Manuel João Vieira vê tudo ao contrário na floresta e na paisagem

O candidato presidencial Manuel João Vieira defendeu hoje que está tudo "ao contrário" na floresta e na paisagem portuguesas, e apelou à prevenção e à plantação de outras espécies que não o eucalipto.

Lusa /

Antes de inaugurar o Monumento à Floresta Portuguesa, da autoria de Pedro Portugal, o músico dos Ena Pá 2000 explicou que a sua interpretação da obra - um eucalipto verdadeiro de 11 metros plantado com a raiz para cima e pintado com borracha líquida preta -- é que "está tudo ao contrário".

"Estará tudo ao contrário na floresta portuguesa. Será que há demasiados incêndios na floresta portuguesa? Haverá demasiados eucaliptos? Haverá um problema com a paisagem em Portugal e com o ordenamento da paisagem em Portugal? Eu creio que, quando nós vemos a paisagem portuguesa, somos surpreendidos", afirmou.

Dizendo-se "muito velho", o candidato presidencial de 63 anos confessou-se "surpreendido pela cor das casas, em relação àquilo que eram antigamente, e pelo seu entorno paisagístico, que também é muito diferente do que era".

"Antigamente, quando eu era pequenino, era raro ver eucaliptos na quantidade que se vê hoje. E o território é muito importante, a terra propriamente dita. A terra, depois dos incêndios e com a ajuda da chuva, vai-se tornando rochedo e vai-se tornando um solo onde é impossível plantar qualquer coisa", observou.

Manuel João Vieira disse que os eucaliptos têm de ser organizados juntamente com a floresta nacional.

"O eucalipto é importante, sem dúvida que é um rendimento importante, mas deve ser plantado dentro de determinados quadrantes e determinadas formas, e os pinheiros, para que não haja uma propagação completamente louca. E queria alertar também que estamos em pleno aquecimento global e [...] basta uma centelha, um raio, qualquer coisa, para desencadear fogos nunca vistos. Como nós, aliás, já vimos no território português", alertou.

Assim, para o candidato presidencial, é preciso apostar na prevenção. "E a prevenção é a plantação de outras espécies", acrescentou, defendendo a necessidade de voltar "a plantar árvores nacionais".

No Parque Papa Francisco, em Loures (distrito de Lisboa), o músico inaugurou a obra de Pedro Portugal, o artista que surgiu vestido de árvore e se escusou a explicar a sua criação, partindo no eucalipto invertido uma guitarra aparentemente autografada por Jimi Hendrix.

Vieira teve oportunidade de abordar outros temas, como a campanha para as eleições presidenciais de domingo, que definiu como "insípida" e menos engraçada do que eram as anteriores, ou o novo pacote laboral proposto pelo Governo.

"O que eu fazia é pegar nos pacotes de dinheiro e dava aos trabalhadores. E isso todos os meses. Isso é que é o pacote laboral", descreveu, numa ação de campanha que decorreu à mesma hora em que no centro de Lisboa decorria a manifestação da CGTP.

O candidato abordou ainda os protestos no Irão, no dia em que o número de mortos nos protestos que contestam há 16 dias consecutivos o regime de Teerão terá subido para pelo menos 2.000, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights.

"Eu acho que eles têm muita razão para protestar. [...] Obviamente, não sou parvo e sei que isto está relacionado com o movimento internacional que vivemos após a queda da Síria. E que é um objetivo estratégico, que é o derrube do Irão pelos Estados Unidos e Israel. Portanto, não é inocente. Se por um lado sou contra o regime iraniano, sou também contra a ingerência de regimes externos noutros regimes", concluiu.

Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa no domingo, numas eleições com recorde (11) de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá em 08 de fevereiro.

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