Política
José Sócrates explica declarações sobre pagamento da dívida
José Sócrates quebrou o silêncio e esclareceu o que quis dizer quando afirmou que pagar a dívida pública “era uma ideia de criança”, esclarecendo que falava “no pagamento integral imediato da dívida”. Numa entrevista exclusiva à RTP, o ex-primeiro-ministro revelou que se as dívidas soberanas fossem pagas na íntegra, nos próximos tempos, “isso conduziria ao desastre económico em todo o mundo”.
Em declarações exclusivas à RTP, a partir de Paris onde vive desde que deixou o Governo, José Sócrates esclareceu as declarações que fez numa palestra em que afirmou que “para pequenos países, como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança”.
“Eu refiro-me naturalmente ao pagamento integral e imediato da dívida de Portugal. Aliás referi-me não apenas à dívida de Portugal como à dívida de Espanha”, esclareceu José Sócrates.
No entanto acrescentou que, “a ideia de que Portugal e Espanha deveriam imediatamente pagar a totalidade da sua dívida e fazê-lo no próximo ano parece-me realmente uma ideia infantil”.
“Imaginemos que nós tínhamos agora uma agenda para termos um mundo em que os Estados não tinham dívidas. Isso significaria que os Estados Unidos passariam oitenta por cento do seu ano apenas para pagar a dívida, que o Japão passaria dois anos apenas para pagar a sua dívida externa, o mesmo acontecendo com a Alemanha. Isso conduziria ao desastre económico em todo o mundo”, acentuou.
Segundo José Sócrates, “os Estados sempre tiveram dívidas e essas dívidas vão continuar no futuro. O que é importante e o que está em cima da mesa é que os Estados tenham essas dívidas geridas por forma a oferecer confiança a quem decide investir o seu dinheiro nas dívidas públicas de todo o mundo”.
Sócrates recusa entrar em polémicas
Quando questionado, pela jornalista Isabel Damásio da RTP, sobre as críticas do ministro de Estado e dos Negócio Estrangeiros, Paulo Portas que afirmou que as declarações do ex-primeiro-ministro explicam “como o sector público atingiu a dívida absolutamente astronómica que tem”, José Sócrates esclareceu que “não quer entrar em polémicas com que o critica com base em factos deturpados”.
“Eu quero dirigir-me àqueles que estão de boa-fé, àqueles que estão de coração limpo, que percebem muito bem o que eu quis dizer. Não quero alimentar polémicas com quem não perde uma oportunidade de atacar adversários políticos baseados em factos que são deturpados relativamente às suas declarações”.
“Vejo com muito bons olhos que em Portugal se perceba finalmente que o problema que existiu e que existe é um problema europeu, se não um problema mundial”, acrescentou José Sócrates frisando que fica satisfeito “por ver que aqueles que antes achavam que era apenas um problema nacional agora reconheçam que é um problema europeu. Fico satisfeito com isso, porque realmente é o correto entendimento do problema”.
Para o ex-Chefe do Governo, “os que pretendem que o problema seja apenas português estão a prejudicar o nosso próprio país”.
“O problema é de todos os países europeus como agora está claro”, sublinhou.
Futuro da EuropaJosé Sócrates, que em 2007 assinou o Tratado de Lisboa, revelou ainda que não se opõe a uma mudança de tratados se esta conduzir “a um reforço das competências europeias e se esse reforço for no sentido de dar às instituições europeias possibilidade de intervir nos orçamentos nacionais”.
“Isso significa a transparência de soberania para o centro, coisa que não me incomoda nada”, declarou.
No entanto, considera que, “esse poder e essa responsabilidade têm de ser acompanhadas de mais legitimidade democrática. Para quem tiver esse poder se responsabilizar por ele e dar contas ao povo”
“Porque nós não podemos tolerar uma situação de endeusamento das soluções tecnocráticas e considerar que os povos europeus devem estar fora daquilo que são as decisões políticas e a gestão política da Europa”, rematou.
“Eu refiro-me naturalmente ao pagamento integral e imediato da dívida de Portugal. Aliás referi-me não apenas à dívida de Portugal como à dívida de Espanha”, esclareceu José Sócrates.
No entanto acrescentou que, “a ideia de que Portugal e Espanha deveriam imediatamente pagar a totalidade da sua dívida e fazê-lo no próximo ano parece-me realmente uma ideia infantil”.
“Imaginemos que nós tínhamos agora uma agenda para termos um mundo em que os Estados não tinham dívidas. Isso significaria que os Estados Unidos passariam oitenta por cento do seu ano apenas para pagar a dívida, que o Japão passaria dois anos apenas para pagar a sua dívida externa, o mesmo acontecendo com a Alemanha. Isso conduziria ao desastre económico em todo o mundo”, acentuou.
Segundo José Sócrates, “os Estados sempre tiveram dívidas e essas dívidas vão continuar no futuro. O que é importante e o que está em cima da mesa é que os Estados tenham essas dívidas geridas por forma a oferecer confiança a quem decide investir o seu dinheiro nas dívidas públicas de todo o mundo”.
Sócrates recusa entrar em polémicas
Quando questionado, pela jornalista Isabel Damásio da RTP, sobre as críticas do ministro de Estado e dos Negócio Estrangeiros, Paulo Portas que afirmou que as declarações do ex-primeiro-ministro explicam “como o sector público atingiu a dívida absolutamente astronómica que tem”, José Sócrates esclareceu que “não quer entrar em polémicas com que o critica com base em factos deturpados”.
“Eu quero dirigir-me àqueles que estão de boa-fé, àqueles que estão de coração limpo, que percebem muito bem o que eu quis dizer. Não quero alimentar polémicas com quem não perde uma oportunidade de atacar adversários políticos baseados em factos que são deturpados relativamente às suas declarações”.
“Vejo com muito bons olhos que em Portugal se perceba finalmente que o problema que existiu e que existe é um problema europeu, se não um problema mundial”, acrescentou José Sócrates frisando que fica satisfeito “por ver que aqueles que antes achavam que era apenas um problema nacional agora reconheçam que é um problema europeu. Fico satisfeito com isso, porque realmente é o correto entendimento do problema”.
Para o ex-Chefe do Governo, “os que pretendem que o problema seja apenas português estão a prejudicar o nosso próprio país”.
“O problema é de todos os países europeus como agora está claro”, sublinhou.
Futuro da EuropaJosé Sócrates, que em 2007 assinou o Tratado de Lisboa, revelou ainda que não se opõe a uma mudança de tratados se esta conduzir “a um reforço das competências europeias e se esse reforço for no sentido de dar às instituições europeias possibilidade de intervir nos orçamentos nacionais”.
“Isso significa a transparência de soberania para o centro, coisa que não me incomoda nada”, declarou.
No entanto, considera que, “esse poder e essa responsabilidade têm de ser acompanhadas de mais legitimidade democrática. Para quem tiver esse poder se responsabilizar por ele e dar contas ao povo”
“Porque nós não podemos tolerar uma situação de endeusamento das soluções tecnocráticas e considerar que os povos europeus devem estar fora daquilo que são as decisões políticas e a gestão política da Europa”, rematou.