José Sócrates apresentou programa eleitoral

O Partido Socialista apresentou ontem à noite, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o seu programa eleitoral tendo em vista as próximas legislativas. José Sócrates, secretário-geral dos socialistas, foi o orador final de uma noite de promessas que passaram por uma reforma fiscal a favor das classes médias, uma justiça mais célere e o reforço das forças de segurança.

RTP /
O PS foi o primeiro partido a avançar com o seu programa eleitoral. José Sena Goulão/LUSA

José Sócrates foi o último a falar depois de terem passado pelo palco das apresentações socialistas o coordenador do programa eleitoral, António Vitorino, e os independentes, Isabel Alçada (escritora), Mário Jorge (médico e sindicalista) e Caldeira Cabral (economista e professor universitário).

O líder dos socialistas repetiu medidas já ouvidas e aproveitou a oportunidade para, ao falar da sua promessa de fazer uma reforma fiscal a favor da classe média, para se demarcar implicitamente da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite.

"Ouvir dizer que estas medidas são uma perseguição social dos ricos é ouvir a mesma conversa gasta que considerou irresponsável o aumento do salário mínimo e demagógico o complemento solidário para idosos", disse José Sócrates referindo-se indirectamente a declarações antigas da presidente do PSD.

Para José Sócrates "o que os portugueses esperam e merecem é que não se disfarce a ausência de ideias próprias com críticas injustas às ideias dos outros" ao mesmo tempo que avançou com promessas que irão alterar áreas como as da segurança e a justiça.

"Queremos uma justiça mais célere, capaz de responder em tempo aos cidadãos e às empresas. Queremos que Portugal continue a ser um país seguro e, por isso, nos comprometemos também com o reforço das forças de segurança", prometeu José Sócrates.

Criticas indirectas ao PSD
Os sociais-democratas estiveram quase sempre presentes no discurso de Sócrates com este a criticar o facto do PSD ainda não ter apresentado o seu programa eleitoral voltando a sustentar a ideia, já anteriormente conhecida, de que fazê-lo "é um dever de transparência, de responsabilidade e de seriedade política".

E nem mesmo os conselhos recebidos nos últimos dias no sentido do PS adiar a divulgação pública do seu programa eleitoral, já que isso levaria a opinião pública a ficar concentrada apenas no programa do PS e assim exposto a todas as críticas, enquanto a direita esconde até à última as suas ideias de programa eleitoral, levaram Sócrates a mudar as suas intenções.

Nesse aspecto José Sócrates foi claro: "Estando aqui a divulgar o programa eleitoral, limitamo-nos a cumprir o nosso dever. E, da nossa parte, cumprimo-lo, com gosto: os portugueses conhecem as nossas ideias. Em primeiro lugar, porque temos ideias. Em segundo lugar, porque não precisamos de esconder nem as nossas ideias, nem os nossos valores."

 

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