinto-me bem com o meu próprio fato. Em toda a minha vida estive habituado a formalismos", afirmou, numa alusão à sua carreira nas Forças Armadas.
PMF
Os almirantes não são todos iguais
Durante esta campanha, vários cidadãos disseram ao candidato presidencial Gouveia e Melo que gostaram muito do general Ramalho Eanes enquanto Presidente da República. E Gouveia e Melo até concorda com esse tipo de opiniões.
Hoje, de manhã, porém, no Mercado do Livramento, em Setúbal, um senhor já idoso foi ter com Gouveia e Melo para lhe manifestar apoio e disse: "Conheci o almirante Américo Tomás e estou certo que o senhor será um Presidente da República como ele. Acabará com esta vergonha".
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada, aparentemente embaraçado com a comparação, nada respondeu, limitou-se a dar ao senhor um aperto de mão e foi embora. Um pouco atrás, ouviu-se um dos membros da sua comitiva comentar: "Os almirantes não são todos iguais".
PMF
Dmytro pede a Mendes que não esqueça Ucrânia e diz que Marcelo "é muito fixe"
Numa ação de campanha em Fátima, Marques Mendes encontrou Dmytro, um ucraniano que está há três anos em Portugal e lhe pediu para não esquecer o seu país.
Questionado se está a acompanhar as eleições em Portugal, o jovem, que trabalha na Santa Casa da Misericórdia local, apontou imediatamente para Mendes, dizendo que "é candidato a Presidente" e elogiou o atual inquilino de Belém.
"Agora Marcelo. Marcelo muito fixe, obrigada, ajudou muito os ucranianos", afirmou.
Num breve diálogo, Dmytro explicou que a sua casa na Ucrânia foi destruída "pelas bombas de Putin" nos primeiros dias da invasão russa.
"Agora este Portugal é a minha casa. A Santa Casa ajudou-me muito, eu não sabia falar nada de português. Dois ou três meses depois queríamos ir embora, mas para onde?", questionou.
O jovem agradeceu a Portugal a ajuda e desejou a Mendes "força para ajudar" os ucranianos, pedindo-lhe que "não esqueça a Ucrânia".
"Não esqueço nunca", assegurou o candidato apoiado por PSD e CDS-PP.
SMA
Seguro espalha o valor da palavra ao vivo e a cores num lar do Seixal
Numa visita à Associação Unitária Reformados Pensionistas e Idosos do Seixal (AURPIS), António José Seguro esteve alguns momentos à conversa com vários utentes, recordando que os seus pais lhe ensinaram "o valor da palavra".
"A honra é o melhor que nós temos. E portanto, a palavra, o aperto de mão, vale tanto como uma escritura, como uma assinatura para mim", garantiu, enquanto percorria as várias mesas do lar de idosos e se ia certificando de que comiam a sopa toda.
Seguro disse que entra "em qualquer sítio do país" de "cabeça erguida e de olhos normais a falar com as pessoas", já depois de ter dito que já o apelidaram de "candidato real para coisas reais".
Mais à frente, Seguro sentou-se numa mesa à conversa com funcionárias do lar.
"Você é bem a cara da foto, mesmo", disse uma delas, colocando um panfleto do candidato ao lado da cara de Seguro, que respondeu, sorrindo: "Sou eu mesmo".
Porém, o candidato notou algumas diferenças, pois quando tirou a fotografia "ainda não tinha feito esta campanha toda".
"Eu acho que o senhor dorme no formol. Não fica velho, está do mesmo jeito", insistiu a funcionária, fazendo Seguro admitir que há alguma diferença entre dormir mal ou bem, em que "o rosto fica completamente iluminado".
JE/JF
À chuva em Braga, há quem ache que Ventura até o sol irá levar ao "penico do céu"
A arruada do candidato presidencial André Ventura marcada para o final da manhã de hoje em Braga até começou com chuva miudinha, mas rapidamente a cidade fez jus à sua fama, conhecida como "penico do céu" pela pluviosidade que por ali se faz sentir.
"Em Braga é sempre assim", disse à agência Lusa Leonídia, que se abrigava num chapéu da campanha, enquanto acompanhava a arruada do candidato que percorria a rua do Souto a passo apressado.
Mas a apoiante -- "convicta e apaixonadamente André Ventura" -, disse acreditar que até os índices de pluviosidade de Braga irão mudar caso o também líder do Chega seja o próximo Presidente da República.
"Até o sol ele nos vai dar", vincou Leonídia.
Durante a arruada, a comitiva de campanha foi improvisando cânticos face à chuva intensa que se sentia: "Chuva de Votos", pediram uns, para depois entoarem "Faça chuva ou faça sol, o Ventura é o farol".
No final, após André Ventura ter recebido alguns apoios de imigrantes brasileiros pelo caminho, cantou-se o hino nacional, ao mesmo tempo que se ouviam várias buzinas de carros de condutores impacientes pelo congestionamento de trânsito provocado pela campanha na avenida Central.
JGA
"Tenho 103 anos e juízo" respondeu Amélia Saraiva a Cotrim Figueiredo
O dia do candidato presidencial Cotrim Figueiredo deveria ter começado na feira de Viseu, mas o mau tempo alterou os planos e levou-o ao Lar da Fundação Mariana Seixas onde conheceu Amélia Saraiva que, à pergunta sobre a idade respondeu: "Tenho 103 anos e juízo".
"Tem mais juízo do que outros com muito menos idade", atirou, entre sorrisos, o também eurodeputado, depois de na segunda-feira se ter visto envolvido em polémicas com André Ventura e por uma denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar da IL.
Amélia Saraiva, que estava numa cadeira de rodas à mesa do pequeno-almoço, explicou que quando diz que tem juízo significa que ainda sabe o que diz e faz e que é um fenómeno da natureza.
"Há fenómenos do Entroncamento e de Viseu também", brincou o antigo líder da IL.
Enquanto ia ouvindo a história de Amélia Saraiva, o presidente do conselho de administração, Dário Costa, insistia em chamar Cotrim Figueiredo de Figueiredo Cotrim e, corrigindo-o, o candidato presidencial assumiu que a correção era importante para que as pessoas não se enganassem no domingo a votar.
"Não vão as pessoas enganar-se no boletim", atirou, em tom de brincadeira.
Já com João, também de 103 anos, o eurodeputado pouco falou porque, mal o viu a dirigir-se para si, começou a cantarolar: "Tu és a minha grande alegria, tu és a luz do sol que me ilumina, tu és a estrela que me guia".
E, perante este talento, Cotrim Figueiredo elogiou e disse notar-se que era "cantadeiro".