Jorge Pinto lamenta "retrocesso depois de alguns anos de avanço" nos direitos LGBTI+

O candidato presidencial Jorge Pinto alertou hoje para um "retrocesso depois de alguns anos de avanço" nos direitos das pessoas LGBTI+ em Portugal causado por quem assume uma "`política de `bullies` atacando os mais frágeis da sociedade".

Lusa /
Andre kosters - EPA

Jorge Pinto esteve esta manhã em Lisboa, no espaço da Casa Qui, uma associação de apoio a pessoas LGBTI+, para se reunir com os seus representantes e, no final do encontro, aos jornalistas, defendeu que um Presidente da República deve pôr estas questões na agenda, uma vez que há "jovens em risco" e vítimas de violência doméstica devido à sua identidade de género ou orientação sexual.

O candidato apoiado pelo Livre explicou que escolheu fazer esta visita em campanha para cumprir uma promessa feita a uma mulher trans numa ação de campanha da semana passada no Montijo, depois de essa pessoa lhe ter dito que, "enquanto pessoa LGBTI+, tinha medo de viver do país no qual ia viver nos próximos anos".

Jorge Pinto considerou que se está a tornar "bastante comum" o discurso de ódio contra estas pessoas nas redes sociais, nas ruas ou nos locais de trabalho, salientando o papel de associações como a Casa Qui na sua proteção.

O candidato disse também que não "conseguia pensar a sua política sem pensar em interseccionalidade", considerando que "ninguém é um agente individual".

"Aquilo que me move é garantir que cada um de nós, na sua individualidade, na sua maneira de ser, com tudo o que isso representa, é igualmente livre, e que não é alguém que, por não ser branco, heterossexual, ou o que quer que seja, vai ser menos livre do que o seu colega ao lado. Não é esse o país que eu quero, eu quero um país da diversidade", defendeu.

Questionado sobre um contexto político de maior hostilidade contra pessoas LGBTI+, nomeadamente pelas críticas do CDS-PP a um desenho animado sobre identidade de género, Jorge Pinto reconheceu que "Portugal fez muitos avanços" e que ser `queer` na sua juventude era pior do que hoje em dia, mas lamentou os retrocessos recentes, falando de uma "política de `bullies`".

"Esses avanços estão a sofrer um ataque brutal nos últimos anos, está a haver um retrocesso depois de alguns anos de avanço, e há um retrocesso porque há quem esteja interessado em não querer discutir aquilo que são os reais problemas do país e ocultar e tapar esses reais problemas com essas questões que na verdade são as questões de uma política de `bullies` em que atacando os mais frágeis da sociedade tentamos esquecer os outros problemas", argumentou.

Para o candidato apoiado pelo Livre, há partidos políticos movidos por um "discurso de ódio" e de "uniformismo daquilo que é ser português e jovem no nosso país" que é contrário à diversidade existente.

"Não estou confortável em viver num país em que uma criança, por não ser normativa, ou não ser aquilo que se acha que é ser normativo, é vítima de violência pelos seus colegas, às vezes até vítima de violência pelos próprios professores, vítima de violência nas suas casas", concluiu.

Tópicos
PUB