Política
Presidenciais 2026
Mendes preparado para mais 4 semanas diz que Cotrim admitiu inutilidade de votar em si
O candidato presidencial Luís Marques Mendes disse hoje estar preparado para mais quatro semanas de campanha e acusou Cotrim Figueiredo de ter admitido a inutilidade de votar em si.
No final de uma visita à feira de Paredes, no distrito do Porto, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado sobre as declarações do candidato apoiado pela IL que revelou hoje que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato, incluindo André Ventura.
"Cotrim Figueiredo, ao dizer o que disse, está no fundo a reconhecer que não vai à segunda volta. Está a reconhecer aquilo que muita gente diz, que um voto na candidatura da Iniciativa Liberal é um voto inútil, inútil, porque não vai passar à segunda volta, porque não vai ganhar", afirmou.
Pelo contrário, defendeu, Marques Mendes diz já ter a segunda volta programada na sua cabeça.
"Houve uma pessoa que me abordou dizendo que só falta uma semana: eu disse, não, não, faltam quatro semanas, portanto, a minha perspetiva é a do dia 8 de fevereiro", disse.
O candidato disse já ter previsto fazer um debate com aquele que venha a ser o seu adversário e que terá de pensar quais as zonas do país a visitar nessa segunda fase, que acontecerá caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos expressos a 18 de janeiro.
"É por isso que até adapto os meus descansos a pensar nisso. Porque não faltam cinco dias, faltam, provavelmente, quatro semanas", disse.
Sobre as presenças na sua campanha nesta primeira volta, em resposta a perguntas dos jornalistas, disse não estar "nada previsto" quanto a uma participação do antigo Presidente Cavaco Silva, que já lhe declarou apoio.
Já sobre a possibilidade de Ana Paula Martins ser mais uma das figuras do Governo na sua candidatura, limitou-se a dizer que "a campanha está organizada desde o início e não vai sofrer nenhuma alteração", sem esclarecer se a presença da ministra da Saúde faz ou não parte desse plano.
Questionado se foi a pressão da rua que o fez mudar de estratégia e dirigir-se diretamente à ministra, Mendes recusou que tenha havido qualquer alteração no seu discurso, depois de ter deixado no domingo "o conselho presidencial" a Ana Paula Martins para aparecer a dar explicações.
"Já tinha dito há vários dias que alguém tinha que se pronunciar sobre aquele facto lamentável de duas ou três mortes que ocorreram na semana passada. Até falei do diretor ou do presidente da direção executiva", referiu.
À pergunta se espera que essas explicações sejam dadas já hoje, uma vez que a ministra tem agenda pública ao lado do primeiro-ministro, remeteu essa opção para o Governo.
"As pessoas estão preocupadas com o Estado na saúde, perante isto deve haver esclarecimentos relativamente ao que se passa e, sobretudo, relativamente ao que se está a fazer. Se a ministra quiser fazê-lo, acho bem. Se não quiser fazê-lo, está no seu direito. Mas eu também estou no meu direito de ter esta opinião muito clara de que é preciso mais sensibilidade na área da saúde", afirmou.
O candidato, que contou hoje novamente com o apoio do secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares - que até falou com Mendes alguns minutos antes das declarações aos jornalistas - foi questionado se hoje, em Paredes, sentiu a máquina do PSD "mais forte" no apoio à sua candidatura.
"Hoje senti a máquina muito forte, mas também senti nos dias anteriores", disse.
Marques Mendes desvalorizou que nem todos os militantes ou notáveis do PSD o apoiem, lembrando que tal aconteceu noutras eleições presidenciais.
"Cavaco Silva era primeiro-ministro todo poderoso em 1986 e houve pessoas do PSD que não seguiram a sua orientação. Mas é sempre assim em eleições presenciais", exemplificou, contrapondo que também tem apoios de outras áreas políticas.