Oposição lamenta ausência de soluções para resolver a situação da região no discurso de Alberto João Jardim

Funchal, 09 nov (Lusa) -- Os partidos da oposição na Assembleia Legislativa da Madeira criticaram hoje o discurso de tomada de posse do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, considerando que não apresentou soluções para a situação do arquipélago.

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O presidente do grupo parlamentar do PS na Assembleia Legislativa, Carlos Pereira, realçou do discurso do chefe do Executivo "um apagão do ponto de vista governativo" e a falta de "soluções para a Madeira".

Carlos Pereira destacou ainda a "confissão" de Alberto João Jardim "que levou à bancarrota a Madeira e que pediu ajuda a Lisboa", mas também "a primeira derrota, que é configurada na circunstância de que está de candeias às avessas com a República e tem a porta fechada com a República".

O líder parlamentar do CDS-PP, Lopes da Fonseca, sublinhou que se tratou de um discurso "demasiado autonomista" e "um pouco crítico para com o Governo da República"

"Estava convencido de que haveria aqui uma porta aberta no sentido de fazer com que o Governo da República visse aqui uma abertura para a negociação e penso que essa porta não se abriu", declarou Lopes da Fonseca.

Já Raquel Coelho, do PTP, o terceiro maior partido da oposição na região, considerou que o líder do Executivo regional fez " um discurso de meias verdades, da carochinha".

"Infelizmente o Governo do dr. Alberto João Jardim não merece mais autonomia, devia ser-lhe retirada, porque ele não soube usar essa autonomia em prol da Madeira", acrescentou.

O deputado da CDU, Edgar Silva, que não saudou o presidente do Governo Regional na habitual sessão de apresentação de cumprimentos que se seguiu aos discursos, lamentou que Alberto João Jardim não tivesse apresentado no seu discurso "uma única ideia, uma única proposta, uma única perspetiva de solução para os graves problemas que a região experimenta".

O comunista lamentou a ausência de referência a problemas como o desemprego e as dificuldades dos vários setores económicos: "Não tiveram uma única palavra, foi divagar, divagar, divagar, uma divagação fútil, isto é lamentável"

Já Roberto Vieira, do MPT, considerou que o discurso "foi um pouco virado para fora, para o mundo, para Portugal, quando se esperava que falasse mais diretamente aos madeirenses, que estão em grande aflição e em grandes preocupações com as medidas que aí vêm e nada foi dito".

"A verdade é que a nossa autonomia está moribunda e pouco servirá para travar as medidas que vão prejudicar aqueles que hoje estão no desemprego e com falta de dinheiro para pagar as suas contas", adiantou.

O deputado do PAN, Rui Almeida, criticou a ênfase que Alberto João Jardim colocou "na posição de confronto com o Governo Central" em detrimento da apresentação de soluções para os problemas dos madeirenses.

À cerimónia de tomada de posse faltou a parlamentar do PND, Rubina Sequeira, que justificou a ausência: "Estas eleições foram uma fraude, como tal o PND não reconhece legitimidade alguma a este Governo".

"O dr. Jardim ganhou as eleições pelas pele e tinha perdido, obviamente, se tivesse sido anunciado o plano de resgate, se não tivesse feito inaugurações eleitoralistas, se não existisse a vergonha que é o Jornal da Madeira, se não tivesse pastoreado os eleitores até às urnas", comentou.

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