"Montenegro está a resolver problemas que Passos não resolveu". A resposta da ministra do Ambiente às críticas de Passos Coelho

"Montenegro está a resolver problemas que Passos não resolveu". A resposta da ministra do Ambiente às críticas de Passos Coelho

A ministra do Ambiente e Energia afirma que o Governo atual está a resolver problemas que Pedro Passos Coelho não resolveu quando foi primeiro-ministro.

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em reação ao prefácio escrito por Passos, para o livro “Portugal na Paz dos Bloqueios”, no qual o antigo governante escreve que o tempo deste Governo para reformas está "a esgotar-se", Maria da Graça Carvalho atira que "neste assunto não posso estar de acordo porque estamos, todos os dias, a resolver os problemas para as pessoas e que são muitos, e que são de há muitos anos, que ficaram por resolver".

Em entrevista ao programa Política com Assinatura da Antena 1, a ministra vai mais longe e diz que "estamos a resolver imensos problemas que existiam há cerca de 15 anos". "Ou seja, quando Pedro passos Coelho era primeiro-ministro?", pergunta a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho. Responde Graça Carvalho: "há muitos (problemas) que estão lá. Não só dessa época, muitos impostos pela Troika e depois no Governo seguinte com apoios parlamentares que não deixavam ter a flexibilidade para resolver os problemas".
Maria da Graça Carvalho avisa mesmo que o Governo "não tem tempo para grandes discussões se estamos a perder tempo. Não estamos a perder tempo".

Pergunta a editora de política da Antena 1: "acha que Passos Coelho faria melhor do que Luís Montenegro, agora?". "Não quero comparar. Só quero dizer que o Dr. Luís Montenegro é um grande primeiro-ministro", responde a ministra.

E dá o exemplo de uma das reformas que o atual Executivo pretende levar a cabo no setor das energias renováveis. Graça Carvalho admite que no tempo de Passos Coelho o ministro do Ambiente da altura, Jorge Moreira da Silva, "se não fez mais foi porque teve constrangimentos. As pessoas governam de acordo com as circunstâncias que têm. Tiveram circunstâncias difíceis".
Combustíveis: "Fixar preços? Só em último caso"

A ministra do Ambiente e Energia reafirma que em cima da mesa do Governo não está a fixação de preços dos combustíveis.

"O fixar preços é em último caso", diz enquanto assegura que o desconto sobre o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) vai continuar e que "isso já correspondeu a cerca de 700 milhões de euros e calculamos que até ao fim do ano possa ser entre os mil milhões e os mil e trezentos milhões de euros".

Nesta entrevista Maria da Graça Carvalho explica ainda que o Governo decidiu apoiar setores económicos e não atribuir um apoio generalizado à população porque "não queremos fomentar o aumento dos combustíveis fósseis porque, mesmo com este aumento, o consumo aumentou em Portugal".

De acordo com os dados do consumo de combustíveis de julho deste ano comparado com o mesmo mês do ano passado demostram que "andámos mais de carro", acrescenta a governante.
Apoios à transição energética "abrange um número reduzido de pessoas"

O Governo entrega este mês, à Comissão Europeia, uma proposta para o Fundo Social do Clima nacional.

Nesta entrevista ao Política com Assinatura, a ministra do Ambiente e Energia revela que Portugal vai investir 1.6 mil milhões de euros para apoiar "quem tem mais dificuldade em fazer a transição energética".

Maria da Graça Carvalho acredita que isso passa por alargar o conceito de vulnerabilidade, porque "aquela que usamos no Fundo Ambiental é muito estrita a quem tem tarifa social da eletricidade ou do gás, ou algum benefício social. Ou seja, abrange um número reduzido de pessoas".
O programa nacional, cujas negociações a ministra espera que comecem em breve, passará pela melhoria de edifícios substituindo janelas, alterando o isolamento e pela compra de eletrodomésticos mais eficientes, mas também pelo alargamento da ajuda para compra de carros elétricos, apoios a microempresas com dificuldades e para a compra de transportes elétricos em territórios de baixa densidade ou periféricos.

A ministra destaca também o investimento de 440 milhões de euros no Fundo de Modernização da União Europeia, criado para apoiar a transição energética, a eficiência energética e a descarbonização em Estados-membros com menores rendimentos e que em Portugal vai ser gerido pela Agência para o Clima.

Neste caso a grande aposta será o setor dos transportes, o qual, para Maria da Graça Carvalho, "é o setor mais vulnerável nesta dependência que temos dos combustíveis fósseis. Nos transportes ainda dependemos muito dos combustíveis fósseis". Tendência que a ministra quer inverter. "A independência do ponto de vista de energia de combustíveis fósseis é essencial", afirma.
É tudo uma questão de segurança nacional. É desta forma que Maria da Graça Carvalho justifica a decisão do Governo, comunicada em julho, de aumentar a participação na Redes Energéticas Nacionais (REN).

O Estado já detinha 13,7 por cento do capital da REN, no entanto o Governo instruiu a Parpública para adquirir mais 6,3 por cento até perfazer 20 por cento da empresa.

A ministra do Ambiente e Energia explica na Antena 1 que "o fizemos por várias razões, a primeira de todas é a questão da soberania e da segurança do abastecimento, segurança nacional. Segundo, é mais uma ferramenta para influenciar por dentro um setor que é estratégico".

E garante que este investimento "vai possibilitar termos energia renovável que é muito mais barata do que a energia fóssil".

Questionada pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, sobre se o Estado terá presença no Conselho de Administração da REN, a ministra responde que "isso vamos, depois, discutir. Será a seu tempo discutido com os acionistas e dentro do Governo para ver como isso será feito".
Ventos fortes: Portugal está vulnerável e precisa de se preparar

"Estou convencida de que os ventos fortes são uma tendência que poderá ter vindo para ficar, espero que não mas temos de nos preparar para eles. É talvez a área onde é mais difícil estarmos preparados", admite Maria da Graça Carvalho que destaca que o país e a população estavam habituados a cheias, mas não a ventos fortes.

Nesse âmbito deve estar pronto no fim deste ano ou no início do próximo o estudo pedido pelo Governo à E-redes para o eventual enterramento de linhas em zonas críticas, depois do comboio de tempestades que atravessou o país em janeiro e fevereiro deste ano.

No Política com Assinatura, Maria da Graça Carvalho assume, no entanto, que "ter redes enterradas é muito mais caro e não resolve tudo. Uma rede enterrada é muito mais preocupante do ponto de vista das cheias. É por isso que tínhamos poucas linhas enterradas porque estávamos mais expostos a cheias do que a ventos fortes".
Entrevista à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.
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