Montenegro quer "reflexão" de jornalistas. "Governo trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana"
A acompanhar operações da Armada ao largo de Cascais, o primeiro-ministro reivindicou uma "evidência de muitos resultados" do seu Executivo. Quanto à polémica em redor da compra de fragatas a Itália, Luís Montenegro prometeu transparência e saiu em apoio do processo de Nuno Melo contra André Ventura.
Luís Montenegro procurou esta quarta-feira afastar a ideia de que o Governo esteja a enfrentar semanas conturbadas, sustentando que este "trabalha todos os dias, 24 horas por dia, sete dias por semana".O primeiro-ministro falava aos jornalistas na Marina de Cascais, onde seguiu de perto as manobras do navio-patrulha "Setúbal" da Marinha, ao lado do ministro da Defesa, Nuno Melo, e do chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa.
Questionado sobre se a viagem foi conturbada, tal como as últimas semanas do Governo de PSD e CDS-PP, Montenegro retorquiu: "Nem foi conturbada esta viagem, nem foram conturbadas as últimas semanas do Governo".
"O Governo trabalha todos os dias, 24 horas por dia, sete dias por semana, com evidência de muitos resultados", vincou.
Na perspetiva do chefe do Governo, o "país concentra-se pouco nisso e concentra-se mais, às vezes, em coisas" que "acabam, de alguma maneira, por desfocar o próprio país sobre aquilo que é o mais importante".
"Isso é uma reflexão que eu deixo ao país e, já agora, também à comunicação social", prosseguiu.
"Porque as coisas são todas importantes e eu não estou a retirar nem relevância nem importância do trabalho que é feito, de escrutínio da atividade do Governo e tudo aquilo que possa ser, aos olhos do Governo, menos favorável. Mas é importante dizer ao país que o país não é só isso", completou o primeiro-ministro.
Montenegro daria ainda ênfase ao que entende ser um "país a crescer economicamente muito mais do que o resto da União Europeia", com "níveis de empregos históricos" e "onde os rendimentos estão a crescer".
"Transparência absoluta" na aquisição de fragatas
Em Cascais, o primeiro-ministro referiu-se ainda ao processo da aquisição de fragatas a Itália, prometendo "clareza e transparência absoluta". Avaliou também como "totalmente legítimo" que o ministro da Defesa avance para a Justiça contra o líder do Chega, André Ventura, e o jornal 24Horas.
Confrontado com a controvérsia em torno da compra de três fragatas a Itália, num montande de cerca de 3,9 mil milhões de euros, Luís Montenegro quis garantir que será feito tudo para "garantir a transparência".
"Vamos assegurar desde logo do ponto de vista técnico, com a estrutura de missão que acompanha o desenvolvimento do programa e, depois, com uma comissão de acompanhamento, onde estão também não só os outros órgãos de soberania, em particular a Assembleia da República, mas também todas as autoridades que superintendem as investigações e a monitorização da regularidade dos procedimentos", enfatizou.O Governo, continuou o primeiro-ministro "é naturalmente o principal interessado em que não subsistam dúvidas sobre os objetivos estratégicos".
"Estamos a falar de um investimento que se vai projetar nas próximas décadas e que, portanto, vai, obviamente, perpassar muitas legislaturas, muitos contextos políticos e gerações de portugueses que podem e devem usufruir da multiplicidade dos efeitos que este investimento pode também trazer para as suas próprias vidas", sublinhou.
Quanto à decisão de Nuno Melo em processar André Ventura, o deputado Pedro Frazão e o jornal 24Horas, devido a declarações e a uma notícia sobre a aquisição das fragatas, Montenegro sublinhou que a "lei e a decência pública se deve aplicar a todos".
"Os jornalistas e os políticos dos outros partidos, naturalmente, também têm de cumprir a lei e respeitar a lei. Portanto, é totalmente legítimo, creio que ninguém põe isso em causa, que alguém que sente a ofensa dos seus direitos, incluindo o seu direito ao bom nome, possa reagir", insistiu.
c/ Lusa