Mendes Lopes e Jorge Pinto querem partido pronto para governar, oposição pede mais pluralismo

Mendes Lopes e Jorge Pinto querem partido pronto para governar, oposição pede mais pluralismo

A moção encabeçada pelos dirigentes do Livre Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto propõe que o partido se assuma como uma força de governação, com a oposição interna a pedir mais pluralismo e transparência.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
NurPhoto via AFP

Estas posições constam das três moções estratégicas apresentadas ao 17.º Congresso do Livre, que decorre este fim de semana em Sintra, e vai eleger os novos órgãos nacionais para os próximos dois anos.

A lista A, afeta à atual direção, é encabeçada pela porta-voz Isabel Mendes Lopes, que se recandidata ao cargo, desta vez com Jorge Pinto como número dois, com Rui Tavares em terceiro.

Neste texto, os dirigentes realçam que o Livre é hoje "a quinta força política no parlamento e o maior partido à esquerda do PS".

"Até agora, o Livre foi sobretudo visto como um partido de influência, mas o crescimento eleitoral dos últimos anos mostra que as propostas que apresentamos têm eco junto das pessoas. O desafio dos próximos anos é transformar o crescimento do Livre numa capacidade ainda maior: a de governar", lê-se no texto, no qual estes candidatos se propõem a "consolidar e alargar" a base eleitoral.

No texto, que traça a estratégia política para os próximos dois anos, o Livre elege como um dos principais alvos a extrema-direita e critica o Governo por ter transformado o "não é não" ao Chega num "«veremos caso a caso» que se assemelha a um «sim é sim»" cada vez que precisa de aprovar um diploma no parlamento.

"A isto se acrescenta a não clarificação do PS e um alinhamento cada vez maior da IL e do Chega com as opções estratégicas do Governo. Tudo isto faz com que a responsabilidade do Livre como força de oposição seja ainda maior do que o recente crescimento do partido", lê-se.

A moção propõe que o partido aproveite os próximos anos, nos quais não estão previstas eleições, para consolidar as bases do partido, nomeadamente a nível local, criando mais núcleos, preparando o ciclo eleitoral de 2029.

Internamente, a moção da lista A propõe-se a "preparar quadros e desenvolver competências" através de "um plano de formação e capacitação", em articulação com o Instituto José Tengarrinha, (estrutura composta por vários dirigentes do partido), e os Verdes Europeus, família europeia da qual o Livre faz parte.

Estes dirigentes defendem igualmente uma "reflexão mais aprofundada" sobre o atual modelo de primárias "e a sua adequação a cada tipo de ato eleitoral".

A lista S é encabeçada por Rodrigo Brito, que já integra a direção de forma minoritária, uma vez que a eleição é feita através do método de Hondt, contando com membros de todas as listas candidatas.

Esta moção alerta que o resultado bastante positivo para o partido nas últimas legislativas "não é uma garantia".

"O dececionante falhanço em eleger nas europeias e o mau resultado da candidatura presidencial apoiada pelo Livre, a par de uma prestação modesta nas autárquicas, exigem reflexão estratégica", lê-se no texto.

A moção S dedica um capítulo inteiro ao tema da democracia interna, considerando que "o partido enfrenta um problema de liderança" por ter "imposto um sistema de porta-vozes que não está previsto nos estatutos".

Além disto, esta moção apela a uma "participação séria e alargada", apontando que "nos últimos tempos, tem crescido um desconforto perante o alargamento da discussão e da decisão para lá dos órgãos nacionais".

"Esse movimento de fechamento interno empobrece o debate, diminui a transparência, fragiliza a legitimidade das decisões e projeta para fora uma imagem menos confiante e menos aberta do partido. Um partido que defende mais democracia para o país deve começar por confiar mais na democracia dentro de si próprio", é defendido no texto.

Uma terceira corrente -- intitulada "Livretária" - volta a candidatar-se com a lista V, encabeçada por Tiago Mota. O dirigente assumiu o lugar na direção de João Manso, que em março deste ano se demitiu do cargo acusando Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes de "decisões unilaterais".

Estes membros acusam a atual direção de "um padrão de concentração de poder e hierarquização dos processos políticos que, além de violarem estatutos e regulamentos, traem também os princípios fundadores do partido" e pedem mais horizontalidade e mais transparência.

A lista acusa mesmo a atual direção de uma "gestão financeira opaca", afirmando que em 2025, "o partido orçamentou 50 mil euros em multas" e a direção não apresentou os orçamentos atempadamente.

PUB