MAI admite "cultura de violência" em jovens agentes

MAI admite "cultura de violência" em jovens agentes

A ministra da Administração Interna recusou hoje que os casos de abuso protagonizados por polícias tenham caráter sistemático, mas admitiu a existência de uma "cultura de violência", sobretudo nos jovens agentes, defendendo um maior controlo nas esquadras.

Lusa /

"No nosso país estes factos [abusos por parte dos polícias] continuam a não ser práticas sistémicas. Não poderei negar que há uma evolução negativa. Há uma espécie de cultura de violência sobretudo em escalões mais jovens, em escalões dos jovens agentes, como em todos os jovens", disse Maria Lúcia Amaral no parlamento.

Num debate setorial no plenário da Assembleia da República, a ministra foi questionada pelos deputados, sobretudo pelo PS, BE e Livre, sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros, e o alegado envolvimento de outro agente da PSP no grupo neonazi 1143.

A governante referiu que o Ministério da Administração Interna está atento a essa cultura de violência e em "diálogo permanente" com as hierarquias da PSP e GNR, que sublinhou, "estão bem cientes do problema e bem alertadas para ele".

"Dialogamos com a hierarquia das forças de segurança, que estão bem cientes que isso acontece, para, na estrutura organizativa das esquadras, sobretudo nos grandes centros urbanos, ter formas de controlo mais adequadas, que visem precisamente impedir que essa cultura de violência se instale", sublinhou.

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