Narciso Miranda critica Guilherme Pinto por "descontrolo total na gestão financeira"

Porto, 27 Fev (Lusa) - Narciso Miranda, candidato independente à Câmara de Matosinhos, criticou hoje o "descontrolo total" na gestão financeira da autarquia, que o seu actual presidente, Guilherme Pinto, sustenta, no entanto, estar com "uma saúde de ferro".

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A troca de acusações, entre o candidato oficial do PS e o previsível adversário da mesma família política, surge no dia em que Guilherme Pinto anunciou uma série de medidas de combate à crise no concelho.

Nestas prevê gastar 32 milhões de euros para dinamizar o investimento privado e criar pelo menos 5500 postos de trabalho, no concelho.

"Só com uma saúde financeira excelente podemos anunciar esta disponibilidade financeira de apoio às empresas e às famílias", frisou Guilherme Pinto, em declarações à Lusa.

Narciso Miranda acusa o seu sucessor de recorrer a empréstimos "para resolver situações incontroladas de tesouraria", algo que nunca tinha acontecido na câmara matosinhense "desde o 25 de Abril de 1974".

"A câmara nunca precisou de fazer isto. Foi isso que fez com que a Câmara de Matosinhos marcasse a diferença. O que mudou? Só encontro uma explicação: mudou o líder e, a partir daí, mudaram os comportamentos da equipa. Esta é a questão central", observou.

Criticando a "clara desorientação" da autarquia na realização de dois empréstimos no valor total de 30 milhões de euros, Narciso alerta que os mesmos são apenas "uma gota de água nas dívidas acumuladas e descontroladas do município".

"Eu sei do que estou a falar", sustentou Narciso Miranda, em conferência de Imprensa na sede da Associação Cívica Narciso Miranda - Matosinhos Sempre.

Mas Guilherme Pinto diz que Narciso "já desaprendeu como se fazia" e que "está desfasado no tempo relativamente à gestão autárquica".

O autarca explica que os empréstimos, já aprovados em Assembleia Municipal, vão ser usados para combater a crise no concelho.

"O empréstimo de 5 milhões de euros visa criar disponibilidade financeira para impor o prazo zero nos pagamentos da autarquia às pequenas e médias empresas. Os 25 milhões servirão para acelerar o investimento de financiamentos comunitários ou de programas do governo", sublinhou.

"Narciso Miranda devia revelar orgulho porque a Câmara de Matosinhos continua a ser uma das que tem melhor solidez financeira", reage Guilherme Pinto.

No entanto, Narciso vai mais longe, denunciando "uma dívida oculta e não orçamentada" na autarquia.

Apesar de considerar que se trata de "uma irregularidade grave", de acordo com "a lei que regula o comportamento dos gestores públicos", o candidato independente não pretende avançar com qualquer queixa para o Tribunal de Contas.

"Não é a mim que cabe esse papel. Não me cabe ser polícia de ninguém. Quero apenas fazer um apelo sincero e sereno, a pessoas que conheço bem, para se evitar este descontrolo total", frisou.

ACG.

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