Montenegro na campanha por perceção que Mendes não vai à 2.ª volta - Gouveia e Melo
O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo considerou hoje que o regresso do primeiro-ministro, Luís Montenegro, à campanha eleitoral, se deve à perceção de que o candidato apoiado pelo PSD não passará à segunda volta.
"Acho que o que motiva a entrada do primeiro-ministro na campanha é a perceção, eventualmente, que existe, que o Dr. Luís Marques Mendes não vai chegar à segunda volta", declarou Gouveia e Melo aos jornalistas, à saída de uma escola em Oeiras.
Questionado sobre se as suas alegadas suspeições em relação à idoneidade de Luís Marques Mendes, no início da campanha, o prejudicaram a si próprio, Gouveia e Melo recusou ter enfrentado o candidato ou ter dito que havia suspeições sobre si.
"O que eu disse é que ele devia esclarecer cabalmente quais eram os interesses que defendia e a sua verdadeira profissão. E, isso esclarecido perante a população portuguesa, ele faria o seu percurso. Eu acho que não fui prejudicado por isso", sublinhou.
Para o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, há momentos na vida política em que é necessário tocar em feridas: "E quando tocamos nessas feridas, não nos podem acusar de estarmos a fazer uma guerra suja ou seja o que for. Não. O tocarmos nas feridas é ser disciplinado".
Insistindo em que nunca disse que Marques Mendes era desonesto ou fazia algo de ilegal, Gouveia e Melo reafirmou: "Eu só disse [referindo-se a Marques Mendes], por favor, diga o que é que faz. Diga à população portuguesa verdadeiramente o que é que faz".
"E, pronto, eu acho que a população portuguesa percebeu. Ele [Marques Mendes] traz as suas estratégias e táticas eleitorais. Eu, se fosse a ele, teria dito claramente o que faria".
Luís Marques Mendes acusou hoje Cotrim Figueiredo de fazer "número político" e de exibicionismo com nova carta a Luís Montenegro, respondendo que o líder do PSD estará hoje novamente na sua campanha.
À chegada a Arcos de Valdevez (distrito de Viana do Castelo), o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado pelos jornalistas sobre o apelo público lançado pelo candidato apoiado pela IL para que Luís Montenegro recomende ao PSD o voto na sua candidatura para evitar que André Ventura ou António José Seguro cheguem à Presidência da República.
"Acho que isto é um número político, é mais um número. Não é muito para levar a sério, portanto, não levo a sério. É um número político, é um exibicionismo, é um espetáculo", afirmou Marques Mendes, sem mais comentários.
O candidato acrescentou ter uma novidade para transmitir à comunicação social: "É que Luís Montenegro vai estar hoje na minha campanha. Luís Montenegro, às 18:00, vai estar comigo a apoiar-me, como é normal e habitual e como já estava previsto, em Famalicão, às seis da tarde. Isso é que é importante", salientou.
Esta será a segunda participação do líder do PSD e primeiro-ministro na campanha de Mendes, depois de ter discursado no primeiro dia de campanha oficial, na Batalha.
Concorrem às eleições presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta em 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
MAD (SMA) // SSS