Política
Jerónimo evoca Fidel Castro e os delegados comunistas aplaudiram de pé
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, levantou hoje os delegados ao XX Congresso do seu partido, em Almada, ao evocar o percurso político e "revolucionário" do antigo líder cubano Fidel Castro, que morreu na passada sexta-feira.
Logo na parte inicial do discurso de abertura do XX Congresso do PCP, Jerónimo de Sousa referiu-se "ao momento de tristeza para os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo" que constituiu a recente morte de Fidel Castro.
"O PCP presta e reafirma a homenagem à sua excecional figura de patriota e revolucionário comunista, evocando a vida inteiramente consagrada aos ideais da liberdade, da paz e do socialismo", disse.Em reação a estas palavras de Jerónimo de Sousa, os delegados comunistas levantaram-se para aplaudir e gritaram: "Cuba vencerá".
Jerónimo de Sousa considerou depois que a melhor forma de "honrar a memória de Fidel Castro é prosseguir a luta pelos ideais e projeto por que se bate até ao fim da vida".
"É fortalecer a solidariedade com Cuba e a revolução socialista, exigindo o incondicional respeito pela soberania da ilha da liberdade, o fim imediato do criminoso bloqueio norte-americano e a restrição ao povo cubano", declarou o secretário-geral do PCP.
Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa referiu-se também ao centenário do nascimento do líder histórico do PCP, Álvaro Cunhal.
"No XIX Congresso assumimos o compromisso de comemorar o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal e realizar a justa homenagem a essa figura central do século XX, referência incontornável para todos os que abraçam a luta libertadora contra todas as formas de exploração e opressão do homem e dos povos", observou o atual líder dos comunistas.
De acordo com Jerónimo de Sousa, o PCP soube "honrar a memória" de Álvaro Cunhal com o programa de comemorações definido e desenvolvido.
"Mas, acima de tudo, trouxemos à atualidade o seu pensamento, a sua obra teórica, a sua ação política, toda a sua vida de combate pela liberdade, a democracia e o socialismo, o seu exemplo de revolucionário patriota e internacionalista no seu partido de sempre - o PCP", acrescentou.
Jerónimo compromete-se contra "política de direita"O secretário-geral do PCP rejeitou hoje que o partido esteja "domesticado", mas antes aberto a "tomar e assumir compromissos" contra a "política de direita", protagonizada por PSD/CDS e também PS.
"Podem repetir até à exaustão a historieta do PCP domesticado que não nos impressionam. Como não impressionaram ninguém quando há meses, perante a perspetiva de uma solução que condenava o seu Governo à derrota, diziam exatamente o contrário, e levantavam, agitados, o espantalho do assalto ao poder pelo PCP e do regresso do PREC, com o PS a reboque", afirmou Jerónimo de Sousa, no primeiro de três dias do XX Congresso Nacional dos comunistas, em Almada.
O líder comunista declarou que o problema do seu partido "não está, nem nunca esteve, em tomar e assumir compromissos", pois "esse é problema que há muito está resolvido entre aqueles que estão na luta pela transformação social".
"Mas sim o de saber que compromissos? Compromissos para traficar princípios? Não fazemos! Desiludam-se também aqueles que esperam ver um PCP resignado à inevitabilidade da política de direita", assegurou, no Complexo Municipal dos Desportos "Cidade de Almada".
Jerónimo de Sousa recusou ainda o "argumentário fraudulento que é a pureza ideológica do PCP que está hipotecada nesta nova fase da vida política nacional".
"Isto é dito pelos mesmos que andam há anos cinicamente a diabolizar e estigmatizar o PCP, caracterizando-o como um partido fechado no seu gueto e incapaz de fazer e tomar um compromisso. Como nós os entendemos e como lhes dói a coerência e a eficácia da intervenção e da luta do PCP", congratulou-se.