Luís Marques Mendes nasceu em Azurém, em Guimarães, a 5 de setembro de 1957, mas foi em Fafe que cresceu e iniciou desde cedo a sua carreira política.
Filho de Joaquim Marques Mendes, um dos fundadores do Partido Popular Democrático (atual PSD), Luís seguiu as pisadas do pai e filiou-se no PSD aos 16 anos. Três anos depois, tornou-se vice-presidente da Câmara de Fafe, ainda antes de terminar a licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra.
Foi vice-presidente da autarquia de Fafe durante oito anos e em 1985, aos 28 anos, passou para o centro do poder ao iniciar funções como Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do X Governo, acumulando com as funções de porta-voz.
Luís Marques Mendes mudou-se para Lisboa e integrou os três governos liderados por Aníbal Cavaco Silva ao longo de dez anos. Foi secretário de Estado da Comunicação Social, tendo procedido, nomeadamente, à criação da Agência de Notícias Lusa, em 1986. Era ministro adjunto quando foi criada a RTP Internacional e as primeiras televisões privadas, SIC e TVI.
Foi também secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do XI Governo, entre 1987e 1992, e ministro-adjunto do primeiro-ministro do XII Governo, entre 1992 e 1995.
De líder parlamentar a presidente do PSD
Após a queda do Governo de Cavaco Silva, Marques Mendes foi eleito deputado e liderou o grupo parlamentar do PSD entre 1996 e 1999, tornando-se o número dois de Marcelo Rebelo de Sousa. Na altura, Marques Mendes foi o principal responsável pela terceira grande revisão da Constituição, a qual consagrou, pela primeira vez, o direito de voto dos portugueses que residem no estrangeiro nas eleições presidenciais. Voltou ao Governo três anos depois, desta vez com o primeiro-ministro Durão Barrosos, com a pasta dos Assuntos Parlamentares.
Disputou pela primeira vez a liderança do PSD em 2000, contra Santana Lopes e Durão Barroso, no congresso de Viseu, mas saiu derrotado. Tentou novamente cinco anos depois e saiu vencedor, tendo sido eleito presidente do PSD no XXVII Congresso, cargo que desempenhou durante dois anos difíceis, marcados pela oposição ao Governo de José Sócrates e pela turbulência interna.
Durante a sua presidência, levou a cabo uma reforma decisiva: a eleição direta do líder do partido por todos os militantes, substituindo o sistema de delegados em congresso e alterando estruturalmente o equilíbrio interno de poder. Defendeu também, entre outras bandeiras, o reforço da ética na vida política.
De presidente do PSD a comentador
Perdeu a liderança dos social-democratas em 2007 para Luís Filipe Menezes depois de ter convocado eleições internas antecipadas, no rescaldo do escândalo com António Carmona Rodrigues, então presidente da Câmara de Lisboa, que foi constituído arguido no caso Bragaparques.
Marques Mendes tinha demonstrado apoio a Carmona Rodrigues e tornou-se o primeiro presidente em funções a ser derrotado em diretas do PSD.
Decidiu, então, fazer uma pausa na vida política e partidária e transitou para a advocacia. Entrou para a Abreu Advogados, onde se tornou “Of Counsel” e presidente do Comité Estratégico. Paralelamente, tornou-se uma figura frequente nos meios de comunicação, ao estrear-se como comentador político na TVI24, em 2010. Em 2013 passou para a SIC, onde se mantém até hoje.
Marques Mendes é ainda membro do Conselho de Estado, tendo iniciado funções com o presidente da República Jorge Sampaio. Prosseguiu funções no mesmo órgão nos mandatos de Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.
O antigo líder do PSD é também autor das obras “Mudar de Vida” (2008), “O Estado em que Estamos” (2011) e “Afirmar Portugal no Mundo” (2018). Em 2008, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
De comentador a… Presidente?
O anúncio da sua candidatura a Belém surgiu em fevereiro de 2025. Marques Mendes escolheu Fafe, a sua terra-natal e aquela que o viu nascer enquanto político, para formalizar a sua candidatura.
Luís Marques Mendes, que recebeu o apoio do PSD e do CDS, diz que quer ser Presidente da República para, “com experiência, independência e capacidade de fazer consensos, exercer uma magistratura de influência para ajudar a resolver os problemas das pessoas”.
O antigo líder do PSD diz que a sua preocupação central enquanto Presidente “vai ser usar a palavra, a magistratura de influência, para puxar o país para cima”.
“Quando eu falo de ambição nacional, é para puxar o país para cima: na economia, no social, na tecnologia, na inovação, na inteligência artificial”, afirmou o candidato num discurso na inauguração da sua sede de campanha, em Lisboa, a 26 de novembro.
“O presidente da República não governa nem faz leis e eu não vou violar tudo isto, mas acho que o presidente da República é um árbitro, tem um poder mediador e se tiver bom senso e experiência pode aproximar quem está no Governo e na oposição para haver mexidas”, disse, afirmando que Portugal “está bloqueado há vários anos em vários setores e não vale a pena continuar a fazer diagnósticos”.
Com esta candidatura, Marques Mendes pretende, assim, fechar um ciclo: fazer do outrora jovem autarca de Fafe o 21º Presidente da República.