OE2027. Carneiro propõe abstenção mas admite que "convicções mais profundas" levariam a voto contra

OE2027. Carneiro propõe abstenção mas admite que "convicções mais profundas" levariam a voto contra

O líder do PS admitiu este sábado que as "convicções mais profundas" levariam a um voto contra num "mau Orçamento do Estado", mas explicou que optou pela abstenção porque a oposição é ao Governo e não ao país.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto. José Sena Goulão - Lusa

"A razão de ser fundamental desta nossa Comissão Nacional tem muito que ver com a proposta que tenho para vos apresentar de abstenção em relação à proposta do Orçamento do Estado. Faço-o por razões ponderosas. Bem sei que, no fundo de cada uma e de cada um de vós, estão razões também ponderosas para que nós pudéssemos propor um voto contra este Orçamento do Estado", disse José Luís Carneiro na intervenção inicial da reunião do órgão do PS, em Lisboa.

De acordo com o secretário-geral do PS, as "convicções mais profundas" do PS levariam para a "ideia do voto contra" no Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

"Mas nós não somos um partido qualquer. Nós fazemos oposição ao Governo, mas nós não fazemos oposição a Portugal. É uma grande diferença em relação a outros", justificou.
Segundo Carneiro, este é um "mau Orçamento" e Portugal "está mal", alertando que com "as más opções do Governo o país pode ficar pior".

Na semana passada, e ainda antes de ser conhecida a proposta do Governo, José Luís Carneiro anunciou, em entrevista ao jornal Eco, que ia propor aos órgãos do partido que os socialistas se abstivessem e assim viabilizassem o documento, depois das garantias que tinham sido deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre condições colocadas pelo PS.
Carneiro promete propostas na especialidade
O secretário-geral do PS anunciou ainda que, na especialidade do Orçamento do Estado para 2027, vai apresentar propostas para responder ao aumento do custo de vida, concretamente combustíveis, energia e alimentação, sem "comprometer o equilíbrio das contas públicas".

"Não é naturalmente o nosso orçamento e não são as nossas opções, mas é também a pensar nas pessoas que nós, na especialidade, vamos apresentar as nossas propostas. Propostas para que o orçamento possa dar respostas ao aumento com o custo de vida. Manteremos essa linha de coerência", anunciou.

De acordo com o líder do PS, no processo da especialidade os socialistas vão "apresentar propostas para responder ao aumento dos custos com os combustíveis, com o gás, com a eletricidade, com os bens alimentares essenciais".

"E, quero ser claro, sem comprometer o equilíbrio das contas públicas e mantendo a responsabilidade com as futuras gerações. Fá-lo-emos, e devo dizer-vos, saberemos como fazê-lo, mantendo as prioridades e o equilíbrio das contas do Estado", assegurou.

O objetivo de Carneiro é sugerir outra "hierarquia nas prioridades políticas para servir as portuguesas e os portugueses".

"Perante o quadro internacional que estamos a viver, impedir uma crise política deveria ser um dever de todos", justificou, admitindo as "divergências profundas em relação ao caminho político que está a ser feito".

Considerando que são precisas "mais do que palavras", o líder do PS referiu que "há quem pense mais no interesse partidário do que no interesse do país".

"Eu não fui eleito secretário-geral do PS para pensar no interesse estrito do PS. Eu fui eleito para pensar e colocar em primeiro lugar o interesse de Portugal", explicou.

c/Lusa
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