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Política com Assinatura
Mariana Leitão faz apelo a Montenegro: "Por favor, aproveitem os três anos de estabilidade"
"A estabilidade é algo que deve ser aproveitada e que o Governo tem de aproveitar", recomenda a Presidente da Iniciativa Liberal (IL), em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
“A geometria parlamentar pode ser um desafio, mas é importante que, ao longo deste tempo, não deixem de propor o que o país precisa”, pede a líder da IL, defendendo que o primeiro-ministro e o Governo devem “fazer aquilo que é preciso ser feito”.
IL disponível para colaborar com PR: “a ideologia não é obstáculo para se fazerem entendimentos”
A Iniciativa Liberal tem disponibilidade “total” para participar no desenvolvimento de reformas estruturais profundas, conforme pediu o novo Presidente da República, António José Seguro.
“Se há partido que tem falado de reformas nos últimos sete, oito anos, é a Iniciativa Liberal. Não é uma coisa nova para nós”.
E adianta que “não acho que a ideologia seja necessariamente um obstáculo”, e relembra que “nunca tivemos estigmas em votar favoravelmente propostas de outros partidos, quando sentimos que essas propostas vão ao encontro da resolução do problema”.
"Nunca tivemos esse sectarismo e esperamos que em relação à IL também não haja esse tipo de abordagem por parte dos outros partidos”, conclui.
Défice: “já não há alternativa porque não nos preparámos”
A Presidente da IL não tem dúvidas, o país vai entrar em défice por culpa de um conjunto de circunstâncias nacionais e internacionais, mas, acima de tudo, porque “não estamos minimamente preparados para uma qualquer adversidade”.
Questionada pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, “aceita que este ano se regresse a situações de défice?”, Mariana Leitão afirma que “não é uma questão de aceitar, parece-me que já não há alternativa, porque não nos preparámos”.
“Como chegámos a estas contas certas?”, pergunta a líder da IL no podcast da Antena 1, Política com Assinatura, e responde: “o sacrifício dos portugueses contribuiu para essas contas certas”, referindo-se ao tempo dos Governos socialistas.
Mariana Leitão quer descida acentuada do ISP
“Não, não é suficiente”. Mariana Leitão refere-se assim ao desconto de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), uma redução temporária e extraordinária decidida pelo Governo, para fazer face ao aumento do preço dos combustíveis, após a intervenção no Irão por parte dos EUA e de Israel.
A Presidente da IL sugere "uma descida mais acentuada do ISP e permanente”.
“Já devia ser uma realidade para o país a descida permanente do ISP”, concretiza.
PTRR: “tudo quanto está nesse documento é reciclado”
“Praticamente tudo quanto está no PTRR são coisas que o Governo já tinha anunciado, já tinha prometido”, denuncia Mariana Leitão.
A Presidente da IL diz que o Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) “não traz nada de novo”.
Afirma que o “Governo está a falhar” e dá como exemplo o PTRR: “continuamos a viver de anúncios que depois não passam do papel”.
Mariana Leitão prefere não comentar em profundidade o regresso de Pedro Passos Coelho à política nacional.
No entanto, e sobre as declarações do antigo primeiro-ministro que veio a terreiro pedir ao Governo de Montenegro para que não perca mais tempo e leve à Assembleia da República as transformações e os programas necessários, a líder da IL diz “ver com agrado que mais pessoas se juntem” àquilo que o seu partido tem defendido.
Acordos com PSD e Chega? Mariana duvida: “não vejo ímpeto reformista nessa suposta Direita”.
À pergunta da editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, se “a Direita poderia de alguma forma mudar com o regresso de Passos Coelho?”, Mariana Leitão responde com uma pergunta: “o que entendemos como Direita neste momento? Que partidos pomos na Direita?”.
Analisando um eventual cenário de entendimento entre PSD, Chega e IL, a Presidente da IL acrescenta que “não vejo ímpeto reformista nessa suposta Direita”.
Defende que “os partidos estão mais confortáveis com a situação atual porque lhes pode trazer algum benefício eleitoral”, chama-lhes aliás “situacionistas”.
À questão: “vê André Ventura como um situacionista?”, Mariana Leitão adianta: “não vejo o contrário, não vejo ímpeto reformista, não vejo vontade de mudança, não vejo sequer uma solução, vejo muito foco em manter o status quo”. Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.