Isaltino Morais abandona sala irritado
Isaltino Morais abandonou esta manhã o tribunal de Sintra a meio a sessão do julgamento no qual é acusado de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal. O presidente da Câmara de Oeiras explicou aos jornalistas que se ausentou da sessão por discordar do teor das alegações do procurador do Ministério Público, Luis Elói.
"É difícil ouvir. Não me posso controlar. Não é possível ouvir o que estou a ouvir", declarou Isaltino Morais ao colectivo, com manifesta irritação com as alegações finais do procurador Luís Elói, pedindo de imediato à juíza para que lhe permitisse ausentar-se da sessão.
Aos jornalistas, o autarca disse que "não pretende ser malcriado", pelo que, por uma questão de "respeito pelos tribunais" deixou a sala de audiências. "Depois ouço as cassetes. Irei ouvir a transcrição e depois com calma reagirei", acrescentaria o autarca, perturbado por aquilo que considerou tratar-se de "afirmações não provadas" por parte do procurador.
"Naturalmente que não conseguia ouvir calado, porque se continuo a ouvir declarações do senhor procurador que são mentira, que não foram provadas ao longo do julgamento, que ao longo do julgamento provou-se que era mentira, era difícil estar a ouvir aquilo tudo sem intervir", explicou Isaltino Morais.
Isaltino julgado por corrupção e branqueamento de capitais
O Ministério Público esteve hoje no Tribunal de Sintra para iniciar as alegações finais do julgamento que envolve Isaltino Morais, acusado de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal, Floripedes Almeida, irmã do autarca que é acusada de branquear capitais, o jornalista Fernando Trigo, suspeito de branqueamento e participação em negócio, e os empresários Mateus Marques e João Algarvio, acusados de crimes de corrupção activa.
O presidente da Câmara de Oeiras está acusado de seis crimes: um de participação económica em negócio, três de corrupção passiva, um de branqueamento de capitais, um de abuso de poder e outro de fraude fiscal.
O Ministério Público acusa Isaltino Morais de depositar mais de 1,32 milhões de euros em contas na Suíça entre 1993 e 2002, período durante o qual o presidente da câmara ganhou em vencimentos nesse cargo 351.139 euros.
Em sua defesa, Isaltino afirmou perante a juíza que os depósitos na Suíça, efectuados numa "única conta nominativa", se referiam a alienações de património próprio, investimentos, heranças e cerca de 400 mil euros de sobras de campanhas. Acrescentou o autarca que essa conta seria conjunta com a irmã e um sobrinho que reside na Suíça.