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Nuno Melo acusa direção do CDS de "tentativa de golpe de estado institucional"

Nuno Melo acusa direção do CDS de "tentativa de golpe de estado institucional"

O candidato à liderança do CDS-PP Nuno Melo acusou na última noite a direção do partido de uma tentativa de "golpe de estado institucional" e anunciou que vai impugnar a convocatória do Conselho Nacional marcado para esta sexta-feira.

Lusa /
Nuno Melo acusa direção do CDS de falta de sentido democrático D.R.-Facebook

"O CDS é um partido estruturante e fundador da democracia e vive hoje o primeiro ato de uma tentativa de golpe de estado institucional que eu quero denunciar e repudiar vivamente", afirmou.

Nuno Melo recusou um possível adiamento do congresso eletivo, marcado para 27 e 28 de novembro, na sequência da crise política provocada pelo "chumbo" do Orçamento do Estado, e afirmou que "quem tem medo de ir a votos dentro dificilmente terá capacidade para conquistar votos fora".

Na sua ótica, está em causa "um expediente ilegal e imoral para adiar o congresso para outra data" e a direção "manter-se ilegitimamente no poder", defendendo que, se as eleições legislativas forem marcadas para final de janeiro ou depois "o presidente do partido já estará fora de mandato".

O centrista falava aos jornalistas à porta da sede do CDS-PP, em Lisboa, enquanto decorria dentro do edifício, uma reunião da Comissão Política Nacional, órgão alargado da direção.

O eurodeputado criticou também a convocatória, de um dia para o outro, do Conselho Nacional e defendeu que teria de ser "convocado com pelo menos 48 horas de antecedência".

"Obviamente que vou impugnar esta convocatória e depois do órgão jurisdicional interno do partido vou recorrer para o Tribunal Constitucional", anunciou.

O 29.º Congresso do partido, no qual será eleita a nova liderança, está marcado para 27 e 28 de novembro, em Lamego (distrito de Viseu). São candidatos à presidência do CDS-PP o atual presidente, Francisco Rodrigues dos Santos, e o eurodeputado e líder da distrital de Braga, Nuno Melo.

Nuno Melo aceita adiamento do congresso desde que se realize antes das legislativas

O candidato à liderança do CDS-PP afirmou que aceita um possível adiamento do congresso agendado para o final de novembro, desde que ser realize antes das eleições legislativas.

"Nós não nos importamos nada que o congresso seja adiado, o que não aceitamos é que seja adiado para depois das eleições legislativas", afirmou o candidato.

Nuno Melo defendeu que é importante que "os militantes, através do congresso, legitimem quem os deve representar enquanto líderes e também enquanto estratégia".

"Quem queira evitar o voto dos militantes num congresso que, por vontade própria, pediu, não terá qualquer legitimidade para representar o CDS em eleições legislativas perante o país", salientou Nuno Melo.

Anacoreta rejeita definição da legitimidade de decisões

O presidente do Conselho Nacional do CDS-PP defendeu que "não é razoável" e "não é aceitável" achar que as decisões do Conselho Nacional "são mais ou menos legítimas consoante são favoráveis ou desfavoráveis" a alguém.

Apontando que "há algumas semanas", os críticos "invocaram ilegitimidade do processo de decisão do Conselho Nacional sobre a marcação do congresso", Filipe Anacoreta Correia referiu que "agora essas mesmas pessoas invocam que é precisamente sobre essa decisão que apoiam a sua posição política".

E salientou que as decisões do Conselho Nacional são legítimas porque este órgão "expressa a voz do partido" e "devem ser aceites, sejam favoráveis ou desfavoráveis a qualquer um dos lados".

Para hoje ao final da tarde está marcado um Conselho Nacional extraordinário, convocado com caráter de urgência a pedido do presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, cuja ordem de trabalhos tem dois pontos: "deliberação sobre a realização do XXIX Congresso Nacional" e "análise da situação política".

"E será certamente com respeito total pelas regras democráticas que o Conselho Nacional determinará esse futuro. Nós não podemos é dizer que ele é mais ou menos democrático consoante as decisões no sejam favoráveis ou desfavoráveis, isso é inaceitável", frisou o centrista.

O presidente do Conselho Nacional garantiu também que não permitirá "qualquer tentativa de desvalorização" do órgão máximo do partido entre congressos.

"O Conselho Nacional tem plenos poderes e condições políticas para definir aquilo que achar que é melhor para o futuro" do CDS-PP, salientou o também vice-presidente da Câmara de Lisboa, apontando que o adiamento de um congresso é um processo que tem "paralelo em outras alturas do partido".


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