CAP. O pacote laboral é um documento consensualizado, "equilibrado" e de "meio termo"
Mendonça e Moura falou ainda com António José Seguro sobre o que é necessário para aumentar a competitividade da Economia, abordando igualmente o atraso nos apoios para ultrapassar os estragos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro.
Conversou também sobre a subida de preços dos cumbustíveis, nomeadamente do gasóleo para a agricultura, comparando com as medidas adotadas em Espanha para apoiar os agricultores.
CGTP-IN pediu veto a Seguro. Pacote laboral está "ferido de inconstitucionalidades"
À saída da reunião, Tiago Oliveira, secretário-geral da Intersindical, lembrando ainda que a CGTP considera este pacote laboral "um retrocesso", acrescentando que está também ferido de inconstitucionalidades, "principalmente pelo afastamento da CGTP", prometendo que os trabalhadores vão reagir.
"Não há por onde fugir", afirmou, acusando o Governo de ser "inimigo dos trabalhadores" porque, "de forma ilegítima, quer continuar a trilhar este percurso, indo ao arrepio da vontade dos trabalhadores".
Ao presidente da República, a delegação da CGTP liderada por Tiago Oliveira denunciou a tentativa do Governo em afastar a central sindical do processo, contra o disposto na Constituição que, como referiu, determina que "cabe às associações sindicais participar na construção da legislação laboral".
"Quando este Governo afasta a maior central sindical do país da construção deste processo, porque não quer discutir as propostas com os trabalhadores, está aqui um processo que está ferido desde o início", disse ainda.
Montenegro. "UGT tem todas as condições para subscrever" o acordo sobre o pacote laboral
"A esperança é a última a morrer", afirmou aos jornalistas na residência oficial do primeiro-ministro, reconhecendo que a palavra cabe agora à União Geral de Trabalhadores, que amanhã irá reunir o secretariado nacional para votar a versão final do pacote laboral.
"Objetivamente, a UGT tem todas as condições para subscrever um acordo tripartido, com o governo e com os outros parceiros sociais", considerou, referindo que "só razões de natureza mais política" podem impedir a subscrição.
"Nós não temos uma negociação bilateral com a UGT", lembrou, referindo que a proposta em cima da mesa envolve outros interessados.
Além da UGT, as negociações envolvem outros parceiros sociais, incluindo "entidades empregadoras, vários setrores de atividade, a indústria, o comércio e os serviços, a agricultura, o turismo", referiu o primeiro-ministro.
José Luís Carneiro considera difícil UGT aprovar alterações às leis laborais
Em entrevista à agência Lusa, o líder do PS não se mostrou confiante que a central sindical venha a aprovar a proposta do Governo para mudar as leis laborais, decisão que será tomada na quinta-feira na reunião do secretariado nacional da UGT.
"À luz do posicionamento da própria ministra [do trabalho] e das declarações públicas e da forma como o Governo tem encarado o assunto, parece-me difícil. Mas, como digo, quando as pessoas querem, as coisas acontecem", respondeu.
Na perspetiva de José Luís Carneiro, se a central sindical viesse a aprovar estas alterações "era bom sinal".
"Era sinal que tinha havido ajustamento de posições, nomeadamente as posições do Governo. Mas não me parece, pela expressão pública que eu ouvi do secretário executivo e também da parte de um respeitado dirigente sindical, o Sérgio Monte, vejo que o ponto de situação não é o ponto adequado a haver um acordo", apontou.
Considerando que é preciso esperar "pelo fim do diálogo", o secretário-geral do PS lembrou que hoje mesmo o Presidente da República está a receber os parceiros sociais.
"Até ao último minuto há sempre que ter a expectativa de que possa haver um entendimento que significaria o Governo abdicar de alguns dos pilares que trouxe para a negociação", enfatizou.
Depois de ouvir vários empresários, Carneiro considerou que "dá a ideia que ninguém pediu ao Governo que avançasse com esta legislação".
"Porque é que o Governo avança com uma proposta de legislação que não levou às eleições, nem no programa eleitoral, nem na campanha eleitoral (...). Portanto, se havia uma intenção e não foi assumida em campanha eleitoral, então houve uma intenção de esconder das pessoas e isso é pior, porque quebra o vínculo de confiança dos cidadãos com o primeiro-ministro e com o Governo", criticou.
Pela parte do PS, o líder do partido reiterou que haverá sempre disponibilidade "para dialogar, discutir e construir soluções que permitam adaptar a economia e as empresas portuguesas" ao qual contexto.
Reforma laboral. Ventura acusa Governo de "má negociação"
André Ventura acusa o Executivo de má governação e má negociação por causa das alterações à lei do trabalho. E de não ser claro sobre o que pode vir a ser apresentado ao Parlamento, caso a UGT não aceite o acordo.
BE critica Seguro: "Devia cumprir o que prometeu e vetar o pacote"
O Bloco de Esquerda acusa o presidente da república de pressionar os parceiros sociais com as reuniões em Belém. José Manuel Pureza diz que António José Seguro devia chamar Luís Montenegro e informá-lo que vai vetar o pacote laboral.
Lei laboral. Ministra ainda acredita em acordo com UGT mas tem plano B à direita
São as últimas horas de pressão sobre a UGT para aprovar às alterações à lei do trabalho. Mas a ministra tem um plano B, que passa por aprovar o documento com os partidos à direita no Parlamento.
Não obstante, Rosário Palma Ramalho considerou que o processo negocial "durou o tempo que tinha que durar" e defendeu que as "muitíssimas aproximações do Governo (...) não desfiguram a reforma", afirmou.
Lei laboral. Presidente da República recebe parceiros sociais
O Presidente da República, António José Seguro, recebe esta quarta-feira em Belém os parceiros sociais, a começar pela CGTP-IN, na véspera de uma reunião do secretariado nacional da UGT para votar a versão final do pacote laboral. O encontro acontece depois de 50 reuniões sem acordo sobre o pacote laboral.
As audiências no Palácio de Belém começam às 15h30.